S�bado, 13 de junho de 2026, 16:12h
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O novo aumento do gás de cozinha para uso residencial em botijão de até 13 quilos, em 8,9%, sendo o terceiro reajuste em 40 dias, reavivou um desejo que o empresário Kérlon Farias, de 38 anos, sócio-proprietário de três postos de gasolina, dois deles em Piratini e que também revendem o produto, tem em mente há algum tempo.
“Se eu pudesse, vendia tudo e ia embora do Brasil. Nem seria para muito longe: no Uruguai, onde os impostos são menores”, desabafou Farias, cansado da carga tributária imposta pelo governo, que gira em torno de mais de 50% para produtos liquefeitos do petróleo.
Ele admite que para fazer concorrência com outras empresas, não repassou os dois aumentos anteriores, mas dessa vez, a margem foi muito ampla e o impediu de não elevar o preço que agora, no município, custa em média R$ 60 o botijão, sem a entrega.
Uma das empresas da família tem 45 anos e é herança do pai Gilbrail, e destes, revende gás de cozinha há 38 anos. Farias está administrando junto com a irmã Karina, há 20 anos o patrimônio herdado e conta que hoje, o produto que alimenta os fogões do gênero dá mais lucro que no passado e, tanto na gestão do pai como na sua e na da irmã, esses aumentos seguidos não eram normais.
“Na verdade, antigamente era muito diferente trabalhar com gás, porque os governos taxavam limites de valores. Ganhávamos pouco e existiam poucas revendas do produto. Hoje o gás dá mais lucro do que no passado, mesmo com todos esses aumentos”, revela.
Mas ao faturar mais, ele também se coloca no lugar do consumidor, que é quem sofre e, ao ver pelo lado da maioria que é assalariada ou até está desempregada, Farias opina sobre o peso que elevações de produtos essenciais têm no orçamento familiar. Ele disse que nunca fez essa conta, mas numa família padrão no Brasil, que é de quatro pessoas e que deve consumir, em média, quase dois botijões por mês, em sua visão, isso gera um impacto que pode chegar a 30% da renda líquida do trabalhador.
Indignado com a classe política e usou apenas uma palavra sobre o futuro de um país mergulhado na corrupção: “Incerto”. Ampliando, falou que com tantos escândalos, o povo brasileiro já não sabe o que fazer e para onde ir, pois se sente com pouco poder, torcendo que o amanhã seja um dia melhor. Aí vem o dia seguinte e fica cada vez pior. Decepcionado, revela: “Eu, particularmente, fui uma pessoa que nunca admiti anular ou votar em branco, já que até então tinha em mente que o cidadão tem que ser representado por alguém, mas confesso que o meu voto não vai ser dado para nenhum candidato na próxima eleição e entendo que essa tem que ser a mentalidade do povo para protestar”, encerra.
Redator: Tradição Regional
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