Ter�a, 16 de junho de 2026, 06:05h
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Há 12 anos, Paulo Caetano Martins tem a estrada como caminho e a confiança dos passageiros como diferencial no trabalho
Todos os dias, centenas de estudantes saem de Arroio Grande e pegam a estrada em busca de conhecimento nas universidades da região. Mas essa rotina intensa não é sentida somente pelos universitários. Paulo Caetano Martins, de 43 anos, é um dos motoristas que diariamente encara a tarefa de embarcar os alunos às 5h30, chegando às 14h para levar os alunos que estudam pela manhã, e à tarde é a mesma coisa: o ônibus parte às 17h45, chegando às 0h em Arroio Grande.
Cerca de 97 quilômetros da BR-116 são percorridos, o que chega a 1.940 quilômetros por semana. O somatório é cansativo, mas para Martins nada supera a satisfação de fazer o que gosta. Motorista há pelo menos 12 anos, trabalhou por quatro anos como caminhoneiro, quando começou sua atividade realizando o trecho Herval-Porto Alegre no transporte de carnes.
Após se profissionalizar e buscar maior conhecimento em cursos de transporte, incentivado pela sua esposa, ele passou a trabalhar no transporte turístico, setor que atua há seis anos. A profissão surgiu em sua vida na procura por melhores condições financeiras, no entanto, a busca fez com que se apaixonasse pelo que faz. “Estar na estrada é bom. Se passo um final de semana em casa já fico com vontade de viajar na segunda-feira”, confessa.
Diferente da realidade de muitos motoristas, que passam vários dias longe da família, atualmente, Martins - que é casado e tem dois filhos - vive uma rotina de trabalho que permite ficar em sua residência junto à família. Mas ele recorda o que já viveu quando era caminhoneiro e pondera a dificuldade de estar distante dos familiares por longos períodos de trabalho, chegando a ficar três ou até mesmo quatro meses longe de casa, provando da realidade de tantos outros profissionais da área.
Transporte de estudantes
Atualmente, Martins trabalha na empresa de transporte turístico Timm Tur e é um dos motoristas responsáveis por levar os alunos de Arroio Grande para as universidades de Pelotas. Ele se mostra confortável em realizar esse tipo de transporte, já que possui uma relação de amizade com os alunos e se sente participante na alegria de cada estudante que se forma. O motorista conta que alguns alunos chegam a fazer ligações telefônicas para compartilhar que passaram em alguma prova ou disciplina, e não são raros os convites de formatura que recebe dos jovens que transporta, comprovando o grau de amizade e proximidade que mantém com os universitários.
Para ele, dentre as características de um bom profissional, estão a atenção contínua e a certeza do que irá fazer na estrada. “Olhar duas ou três vezes antes de atravessar uma avenida não vai te deixar menos profissional, já que uma imprudência pode colocar muitas vidas em risco”, pondera.
Em relação à estrada, ele conta que o mais difícil de presenciar são os acidentes, que em sua maioria, segundo ele, acontecem por imprudência. Martins defende o cuidado e o respeito na estrada, já que transporta todos dias sonhos de jovens que lutam por uma formação. Ele se mostra satisfeito com o que faz, diz ser privilegiado com o que ganha, no entanto, está em constante aprendizado e busca crescer na profissão aprendendo com os colegas de trabalho, já que as amizades e as parcerias conquistadas na estrada são essenciais para o bom andamento da atividade, conforme conta.
Ao vislumbrar melhores condições para a categoria, Martins sugere que uma das bandeiras que deve ser levantada pela classe diz respeito à duplicação da BR-116, que seria de extrema importância para quem trabalha no trecho, segundo ele, que enfatiza a felicidade e satisfação com sua atividade.
Redator: Tradição Regional
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