Quinta, 18 de junho de 2026, 20:50h
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Registro feito pela UCPel na noite de segunda-feira (24), data que também marcou o início do período letivo 2017/1 da UFPel
Nos últimos anos, tornou-se hábito entre os universitários de Pelotas realizarem confraternizações na rua Gonçalves Chaves, que dá acesso ao Campus I da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Entretanto, as aglomerações de pessoas, veículos e aparelhos portáteis de som - com volumes altos - que vêm ocorrendo em frente à Universidade causam transtornos para aqueles que necessitam transitar naquela localidade e para as atividades acadêmicas que ocorrem durante o período noturno.
Na última segunda-feira (24), a Brigada Militar interviu na situação que estava ocorrendo na via pública, pois havia dificuldades no trânsito e também comprometia as aulas que aconteciam na UCPel, em consequência do barulho. O órgão utilizou sete carros para dispersar a multidão que se reunia no local.
Em nota publicada, a UCPel afirma que, desde 2012, estabelece uma relação com órgãos e poderes competentes para que sejam tomadas medidas sobre os acontecimentos, resumidos pela instituição como um “cenário de caos”. “As ações repressivas das forças de segurança e as iniciativas educativas executadas pela própria UCPel em seu entorno e nas redes sociais não conseguem garantir respostas efetivas para o fim desse problema”, afirma a instituição, em publicação divulgada na terça-feira (25). Assim, também se reitera o pedido para que os poderes executivo e legislativo de Pelotas tomem medidas concretas.
Para Eduarda Gaeta, estudante do curso de Jornalismo da UCPel, o incômodo está na “gritaria, música alta e na falta de educação”, como, por exemplo, das pessoas jogarem lixo na rua, mesmo com latas para os resíduos no local, tomando muito tempo dos profissionais da limpeza. Outra questão, conforme ela, são casos de meninas que, ao saírem do prédio após as aulas, sofrem algum tipo de machismo de rapazes já embriagados. “Acho normal ter a aglomeração porque existem esses tantos bares na frente e é uma rua universitária. Acaba que a maioria dos estudantes que vieram de outra cidade moram na zona da UCPel, do Porto, então o ponto de encontro de todo mundo acabou sendo a Universidade. Acho que é falta de empatia dos estudantes mesmo, em não colocar música alta, em não ficar gritando e também, claro, com a parte do respeito”, afirma Eduarda.
Estabelecimentos interditados
Na terça (25), a Prefeitura de Pelotas, através da Secretaria de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana (SGCMU), realizou vistorias em 16 estabelecimentos comerciais na quadra em frente à Universidade, sendo três deles interditados por ausência de documentação. O objetivo da fiscalização foi verificar a situação dos alvarás necessários para a autorização da atividade comercial nas imediações. “Podemos exigir a parte legal, que é a avaliação da documentação. A atividade naquela região é permitida. Não podemos proibir o consumo de bebidas. Fora isso, passa da alçada da Prefeitura. Há dois meses já havíamos notificado alguns comércios naquela área para que regularizassem suas licenças pendentes”, declara o secretário da SGCMU, Jacques Reydams, em matéria publicada no site da Prefeitura.
Ândria Siqueira, estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da UCPel, acredita que o problema não é a venda de bebidas, adiantando o fato de que as pessoas levam suas próprias bebidas para o local em coolers. “A solução seria ter algum monitoramento, talvez uma viatura ali por perto. Não digo para proibir o pessoal de ir lá para frente, até porque todo mundo tem direito de ir e vir, mas sim proibir a música muito alta”, sugere.
A reportagem entrou em contato com o proprietário de um dos estabelecimentos que recebeu a vistoria, porém o mesmo preferiu não se pronunciar sobre a situação, em função do procedimento.
Audiência
O Ministério Público do Rio Grande do Sul, após audiência com a Procuradoria Geral de Pelotas e a UCPel, no dia 19 de abril, deu prazo de 10 dias - que se esgota neste sábado (29) - para que a Prefeitura apresente uma posição sobre a proposta de proibição do consumo de bebidas alcoólicas no entorno da Católica, ficando restrito ao interior dos estabelecimentos, como também a possível restrição do horário de venda.
Declaração da UFPel
Sobre a situação, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) declarou que é solidária aos gestores e à comunidade acadêmica da UCPel, que efetivamente têm razões para temer pela qualidade das atividades acadêmicas, comprometidas pela referida aglomeração.
Em nota, a instituição afirmou que está empenhada na busca conjunta de soluções para um problema que, em maior ou menor medida, afeta muitas das instituições de ensino da cidade.
Redator: Tradição Regional
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