S�bado, 11 de julho de 2026, 02:08h
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Professores Samuel Beskow e Luís Suzuki integram a equipe que coordena o projeto de pesquisa do curso de Engenharia Hídrica
O agricultor Leomar Thiel, 43 anos, precisa caminhar apenas alguns metros dentro de casa para conferir, em tempo real, a temperatura e a intensidade da chuva na região onde mora, no Canguçu Velho, 1º Distrito, distante cerca de 5 quilômetros da cidade.
O acesso a estas informações tornou-se possível a partir de janeiro deste ano, quando ele emprestou uma área de pouco mais de 9 m² para implantação de um projeto do curso de Engenharia Hídrica da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O local foi escolhido para receber uma das estações da Rede de Monitoramento de Recursos Hídricos na Bacia Hidrográfica do Arroio Pelotas. Trata-se de uma estação automática que transmite de minuto em minuto informações sobre as condições climáticas da localidade.
Um pluviômetro, um anemômetro e outros sensores transmitem dados por sistema sem fio (wireless) até um receptor (chamado de console) instalado na garagem da casa de Thiel. A tecnologia faz com que, em intervalos de um minuto, cheguem à UFPel informações sobre a quantidade de chuva, temperatura, umidade relativa do ar, velocidade e direção do vento, entre outras variáveis.
"Consigo saber sobre a temperatura dentro de casa e lá na rua ao mesmo tempo. Também sou informado da quantidade de chuva registrada no dia", comemora o agricultor, cuja filha cursa o segundo semestre de Agronomia da UFPel e tem a oportunidade de se envolver com experiências teóricas e práticas sobre recursos hídricos, no pátio de casa.
Um dos motivos para a escolha da localidade do Canguçu Velho é a proximidade da nascente do Arroio Pelotas.
"Aqui tem uma variabilidade do clima devido à altitude de aproximadamente 405 metros. Na foz, onde termina o curso de água, a altitude cai para 15 metros", conta Samuel Beskow, 29 anos, um dos professores-doutores do grupo de pesquisa em Recursos Hídricos e Meio Ambiente (RHIMA).
Talvez os alunos da escola Doutor Jaime de Faria e os frequentadores da Comunidade Luterana São João sequer imaginem, mas o Arroio Pelotas nasce a poucos metros dali. A estrada de acesso é indicada por uma placa de sinalização.
Outra curiosidade é que, em um morro bem próximo, está o ponto considerado mais alto da Metade do Sul, com aproximadamente 505 metros de altitude.
De acordo com Samuel Beskow, agricultores da região poderão utilizar as informações da estação meteorológica para melhorar a produtividade. Na propriedade da família Thiel, por exemplo, são plantados batata, feijão, pêssego e milho.
"A estação contribui para o melhor uso da irrigação. Se o agricultor sabe precisamente a quantidade de chuva registrada na semana, pode usar a água de forma mais racional e evitar desperdício. Ele terá o poder de manejar a irrigação a partir dessas informações", explica.
O proprietário da área onde está instalada uma das estações da Rede de Monitoramento tem acesso aos índices de chuva no dia, no mês e no ano, em escala acumulada. Estas informações podem ser interpretadas mais facilmente, dispensando uma leitura técnica. Quando chega meia-noite, a contagem zera e inicia o registro de informações do dia seguinte.
A incidência de raios ultravioletas (UV) sobre a pele também pode ser controlada – e até evitada – usando as informações da estação.
"A noção de alta temperatura não é o único indicador de forte incidência de raios ultravioletas. O receptor que está instalado aqui transmite informações que indicam os horários em que não é recomendada a exposição ao sol" comenta o professor e doutor Luís Eduardo Suzuki, 33 anos. Beskow e Suzuki integram a equipe que coordena o grupo de pesquisa, também formado por alunos bolsistas em Pelotas.
Os dados coletados em Canguçu são acessados quase que diariamente por eles. Uma vez por semana, em média, a dupla viaja até o Município para fazer a limpeza e manutenção dos aparelhos – o anemômetro, pluviômetro e o console.
Um dos próximos passos é criar um site para disponibilizar as informações em tempo real e fazer com que o serviço faça parte da rotina de trabalho dos agricultores do 1º Distrito.
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