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Há cinco anos, elas tiveram a iniciativa, diante da ausência quase permanente de emprego em Piratini, de viver do que o lixo pode gerar e alterar o impacto para positivo no meio ambiente.
Um silo sem utilidade a beira da ERS-702, há no máximo dois quilômetros da área urbana, foi pleiteado junto à Prefeitura que, além de ceder às instalações, tornou-se uma parceira para que o projeto desse certo. Assim, nasceu a Cooperativa Coopiratini Reciclagem Solidária, que hoje propicia a oito mulheres uma renda mínima de um salário com a venda de materiais como latas, papel, papelão e plástico.
Ander Souza, com apenas 19 anos, é a porta voz do grupo e tem na ponta da língua todo o funcionamento do processo.
“Nós mesmas, com um caminhão, fazemos a coleta dos resíduos pelo município indo ao comércio e também retirando de algumas lixeiras, o que não é o ideal, pois acaba que nos caso delas, aproveitamos muito pouco até porque o caminhão que realiza o recolhimento normal dos rejeitos passa antes de nós”, resume Ander.
A jovem cooperada entende que o ideal seria uma reeducação da comunidade, um problema que se percebe em todo Brasil, que não faz a separação do que vai descartar no interior de sua residência, sendo a próxima etapa postar o lixo na rua já separado.
Na hora de vender o que organizam no galpão, as cooperadas também evoluíram. No princípio, o atravessador, ou seja, aquele que compra para revender, oportunizava um valor menor pelos recicláveis. Mas isso não ocorre mais.
“A gente trabalha em rede. São cinco municípios que reúnem o que reciclam e as cargas que saem a cada 45 dias seguem para Porto Alegre, onde são vendidas por um preço mais elevado e, unindo o valor que provém de um convênio com a Prefeitura, conseguimos há alguns meses começar a pagar o nosso INSS, também o escritório de contabilidade e ainda nos sobra um pouco mais de um salário mínimo para cada uma já descontado a previdência”, explica.
O atual prefeito Vitor Ivan Gonçalves (PDT), ao assumir, decidiu manter todos os convênios que seu antecessor, Vilso Agnelo, havia firmado com a Coopiratini: O combustível para a locomoção do caminhão na cidade e transporte para outros municípios das cargas já formadas, a cedência de um motorista da Prefeitura para conduzir o veículo e o prédio onde ocorre a separação.
“Mantivemos todos porque entendemos que é um a forma de reconhecer o que elas fazem, pois auxiliam o município a reduzir a carga que vai para a estação de transbordo, além da geração de renda que nos dá o impacto social”, disse o prefeito, que ampliou: “O convênio para elas pagarem a previdência foi em nossa gestão que foi firmado, o que colabora em função da baixa arrecadação que elas tinham, para amplia-lo”.
Redator: Tradição Regional
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