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A construção de um muro de dois metros de altura para direcionar a saída de água pluvial por debaixo dos trilhos, em caso de chuva torrencial, construída pela Empresa de Transporte Ferroviário América Latina Logística (ALL-RUMO), tem preocupado moradores da Vila Real e do Loteamento Municipal, situados próximo aos trilhos. Essas duas localidades foram atingidas na enchente do ano de 2009. Os trilhos formam uma barreira de contenção ao escoamento das águas até encontrarem a única saída d’água, uma fenda construída de concreto por debaixo dos trilhos.
Entretanto, para a ALL-RUMO, o muro serve para direcionar a água até a fenda aberta por debaixo dos trilhos, mas os moradores contestam a hipótese e acreditam que o muro servirá como uma barreira adicional em caso de chuvas torrenciais, aumentando o risco de outra enchente, ainda maior que a anterior.
Rosa Neli Nunes, de 61 anos, mora na rua Bernardino Moreira dos Santos há 10 anos e foi uma das vítimas da última enchente. “Minha casa entrou água acima de um metro de altura, foi horrível. Sou pobre e ganho apenas um salário mínimo, que mal dá pra me manter. Na enchente anterior, perdi quase todos os meus móveis e não quero passar novamente por isso. Acho que essa obra não foi uma boa ideia da empresa de transporte ferroviário”, contesta.
Tânia Furtado, 51, cresceu na localidade. Ela e seus três filhos moram em um chalé, que até hoje possui as marcas da última enchente. “Assim como aconteceu com outros moradores, minha casa também foi invadida pelas águas da enchente de 2009. Não sou uma pessoa conhecedora de obras, mas tenho a mesma opinião da grande maioria dos moradores. Essa parede vai conter ainda mais as águas que descem da pedreira municipal em direção ao Arroio Padre Doutor. Como nossa comunidade fica bem próxima aos trilhos, que servem como barreira de contenção d’água, nesse caso, somente a construção de outras saídas iguais a que já temos resolveria nosso problema”, destaca.
Entenda o caso
Em 2012, o Ministério Público Federal (MPF) instalou um inquérito civil contra a América Latina Logística, a pedido da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, com apoio de moradores, solicitando a construção de mais galerias.
Perante o MPF, a ALL alegou que a enchente não é causada pela construção da linha férrea, mas sim pela urbanização desordenada da cidade. Um estudo técnico apresentado pelo município e por perito do MPF contestou a alegação da ALL.
O processo continua em tramitação na esfera federal e com a construção da parede, que, na opinião dos moradores, servirá como uma barreira que impedirá o fluxo normal das águas, novos pareceres deverão ser solicitados pela Justiça Federal.
Redator: Tradição Regional
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