Quinta, 18 de junho de 2026, 04:59h
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Com proposta gourmet, nova linha de bem-casados teve aceitação do público: divulgação da novidade alcançou mais de 3,5 mil interações via Facebook
Três gerações envolvidas no trabalho de preservar receitas que começaram a ser utilizadas pela matriarca há mais de 50 anos. Essa é a história de sucessão familiar da Delícias Portuguesas, uma das empresas mais clássicas do setor na cidade de Pelotas. Emília Silva, hoje com 86 anos, foi quem iniciou a produção de doces, ainda de forma artesanal e caseira, conforme conta uma de suas filhas, Maria Alzira Rosa Carreira. “Chegamos de Portugal e minha mãe começou a trabalhar com doces, na Confeitaria Confiança. Depois, nós, as filhas, nos agregamos e ficamos trabalhando juntas”. Tempo depois foi então criada a loja e marca Delícias Portuguesas, que completa 22 anos no mercado.
Durante os 19 dias de Feira, as filhas de dona Emília trabalham juntas na Cidade do Doce, mas, atualmente, as responsáveis por administrar a empresa são Alzira e sua sobrinha, Muriel Duarte Sevastakiev, que se integrou há pouco tempo nos negócios, mas já está revolucionando com a mistura entre tradição e modernidade. Ela viveu os últimos 10 anos na França e chegou ao Brasil, acompanhada de seu marido - que é chef de cozinha -, há apenas três meses. “Tem muito potencial e é algo que iria se perder porque não sei se teria alguém que fosse continuar. Pegamos a empresa com a Tia Alzira para dar continuidade, para não perder algo que tem um valor muito grande, um tesouro com as receitas da vó desde muitos anos”, diz Muriel, sobre representar a terceira geração na atividade familiar.
Quanto aos doces da Delícias Portuguesas, Alzira explica que as receitas são mantidas de forma tradicional, com características de doces certificados. “Obedece a receita há 200 anos. Não misturamos nada, é uma receita bem tradicional”. A linha dos certificados compreende 14 doces, além da linha de bombons - mesmo que não certificados, mas tradicionais nos balcões de comercialização.
Um dos diferenciais está na linha de doces que remete a regiões portuguesas. “Resgatamos, através dos familiares que temos lá, e fomos adaptando ao nosso clima, à nossa umidade, e hoje temos receitas relativas a cada região”, explica Alzira. O kit conta com doces que são resultados de um processo bem específico. “O toucinho do céu é do Algarve, o pastel de feijão branco é de Torres Vedras, a delícia de nozes é da Batalha… E também, a pedido de um Simpósio, realizado em Porto Alegre, fizemos um doce açoriano, o Véu de Noiva”.
Fenadoce
Participando desde a 5ª edição, Alzira não esconde a alegria em vivenciar um momento traduzido em visibilidade e satisfação. “Estamos na Feira até hoje, muito contentes e felizes porque é um momento importante, de apresentar a tua cara para o cliente. A Feira te mostra para o Estado, para o país e até para fora dele, já que temos muitos visitantes de outros países. É sempre um bom momento para a empresa, alavanca negócios”, define. Cerca de 10 atendentes integram a equipe que atende o público durante a Fenadoce.
Muriel destaca ainda a importância do selo de procedência. “Só existem 13 [tipos de] produtos no Brasil inteiro que possuem este selo e os doces de Pelotas são um desses, então é bem valorizado”, lembra. E Alzira completa: “Nós temos de ser muito felizes por ter essa certificação e o público precisa dar valor a isso porque quando se come um camafeu certificado, está comendo um doce com a receita original, não é com bolachinha moída ou com essência, mas sim com nozes pura, com ovo, com a receita perfeita”. Prática que, segundo ela, remete à história de 200 anos atrás, “quando as senhoras portuguesas ofereciam seus docinhos em bandejas durante os saraus”.
Novos rumos
Exemplo da repaginação que Muriel quer implementar, unindo antigo e novo, está na vontade de expandir os negócios. “Queremos sair do Estado, levando todos esses doces, desenvolvendo a empresa e também criando novidades. E foi aí que criamos a linha [de bem-casado] gourmet, com receitas francesas misturadas com portuguesas. Porque a vó começou com o bem-casado, só fazia ele, então parece que estamos voltando ao passado, mas de um jeito diferente”, destaca, completando: “Também temos planos para renovar a loja, queremos fazer uma coisa bem tradicional, Pelotas com Portugal”. Alzira não só aprova as ideias transformadoras da sobrinha, como também complementa a noção de uma nova loja: “Ter uns momentinhos com fado ao vivo, quem sabe, né?”, brinca.
Além disso, Muriel e seu marido também são responsáveis por uma das novidades mais recentes da Delícias: a linha gourmet de bem-casados. Inspirados nos macarons, pequeno bolo granulado de origem francesa. A adaptação foi feita com a necessidade de criar novos sabores para agradar os mais diferentes públicos. “Quisemos adaptar a algo que já existia. Tivemos essa ideia de misturar os dois, criando uma ganache para estes doces”, enfatiza Muriel. Pistache, frutas vermelhas, café, coco, nozes, chocolate e limão siciliano foram alguns dos sabores escolhidos, chegando a nove tipos. A receita também conta com a utilização de ovos orgânicos. “Usamos produtos de alta qualidade e estamos pensando em criar depois novos sabores, como, por exemplo, de lavanda, misturando características francesas com os bem-casados”, antecipa.
A linha gourmet não estará no estande da Delícias Portuguesas na Fenadoce, por se tratar de uma edição especial, ficando disponível para comercialização na loja, localizada no Centro da cidade, na rua General Osório, nº 759 A.
Por fim, vale destacar que a personagem principal da família também integra fatos históricos da cidade: Emília Silva é a doceira mais antiga viva de Pelotas, conforme destacam sua filha e neta. “E ela coordena, embora não possa mais fazer os doces, sempre pergunta e pede para experimentar para saber se está em ordem, se está tudo certinho”, conta Alzira. “É o controle de qualidade, e todo mundo escuta porque ela tem a experiência”, finaliza Muriel.
Redator: Tradição Regional
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