Quinta, 18 de junho de 2026, 16:29h
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Acervo do Museu é constituído por doações da população de Morro Redondo e colaboradores da Região Sul
Para que as gerações futuras venham a conhecer a história local e as passadas possam relembrá-las, peças que representam as colonizações alemã e italiana foram doadas e resgatadas a partir da mobilização de Osmar Franchini, de 73 anos, no ano de 2008. Na época, ele comandava o programa de rádio “Alô, Alô, Morro Redondo”, canal que utilizou para articular a população para a arrecadação de objetos históricos.
Com anseio de criar um museu no município, Franchini convidou Ervino Büttow, de 63 anos, e Antônio Reinhardt, de 88 anos, para que, juntos, pudessem fundar o local. Ainda em 2008, foi registrada a Associação Amigos da Cultura Museu de Morro Redondo, consequentemente ampliando a parceria com a Prefeitura Municipal, por meio da cedência de espaço provisório para abrigar o Museu. No ano seguinte, o curso de Museologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) estabeleceu também uma colaboração, ficando responsável pelos serviços técnicos do acervo. No dia 7 de maio de 2011 foi então legalizado o Museu de Morro Redondo.
Atualmente, são mais de 500 itens catalogados na Associação, chegando a mil itens recebidos, havendo inclusive colaboradores de outras cidades da Zona Sul. A intenção é de que seja cedido um novo local para a readequação dos objetos, sendo todos expostos para os visitantes. Uma das diferenciações do Museu é que todos podem interagir com o acervo pelo tato, além de participar de conversas para sanar curiosidades com os fundadores e responsáveis.
Segundo Franchini, presidente do Museu, o ambiente representa um resgate histórico, remetendo às histórias de quando era criança e até de seus antepassados, lembranças guardadas na memória e compartilhadas pelo trio de amigos - que, além da paixão pelo resgate histórico, têm em comum anos de trabalho dedicados à agricultura. “Essa é a minha paixão, resgatar coisas que eram muito antigas para contar a história”, afirmou o vice-presidente, Ervino Büttow.
De acordo com Büttow, a palavra mais usada nas visitações é “tinha”, pois grande parte das frases remete aos objetos que familiares dos visitantes possuíam nas moradias. O acervo é composto por louças e utensílios domésticos, aparelhos como televisões, rádios e câmeras fotográficas, instrumentos musicais, vitrolas, peças utilizadas no trabalho agrícola, dentre tantos outros. Além disso, o espaço também possui fotografias, textos e desenhos de comunidades quilombolas e indígenas pertencentes à Morro Redondo, ressaltando a diversidade cultural da região.
Além da abertura para visitação, o Museu conta com o projeto Café com Memórias, com o objetivo de que a população da terceira idade interaja por meio das atividades propostas, como resgate de práticas na gastronomia, brincadeiras, atividades físicas, construção coletiva de memórias, entre outros, realizadas em datas específicas.
No 29º aniversário de Morro Redondo, o Museu fará exposições abertas aos visitantes durante as atividades da programação. Em funcionamento normal, o local fica aberto para visitação todos os domingos, a partir das 11h, sob a responsabilidade dos estudantes de Museologia da UFPel. “Com eles, temos um museu vivo, ativo, em andamento”, ressalta Büttow.
Como registro de quem já passou por lá, o livro de visitas do Museu começou a ser utilizado em maio de 2015, e hoje conta com cerca de 2,5 mil assinaturas, sendo em sua grande maioria de crianças e adolescentes.
15ª Semana Nacional de Museus
Vale lembrar que na próxima semana, de 15 a 21 de maio, acontece a 15ª edição da Semana Nacional de Museus. O Museu Histórico de Morro Redondo, junto ao Museu Grupelli, de Pelotas, estará participando da atividade com o tema: “Entre lembrar e esquecer, resistir é lutar!”, que tem o objetivo de abordar o processo de nacionalização pelo qual passaram imigrantes alemães e italianos durante a Era Vargas, com ênfase no período de maior repressão, conhecido como Estado Novo.
Também fará parte da programação a peça teatral “Memórias Caladas”, protagonizada por moradores, alunos e professores de Morro Redondo e voluntários do curso de Museologia da Universidade. A encenação é baseada em relatos e pesquisas históricas sobre a política de nacionalização no país, cujos reflexos são vistos através da perda de referências culturais nos municípios de Pelotas e Morro Redondo.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (53) 3224-0120 ou na página no Facebook do Museu Histórico de Morro Redondo (www.facebook.com/MuseuDeMorroRedondo).
Redator: Tradição Regional
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