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13-04-2017

Especial Páscoa: Delícias feitas com amor e sem lactose em Pelotas


Foto: Andressa Vasconcellos A chef Suelen encontrou no seu problema de saúde uma forma de ajudar outros

Há três anos, a Páscoa e todo o seu “marketing” em torno dos ovos de chocolate deixaram de ser um transtorno para os alérgicos e intolerantes à lactose. É o que conta a chef Suelen Matievicz, criadora da Com Amor e Sem Lactose, uma loja com gastronomia dedicada especialmente a quem tem restrições alimentares. “Toda Páscoa para mim é uma felicidade, pois a três anos eu dou um novo sentido para este dia a crianças e adultos”, diz.


Ela ressalta que antes da Com Amor existir, eles não tinham opções, como se não fossem vistos, e não se sentiam acolhidos. A palavra com amor no nome do empreendimento não é à toa, ressalta. “Viemos para espalhá-lo e, nesta época, ele transborda aqui, pois ajuda os outros e, principalmente, ter a oportunidade de comer algo que não te faça mal não tem preço”, ressalta. 



Mas a Com Amor não surgiu de um “estalo”. A caminhada começou bem antes de Suelen descobrir e diagnosticar a sua intolerância à lactose. Na época, estudante de Direito na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), ela não estava feliz com a sua escolha. “Senti vontade de fazer algo que realmente me fizesse feliz e desse mais sentido para a vida”, diz a chef. Ela notou então que as horas mais felizes do seu dia era quando estava cozinhando. “Nestas horas nem pensava no Direito e seus meios de inocentar pessoas em um país de leis corrompidas”.


Então veio a decisão: trancou o curso de Direito e começou a cursar o de cozinheiro básico no Senac, mesmo sob os protestos do pai, que questionou a mudança. No auge do curso de cozinheiro, Suelen começou a passar mal durante as aulas. “No início achei que era stress por estar ali contra a vontade do meu pai, porém, o desconforto se agravou, e meus enjôos se tornaram rotineiros, até chegar ao ponto de desmaiar”, descreve.


Neste momento começava a peregrinação da estudante, em busca de um diagnóstico, veio a notícia que mudaria a sua vida para sempre: intolerância à lactose. Os resultados foram vários, de gastrite a virose, até que um dia, um entre os vários médicos que a atendeu, acertou. “Após tomar um copo inteiro de lactose e retirar três vezes o sangue e coletar urina, chegou o resultado, aquele papel foi o divisor de águas”, ressalta.


A partir deste dia, tudo mudou. “Primeiro eu notei como as pessoas são egoístas e vazias com relação ao próximo. Ninguém se preocupa se você pode ou não comer determinado alimento, pois eles provavelmente já têm a sua cura em mente e ela se chama: frescura”, diz indignada.


Em segundo lugar, ela não conseguiria provar mais nada que fizesse em aula, pois tudo levava manteiga, “cheia de lactose”, lamentou. Por incentivo do professor Bryan Chaplin, começou a testar e adaptar novas receitas que pudesse comer. “Assim abriu-se um novo universo em minha cabeça, que era desconhecido para mim, mas curiosa fui a fundo e me deparei um uma diversidade de opções”, diz empolgada.


Para sua surpresa, o afilhado do seu professor era alérgico à proteína do leite, e a mãe dele queria comprar os doces que ela estava fazendo na cozinha da aula. “Então, comecei a me colocar no lugar do próximo, mas mais especificamente no lugar das crianças”. Como elas comem? Como conseguem lidar com as restrições? Como fica uma festinha de aniversário? Essas perguntas lhe inquietavam a mente.


E foi em frente, muito mais movida pelo altruísmo, segundo ela, uma característica marcante em sua personalidade. “Tudo começou com um cartão de visitas e a Com Amor e Sem Lactose surgiu de mãe para mãe, que foram me descobrindo, querendo meus doces”, conta. A Com Amor veio para compreender restrições alimentares, fazer com que as pessoas sintam-se vistas e amadas, diz a chef.


Hoje em dia, cada vez mais crianças se descobrem alérgicas e na sua cozinha optou por não utilizar soja, glúten, ovo e leite. “Somente leite derivado do arroz para atender as alergias à proteína do leite”. Ela garante ainda que na sua cozinha não tem contaminação cruzada, ou seja, nunca entraram derivados de leite, glúten e nenhum utensílio usado entrou em contato com estes produtos.


Esta é a história da Com Amor e sem Lactose e da Suelen, que há três Páscoas mudaram a história de mais de 50 famílias. Ela conta que despacha chocolates até mesmo para outros estados, como a Bahia, Minas Gerais, São Paulo, e recebe inúmeras mensagens de agradecimento, por que as pessoas descobriram uma opção de presentes a suas crianças, neste dia tão festivo. “Este ano, viemos com mais uma evolução, para ver essa criançada toda alegre, agora temos ovos com brinquedos dentro, e é só felicidade”, conta empolgada. A história dos intolerantes a lactose e alérgicos passa a ser contada como antes e depois da Com Amor, pois não havia esta opção para as crianças.


Assim como as festinhas de aniversário. Há três anos, inúmeras crianças tiveram a oportunidade de ter brigadeiros, bolos e salgadinhos iguais às festinhas dos amiguinhos, só que com produtos que ele podem consumir, diz Suelen. Na última Fenadoce, mais de 300 crianças comeram um brigadeiro pela primeira vez na vida, pois todos os seus doces, são produzidos com leite condensado de marca própria, à base de arroz, ressalta. Na próxima Fenadoce, ela garante que irá participar novamente.


Os preços, assim como o cacau aumentou seu valor de um ano para cá, os chocolates também subiram como todos os outros doces que levam chocolate. Os doces no geral não são muito diferentes os valores, garante. Porém, nos bolos é difícil, porque a limitação para cozinhar é bem maior do que um normal e por isso, é um pouco mais caro. “Mas nada exorbitante, pois há de se considerar que se trata de produto totalmente artesanal”.


Os produtos da Com Amor e sem Lactose são sem glúten, sem colesterol, sem soja, sem proteína do leite, sem ovo, sem lactose e zero origem animal. Os contatos podem ser feitos pelas redes sociais Facebook (comamoresemlactose), Instagram (comamoresemlactose), e-mail ([email protected]) ou pelo telefone (53) 98139-1221.


Redator: Tradição Regional



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