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André Moraes Dutra, Vagner Aires Valadão e Jadir Gonçalves de Paula, junto a Ronaldo Rodrigues, são os responsáveis pela reciclagem
Atualmente, apenas alguns municípios brasileiros possuem coleta seletiva e Morro Redondo é um deles. Lá, 30% dos resíduos recolhidos no ano passado foram reciclados, número considerado satisfatório em comparação a outros municípios da região
Em 2011, o Brasil produziu uma média de 55 milhões de toneladas de resíduos, sendo que destes, 58,06% (32,2 milhões) foram destinadas corretamente - em aterros sanitários ou reciclagem -, enquanto o restante (23,3 milhões) seguiu indo para lixões e os chamados aterros controlados, que não têm tratamento de chorume ou controle dos gases de efeito estufa produzidos em sua decomposição. Com relação aos municípios brasileiros, 60,5% do total de 5.565 deram destino inadequado a mais de 74 mil toneladas de resíduos por dia. Conforme pesquisa encomendada pelo Ministério do Meio Ambiente ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), todos os anos o país perde cerca de R$ 8 bilhões por deixar de reciclar os resíduos que poderiam ter outro fim, mas são encaminhados aos aterros e lixões das cidades.
De acordo com o órgão, dos mais de cinco mil municípios espalhados pelo Brasil, apenas 994 fazem a coleta seletiva do lixo, a maioria das regiões Sul e Sudeste do país. Aqui na zona sul, o município de Morro Redondo, com pouco mais de seis mil habitantes, é um deles e está se tornando exemplo para os municípios vizinhos, já que vem obtendo bons resultados com a coleta seletiva, implantada há um ano na localidade. Para se ter uma ideia, em 2011, o município recolheu mais de 220 toneladas de resíduos, sendo que destes, aproximadamente 30% foram reciclados, 17% acima da média nacional em 2010, que foi de 13%, conforme a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE).
Conforme a diretora de Meio Ambiente do município, a química ambiental Natali Rodrigues, a ideia de implantar a coleta seletiva em Morro Redondo partiu do atual prefeito Rui Brizolara, ainda em 1997. Desde então, o projeto foi evoluindo e sendo adaptado, até que em abril de 2011 foi criada a Associação de Recicladores de Morro Redondo – que recentemente recebeu a licença ambiental da Fepam -, onde trabalham quatro pessoas responsáveis por selecionar e separar os resíduos. “O começo do projeto foi mais difícil, pois os integrantes da associação não sabiam como fazer a reciclagem, tiveram que aprender a lidar com os resíduos e conhecer o mercado de atuação”, explica Natali.
Natali explica que a prefeitura é a responsável pelo recolhimento dos resíduos nas residências e conta com um caminhão e mais cinco funcionários para o serviço. “Eles coletam os resíduos, conforme um calendário, e levam para a associação, que tem o dever de separar o lixo orgânico e o seco, além de encaminhar os rejeitos para o aterro sanitário em Candiota”, afirma. Além disso, todos os meses a prefeitura repassa cerca de R$ 2.5 mil para incentivar o trabalho deles e ajudá-los a pagar as despesas do local, além do lucro gerado pela associação. “Seria mais fácil e barato para a prefeitura juntar tudo e enviar para o aterro sanitário, mas queremos incentivar a reciclagem e por isso continuamos apostando”, revela.
Com relação à adesão da comunidade ao projeto, o departamento ainda enfrenta dificuldade, principalmente com os resíduos gerados na área urbana. “Geralmente, o material que vem da colônia já é pré-selecionado pelos moradores. Já o da área urbana vem muito misturado, o que dificulta o trabalho dos recicladores, além de contaminar materiais que poderiam ser reciclados”, aponta a Química. “Seria importante que a população se conscientizasse da importância de separar o seu lixo, pois a triagem na associação seria muito mais rápida. Por enquanto pedimos que, pelo menos, o pessoal separe o resíduo seco do orgânico, o que já seria um grande passo, já que o município não cobra tarifa para coleta de lixo”, ressalta a diretora, informando que o próximo passo é a criação do Plano Ambiental do Município.
Números da Associação
Em abril de 2011, quando a associação iniciou as atividades no município, foram recicladas cerca de quatro toneladas de resíduos, sendo que em dezembro a entidade já estava produzindo mais de sete toneladas de material reciclado. Das mais de 220 toneladas de resíduos coletados, cerca de 50.2 toneladas foram recicladas, e o restante encaminhado ao aterro sanitário localizado no município de Candiota.
Por mês, cada associado consegue ganhar aproximadamente R$ 1.2 mil, sendo que em outros municípios, o normal é um salário mínimo. “Antes eu trabalhava com fumo e fiquei meio receoso de vir para reciclagem, até porque eu não entendia nada do assunto. Mas depois, vi que vale a pena e estou muito satisfeito, assim como meus colegas”, afirma o associado André Moraes Dutra, de 31 anos, acompanhado dos colegas Vagner Aires Valadão e Jadir Gonçalves de Paula, além de Ronaldo Rodrigues.
Segundo ele, é importante que a comunidade entenda o papel do reciclador e valorize mais o trabalho realizado pelos profissionais envolvidos na coleta de resíduos. “Muitos torceram o nariz quando eu disse que ia trocar a plantação de fumo pela reciclagem do lixo. Nem eu entendia o quanto de riqueza esse trabalho poderia gerar, mas hoje sei que não tem o que dê tanto lucro quanto a reciclagem, e não só financeiro, mas para o meio ambiente também”, finaliza Dutra.
PNRS
Após a aprovação em 2011, da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que organiza a forma como o país trata o lixo, incentivando a reciclagem e a sustentabilidade, foi elaborado o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), cujo texto passou por um processo de consulta pública e foi definido recentemente. Segundo o plano, até 2014 não devem mais existir lixões a céu aberto no Brasil. No lugar deles, devem ser criados aterros controlados ou aterros sanitários, já que estes têm preparo no solo para evitar a contaminação de lençol freático, captam o chorume que resulta da degradação do lixo e contam com a queima do metano para gerar energia.
Além disso, somente os rejeitos – parte do lixo que não pode ser reciclada - poderão ser encaminhados aos aterros sanitários, o que representa apenas 10% dos resíduos sólidos. A maioria é orgânica, que em compostagens pode ser reaproveitada e transformada em adubo, e reciclável, que deve ser devidamente separada para a coleta seletiva. Os municípios também terão que elaborar aplanos de resíduos sólidos para ajudar prefeituras e cidadãos a descartar de forma correta o lixo.
Outro importante avanço da política é a chamada “logística reversa”. Na prática, a logística reversa diz que uma vez descartadas, as embalagens são de responsabilidade dos fabricantes, que devem criar um sistema para reciclar o produto. Sendo assim, uma empresa de refrigerante terá que criar um sistema para recolher as garrafas e latas de alumínio e destiná-las para a reciclagem, por exemplo.
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