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Em Morro Redondo, ainda não existem registros com relação ao problema, mas as autoridades públicas mantêm programas e ações preventivas
Todos os anos, mais de oito mil pessoas morrem em decorrência do uso de drogas legais e ilegais no Brasil. Um levantamento feito pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostra que álcool, fumo, psicotrópicos e a cocaína tiraram a vida de 40 mil brasileiros, entre os anos de 2006 e 2010. Segundo pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), ao Observatório do Crack, as duas principais drogas legalizadas no país, álcool e fumo, juntas, mataram 39.198 pessoas em cinco anos, ou 96,2% do total.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, há uma urgente necessidade de combater o problema das drogas nos municípios. “A União não está fazendo isso e o problema estoura é nos municípios”, afirma. Ziulkoski diz que a média de cerca de oito mil óbitos, encontrada no SIM, é um número subestimado. “Não há uma cultura de informação dos médicos”, acrescenta. Para ele, “o país precisa ver que a política de prevenção do uso de drogas é precária e a situação é alarmante”.
Prova disto, é que em mais de 98% dos municípios brasileiros o uso do crack e outras drogas, é visto como epidemia. No Rio Grande do Sul, dos 483 municípios analisados pelo Observatório do Crack, mais de 410 convivem com as drogas. Em Morro Redondo, ainda não existem registros com relação ao problema, mas as autoridades públicas mantêm programas e ações preventivas, buscando minimizar os impactos e a influencia de outros municípios da região como Pelotas, Canguçu e Capão do Leão, onde o consumo de entorpecentes é considerado alto.
A fé que move montanhas
Em Morro Redondo existe o Centro de Recuperação Shekinah – nome hebraico que significa Glória Visível de Deus -, criado em 1995 por membros da Igreja Evangélica Quadrangular. O local, sem fins lucrativos, atende dezenas de jovens de toda a região, oferecendo um atendimento focado na disciplina e na doutrina cristã, base do trabalho desenvolvido. “Aqui só fica quem quer realmente se livrar do vício. O tratamento é difícil, pois procuramos não usar medicamentos, e cada um tem suas responsabilidades dentro do grupo, mas é um orgulho quando um deles completa os nove meses e sai daqui disposto a vencer”, aponta o coordenador do centro, pastor Gilnei Lourenço, que conta com o auxilio voluntário do aposentado Claudio Renato da Silva Silveira, e de auxiliares.
Segundo ele, é comum a entrada de jovens das mais variadas situações sociais, porém todos são tratados como iguais e recebem as mesmas tarefas. Dentre as normas, os internos não podem andar sem camisa, falar palavrões e fumar. Conforme o pastor, o Shekinah não exige pagamento, mas pede uma ajuda de custo às famílias dos pacientes – principalmente àquelas que podem pagar -, além de contar com o apoio da comunidade e de empresários de toda região. Graças a estas doações, foram construídos novos alojamentos para os internos, o que deverá impactar na autoestima destes. “Muitos não gostam de falar que ajudam, mas preciso dizer que se não fosse o auxilio deles, o Shekinah não existiria e muitos jovens ficariam sem auxílio”, afirma o pastor.
Que o diga o interno Flavio Cristiano Ribeiro da Silveira, de 29 anos, ex-usuário de cocaína e crack. Ele está perto de completar o período de permanência no Shekinah – que é de nove meses – e apoia-se na fé para vencer os desafios que encontrará do lado de fora do centro. “Minha experiência com drogas não é longa, mas me levou ao fundo do poço. Foi ai que contei ao meu pai que estava usando drogas e ele me ajudou a vir para cá, fato que agradeço, apesar de sentir falta de minha família”, revela Silveira. “Quando eu sair, sei que vou enfrentar desafios, mas vou me fortalecer na minha fé, vigiar meus pensamentos e buscar andar em obediência ao senhor, transformando-me em exemplo para outros que buscam sair das drogas”, confia o jovem.
No dia 20 de agosto, o centro comemora 17 anos de fundação com a realização de uma festa aberta a comunidade. O evento inicia às 18h30 e contará com shows e apresentações artísticas que irão ocorrer na sede da entidade. O Shekinah fica na colônia Açoita Cavalo, interior de Morro Redondo. Para mais informações ligue (53) 3274.7105.
14-03-2013 - 12h19min
valdecir, de capao do leao-RS, disse:
sera que a uniao nao esta lucrando com as drogas tambem porque eu nao acredito que policia civil e brigada nao lucrem com isto e eu falo com muita convicçao pois ja vi muito disso aqui no capao do leao terra de nimguem
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