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Daiane é secretária do Sindicato dos Servidores Municipais, estudante de Direito e em breve, será assessora parlamentar
O racismo presente no Brasil faz com que sejam dadas às pessoas negras, na maioria das vezes, oportunidades de trabalho menos remuneradas. Isso, infelizmente, é quase um padrão, frente aos dados sobre trabalho no país. Financeiramente falando, estudos mostram que às mulheres e às pessoas negras são pagos os menores salários.
Daiane Marques, atualmente com 36 anos, começou a trabalhar cedo, buscar a independência e, como a maioria das mulheres afrodescendentes, fez isso com trabalhos geralmente ofertados para quem tem pouco estudo.
Com 15 anos, ela passou a atuar como babá e, depois, como empregada doméstica. A seguir, tentou se inserir no comércio local. “Fiz algumas tentativas para ingressar no comércio, mas, como não tive êxito, segui minha batalha com o que era proporcionado, sempre muito grata pelo meu salário ao final do mês”, relembra Daiane, acrescentando que lhe passou despercebido que as recusas que ganhava pudessem atribuídas à cor da sua pele.
A virada veio com uma surpresa: em outubro de 2006, buscou o Sindicato dos Servidores Municipais para tratar de uma faxina com a então secretária, que a ofertou uma vaga. Passaram-se 11 anos e a atividade lhe proporcionou o acesso ao ensino superior. Hoje, ela é uma das alunas do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, orgulhosa por ter passado para terceiro semestre. “Aqui, no Sindicato, senti o racismo na pele ao ouvir, de algumas pessoas, que nunca viram uma secretária negra”, relembra.
Mas ela espera que isso tenha ficado no passado. Em 2018, será a hora de alçar um voo ainda maior. Assim que acabar o recesso da Câmara de Vereadores, a futura advogada assumirá o cargo de assessora parlamentar do vereador Marcial Guastucci, o Macega, (PMDB). Ele faz questão de frisar que o convite é pela competência, mas, ao mesmo tempo, se dá por conta que é algo inédito no legislativo. “Não foi pelo fato de ser negra que a convidei, e sim por ser competente, inteligente e de confiança, mas concordo que os vereadores e bancadas dos partidos que compõem a Câmara têm direito a ter assessores há mais de 20 anos e, que se tenha notícia, nunca foi contratado um negro ou negra para ocupar o cargo”, comenta o vereador.
Aguardando a tão esperada hora chegar, Daiane tem a receita para obter sucesso na também na nova atividade. “Com dedicação, comprometimento e vontade de trabalhar vou quebrar esse tabu, mostrando às pessoas que o que define o carácter e a competência não é a cor da pele, e sim a vontade de crescer e trabalhar honestamente”, finaliza.
Redator: Tradição Regional
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