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Incentivar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda, desde a sua produção até seu consumo é o objetivo do movimento mundial Fashion Revolution Day. O evento chega em Pelotas pela primeira vez, e ocorre de 26 a 29 deste mês por diversos locais da cidade, com apresentação de documentários, palestras, oficinas, exposições e, também, vendas.
O movimento foi lançado após a queda do prédio Rana Plaza, em Bangladesh, no dia 24 de abril de 2013. O acidente deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos, em sua maioria trabalhadores que produziam roupas para grandes marcas em locais com péssimas condições estruturais, chamando a atenção de consumidores e indústria para segurança no trabalho, trabalho escravo, entre outras questões trabalhistas que estavam sendo ignoradas em busca somente de lucro.
Em Pelotas, o movimento foi incentivado pela professora do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), Frantieska Schneid Moreira, que teve o apoio da professora Camila Oliveira, também do Instituto, quando expôs a ideia em uma reunião. Já com o evento idealizado, decidiram convidar a proprietária do brechó Nina Garimpa, Aline Ebert, para fazer parte da programação geral do evento, devido à proposta de seu empreendimento condizer com a temática.
A programação do evento foi pensada tanto para a área acadêmica, quanto para público de maneira geral. Deste modo, ocorrerá no primeiro dia de evento a exibição do documentário The True Cost, que explora a ligação entre a busca por roupas de alta-costura com preços baixos e a exploração dos trabalhadores nas fábricas, no Cine UFPel (rua Lobo da Costa, nº 447). No segundo dia, a inauguração do evento será no Brechó Nina Garimpa (rua Gonçalves Chaves, nº 322), que contará com a arara fixa do evento “Traga um desapego que você ama e leve outro”. O evento principal acontece no dia 29, no Parque Tecnológico de Pelotas (avenida Domingos de Almeida, nº 1.785), e abordará através de palestras, exposições e oficinas, como usar a moda de forma consciente.
Para a professora Frantieska, o ramo da moda está cada vez mais caminhando para produzir artigos mais conscientes, assim como incentivar consumidores a praticar a sustentabilidade. Para ela, esse pensamento não é restrito ao ramo. “Não só no ramo da moda, mas acho que as questões ambientais estão sendo questionadas e refletidas em várias áreas. A preocupação com o meio ambiente e a valorização do ser humano nunca foram tão discutidas e repensadas”, disse, ao explicar que a indústria têxtil é a segunda mais poluente do mundo, ficando somente atrás da indústria de petróleo, que também produz para a indústria têxtil. “Não tem como não repensar a maneira atual de produção de roupas ao redor do mundo todo”, declarou Frantieska.
A cidade possui, atualmente, três cursos destinados à moda: no IFSul, o curso superior de Tecnologia em Design de Moda, e o curso Técnico em Vestuário; e na Universidade Federal de Pelotas (UCPel), o curso superior de Tecnologia em Design de Moda. Pelotas foi polo estadual de indústrias têxtil até os anos 90, mas com o fechamento de diversas confecções, devido à falta de mão de obra, foi deixada uma lacuna no setor. Para a professora, os cursos possuem uma importante função em reativar o setor em Pelotas. “Assim se dá o aquecimento do setor, com o surgimento de novas marcas e profissionais aptos a ingressarem no mercado de trabalho e retomar nosso lugar no ranking do Estado”, declarou.
Frantieska ainda destaca: “Quando falamos de moda, devemos pensar o que essa palavra engloba, e aí não me refiro apenas à indústria têxtil, mas sim tudo o que as pessoas desejam utilizar/consumir. Antes de falar em moda, acho que podemos falar de vestuário, ou seja, todas as pessoas consomem roupas. E isto sim afeta diretamente o dia a dia de cada cidadão. Além das roupas que vestimos, todo o setor de cama, mesa e banho é proveniente da indústria têxtil. E qual pessoa não utiliza estes artigos?”, provoca.
O participante do Fashion Revolution Day é incentivado a repensar sua forma de consumo, de produção e, principalmente, a refletir e questionar as marcas: “Quem fez a minha roupa?”.
O evento também contará com espaço de divulgação dos cursos, food trucks, customizações, espaço photo booth (cabine fotográfica) e no encerramento um pocket show com Garcez + Zilla Sonoro.
Confira as dicas da professora Frantieska para um consumo mais consciente:
1) Compre de quem faz, saiba como foi produzido a peça que vocês está levando para dentro de casa;
2) Valorize as marcas locais e a economia da sua cidade;
3) Procure saber qual a matéria-prima que o produto foi fabricado, de onde vem e as consequências do uso deste material para a natureza;
4) Reutilize, antes de descartar pense em dar uma nova vida útil para essa peça de roupa;
5) E se for descartar, de fato, faça de maneira correta e não jogue no lixo;
Confira a programação:
26/04: Cine Sustentabilidade, no Cine UFPel, com exibição do filme The True Cost, às 19h30;
27/04: Coquetel de lançamento, com La Cósmica Vegan, no Brechó Nina Garimpa, e inauguração de uma arara grátis fixa do espaço: “Traga um desapego que você ama e leve outro”, às 19h;
29/04: Abertura do evento, no Parque Tecnológico de Pelotas, com edição especial da Feira do Rolo;
15h: Oficina de Do it Yourself (faça você mesmo), com a loja Mania de Usar;
15h: Lançamento da exposição “A mulher do fim do mundo”, projeto Recicla Moda (IFSul + Sanep);
16h: Palestra sobre Slow Fashion “Consumo Consciente ou Greenwashing?”, com Carol Souza, doutoranda da Universidade de Lisboa;
17h: Mesa Redonda “Por uma moda mais sustentável”, com a mediação da professora Frantieska Schneid (Design de Moda/IFSul);
18h: Pocket Show com Garcez + Zilla Sonoro.
Redator: Tradição Regional
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