Segunda, 15 de junho de 2026, 08:54h
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O tempo de espera, marcado por promessas não cumpridas de diversas gestões do Governo do Estado, fez com que muitos moradores de Piratini deixassem de ter esperança em ver a nova Ponte do Costa construída. Entretanto, a assinatura da ordem de início das obras, feita pelo Governo do Estado na última segunda-feira (11), reacendeu a confiança dos habitantes.
Em ato no Palácio Piratini, o governador do Estado, José Ivo Sartori anunciou R$ 9 milhões para investimentos em três obras do Rio Grande do Sul, sendo que R$ 6 milhões serão destinados somente para a ponte. Os outros R$ 3 milhões serão atribuídos à construção do trevo de interseção de Cruz Alta, para instalações da empresa CCGL, e à ponte sobre o arroio Passo D'Areia, em Cachoeira do Sul. O valor é proveniente de recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
“Após tanto tempo de espera, as populações dessas comunidades sentirão os benefícios das ações”, afirmou Sartori durante a assinatura dos documentos. O contrato assinado entre o Estado e a empresa Traçado Construções e Serviços, responsável pela obra, indica a previsão de término em um ano e meio.
De acordo com o secretário da Casa Civil, Fabio Branco, o início da construção da ponte será imediato. “São obras prioritárias para a população da nossa capital farroupilha, possibilitando o acesso, integração e desenvolvimento da Região Sul do Estado”, afirma. Segundo Branco, a demora em assinatura era cautela do governo para garantir a finalização da obra. “Precisávamos da garantia da dotação orçamentária para dar início, meio e fim à obra tão sonhada por essa população. Ela vai atrair investimentos, emprego e renda. Agora, temos esse dinheiro assegurado”, garante. Já o secretário dos Transportes, Pedro Westphalen, destacou que a construção da ponte leva mais segurança para a população e muda a realidade da cidade do interior.
Erguida há aproximadamente oitenta anos, a Ponte do Costa localiza-se no km 19 da ERS-702 e representa a única via asfaltada entre o município e a BR-293. Entretanto, constantemente sofre bloqueios em virtude de problemas apresentados. Cada fechamento da ponte torna-se um empecilho para a economia do município e um transtorno para motoristas, que são obrigados a desviar do caminho, ou usuários do transporte coletivo, que precisam fazer travessia a pé.
A estrutura de ferro, com 159 metros, não conta com iluminação, gerando falta de segurança aos motoristas que trafegam pelo local. Além disso, possui mão única e sinalização precária, sem a indicação de orientação de preferência de entrada - se de quem vem de Piratini ou vai para o município. Os buracos, formados pela trepidação da ponte, também se tornaram recorrentes, permitindo que o leito do Rio Piratini seja visto por meio deles.
Para o prefeito Vitor Ivan Gonçalves Rodrigues, as capacidades máximas para peso e altura, marcadas em 24 toneladas e 4 metros e 20 centímetros, também são limitadoras. Em seu primeiro mandato, o prefeito conta que um de seus sonhos como administrador é estar entre as autoridades que acompanharão a cerimônia de inauguração da ponte.
Segundo Rodrigues, o início da obra, prometido para no máximo duas semanas, poderá mudar como os 20 mil habitantes enxergam o município. “Será um divisor de águas”, aposta. De acordo com ele, os moradores sempre compreenderam a travessia como um ponto que dificulta o desenvolvimento da cidade, já prejudicada por estar há 35 quilômetros distante da rodovia que liga a região ao Estado. O prefeito, no entanto, é cauteloso. “Para atrairmos investimentos, a ponte não é o único entrave. Como vamos resolver o problema de trafegabilidade, ainda precisaremos solucionar a questão da energia com construção de uma subestação, por exemplo”, destaca.
Vice-prefeito durante oito anos, Rodrigues cobrou soluções ao Estado em diversas situações, acompanhado da documentação necessária para tentar convencer o Governo sobre a destinação de recursos. A comitiva também foi composta por parlamentares gaúchos, como os deputados estaduais Adilson Troca (PSDB), Gilmar Sossella (PDT) e Pedro Pereira (PSDB), e entidades como Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), Conselho Regional de Desenvolvimento da Região Sul (Corede-Sul), Consórcio Cideja e Consórcio Extremo-Sul.
O empresário Willian Westermann, que comanda uma empresa de armazenamento de grãos, é um dos membros da sociedade civil que também está envolvido na busca de verbas para a construção da ponte desde 2015. Após a assinatura do governador, Westermann vê seu desejo mais perto de ser concretizado. O empresário anseia pelo fim dos problemas com os caminhões que chegam aos silos saindo das lavouras da região, carregados de soja, milho, cevada e trigo.
“Na última safra foram 80 mil toneladas que passaram por essa ponte”, indica. Westermann explica que não tem alternativa quando a travessia é bloqueada para manutenção, uma vez que a ERS-265, Canguçu e o Passo do Alfaiate, estrada vicinal de Piratini, não oferecem condições. Segundo ele, a falta de segurança e as más condições das estradas são motivos que fazem outras vias não propiciarem o suporte necessário para o deslocamento de grandes cargas.
Para o empresário, a estrutura de ferro da ponte - transportada para Piratini na década de 30 e que por muito tempo suportou a passagem de trens - não configura um transtorno. “O problema não está na estrutura e sim, na camada de asfalto que vai sobre ela, que não suporta o peso e a vibração que os caminhões causam e ampliam”, coloca. Além de eliminar problemas de trafegabilidade, Westermann lembra que quando a travessia for concluída, o preço final do que chega ao consumidor também será impactado. Segundo o empresário, a diminuição do valor do frete consequentemente baixará o valor de produtos como gás de cozinha, combustível e produtos básicos nas prateleiras dos supermercados.
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