Domingo, 14 de junho de 2026, 13:01h
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Em 2017, o Piquete Resto de 35 completou três décadas e meia, atravessando a cavalo as avenidas Maurício Cardoso e Gomes Jardim, as duas principais vias que cortam o Centro Histórico Farroupilha de ponta a ponta e, onde ocorrem o desfile de cavalarianos na primeira capital farrapa.
Para coroar a data, como já havia acontecido nos últimos cinco anos, a entidade - a maior também em número de cavalarianos - outra vez levou o título, chegando a 16 primeiros lugares em 35 anos do evento. Foi o que de melhor aconteceu para o piquete, que teve um ano turbulento, onde muitos se retiraram, e, entre os fatores das saídas, está a questão financeira, assunto que, mesmo quando procurados pela imprensa, aqueles que até então eram as principais figuras do 35 se recusaram a detalhar sobre o que realmente aconteceu.
Passado o desfile, uma reunião serviu para o debate dos problemas, e eis que a voz do fundador, Marcial Guastucci, falando mais alto. Ocorreu que, ao ouvir as exposições da integrante Adeline de Lima Gonçalves, responsável por fazer várias sugestões e apontar erros que estavam acontecendo, Guastucci questionou: “Por que você não assume como patroa?”. Lidar com homens gaúchos, acostumados a orientações de outros homens, a fez hesitar, mas, então, respondeu: “Se eu puder escolher as demais integrantes da minha patronagem, eu aceito”.
O fundador não teve dúvidas e quando questionado sobre o motivo de sua atitude, resumiu: “há muito tempo elas pegam mais junto que muitos homens, ajudam mais”. Lidiana Madruga, agora vice-patroa e uma das sete mulheres que estão à frente do Resto de 35, afirmou que foco para alcançar as metas traçadas não falta. “Eu queria a Lili do meu lado, assim como as demais que convidei. Algumas delas, inclusive, haviam se afastado do piquete e retornaram com o convite”, disse a patroa Adeline.
Lidiana, a Lili, está cheia de ideias, mas sabe o tamanho do desafio que todas terão para manter uma entidade desse porte. “Fácil não vai ser. Por exemplo, sempre tive vontade de integrar este piquete, mas, também, sempre fui desaconselhada a fazer e o argumento usado é que era um piquete de ricos, de endinheirados. Esse ano participei e vi que não é nada disso. Todo mundo dá um pouquinho de si e um dos objetivos é mudar esse conceito que muita gente tem”, conta. O desafio aumenta dada a questão financeira, que, por um momento, desuniu parte da entidade. “Assumimos com caixa zero. Não há dinheiro e nossa primeira ação será um baile de troca de patronagem para arrecadar fundos”, antecipou a patroa Adeline Gonçalves.
Redator: Tradição Regional
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