Quinta, 18 de junho de 2026, 06:38h
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A Seção Regional do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), com o apoio de vários sindicatos regionais e da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), realizou em São Lourenço do Sul o Seminário Regional sobre os “Impactos dos Projetos de Mineração: o que sabemos e o que queremos?”.
Especialistas e professores de vários estados brasileiros e de países vizinhos, como Peru e Chile, debateram, na segunda (5) e terça-feira (6), os impactos ambientais da mineração, com ênfase ao projeto Caçapava do Sul, da Votorantim, para extração de metais pesados. É crescente a preocupação com os possíveis impactos à toda a bacia do Rio Camaquã que envolve 28 municípios.
A professora da Furg São Lourenço, Jaqueline Durigon, bióloga com mestrado e doutorado, foi uma das organizadoras do encontro. “Pudemos ouvir experiências do Brasil e do mundo e notamos que a mineração ocorre de forma muito violenta, degradando o ambiente, tirando os espaços das pessoas, interferindo na história dos municípios, nas atividades locais. Esta realidade ocorre em vários países e agora fortemente no Rio Grande do Sul”, avaliou a professora.
No debate sobre a mineração na América Latina, uma camponesa peruana relatou a luta dos camponeses de seu país contra a mineração de ouro. Ela revelou a perversidade da mineração que tira das pessoas o direito à terra. Os impactos da mineração já ocorrida no Brasil e o envio dos ganhos para fora, ficando muito pouco ao país e as comunidades impactadas pelos empreendimentos, também foram destacados. A biodiversidade do Pampa e os aspectos econômicos de diversas atividades da região também foram abordados.
O temor para a região
“Este projeto em Caçapava do Sul é na cabeceira do Rio Camaquã que é o principal rio da Metade Sul do Estado. Em suas margens estão grandes maciços de florestas preservadas e as águas do Camaquã ainda são águas de boa qualidade. Nos preocupamos muito com a mineração de metais pesados que se dispersam tanto pelo ar, quanto pela água, pelas plantas. E aí o gado come esta planta e também fica contaminado. A grande preocupação é com a saúde as pessoas de toda a região da bacia”, justifica Jaqueline. Ela explica que o Rio tem poder de propagação dos impactos. “Já vimos o caso de Mariana, onde a catástrofe em Minas Gerias se propagou a outro estado. Qualquer problema que se tenha vai chegar até a Lagoa dos Patos e ao mar em Rio Grande”, projetou a professora, lembrando que o Rio Camaquã já sofreu com rompimento de rejeitos, em 1988, quando toda sua água ficou vermelha e houve grande mortandade de peixes.
Segundo ela, o processo de licenciamento ambiental para o projeto da Votorantim, em Caçapava do Sul, não está tomando as precauções necessárias e, justamente por isso, é preciso haver compromisso dos governantes e das comunidades. A mobilização já tem dado resultado e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) pediu mais esclarecimentos à empresa, que pretendia ter a licença no final de 2017, o que já foi adiado.
Prefeitos mobilizados
Antes do final do encontro, os prefeitos de São Lourenço do Sul, Rudinei Harter, de Cristal, Fábia Richter, de Turuçu, Selmira Fehrenbach, e o vice-prefeito de Camaquã, Jair Martins, entregaram uma carta direcionada aos organizadores do evento colocando-se de forma contrária a implantação de indústrias de mineração de metais pesados na região da Costa Doce. Com este documento, os prefeitos se comprometeram em divulgar aos demais prefeitos da região sobre os impactos prejudiciais que as mineradoras levarão para o desenvolvimento do Rio Camaquã e para a região como um todo. O assunto será abordado nas próximas reuniões das associações de municípios das regiões Sul e da Centro-Sul.
Redator: Tradição Regional
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