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22-12-2017

Especial: Em Piratini, mulheres artesãs produzem decorações de Natal e garantem a renda familiar


Foto: Nael Rosa/JTR A Associação Piratiniense de Artesãs conta com 34 profissionais

Um espaço singelo, totalizando três cômodos cedidos pela Prefeitura, no Centro de Piratini, cercado por todos os lados de prateleiras com símbolos da festa natalina, que é adotada em quase todo planeta, importada da Europa e que começou a ser celebrada através de Martin Lutero, na Alemanha, em 1530. As tradicionais guirlandas - que enfeitam o primeiro acesso dos lares, a porta - misturam seus brilhos no balcão de exposição na entrada de uma fábrica de enfeites natalinos com os bonecos de neve, costume que integra a cultura de famílias de outros continentes.


Mais alguns poucos passos e logo ali estão as botas que servem de adereço no período natalino às lareiras e são imprescindíveis na decoração, assim como a rena que puxa o trenó do personagem principal responsável por distribuir, principalmente, sonhos e pedidos infantis: o Papai Noel. Por fim, a árvore de Natal, com itens fabricados por mãos hábeis e com ingredientes que as tornam diferenciados.



Nesta fábrica de decoração natalina descrita - e que, exceto neste período do ano, sobrevive pela confecção de peças artesanais em couro, MDF e porongos para embelezar ambientes - se revezam 34 mulheres, entre 23 anos, caso de Joseane Moura, e 76 anos, idade de Nara Régio.


A Associação Piratiniense de Artesãs, criada em 2005 e presidida por Elga Westerman, pode ser considerada um misto de terapia ocupacional, um lugar para deixar aflorar a criatividade, e de possibilidade de agregar renda ao orçamento familiar das participantes, sendo para algumas delas até mesmo a única fonte de renda. 


No dia de produção da reportagem, foi possível notar que as associadas produzem as peças com ingredientes únicos e que não podem faltar na noite especial. “É maravilhoso estar envolvida, fabricar os artigos, pois adicionamos, ao por as mãos nos enfeites, entre outras coisas, a paz que as pessoas tanto precisam”, resume Joseane Freitas.


O ambiente é tão saudável que Felisbina Teles, de 43 anos, parou de fabricar e vender fraldas descartáveis, ofício de 10 anos, e optou por se somar às demais. Atualmente, com o marido desempregado, toda a renda da família é oriunda das peças, confeccionadas com muito amor. “Também concordo que aqui é uma terapia. Não nos cansamos nunca porque sempre tem algo novo para fazer, e estar envolvida com este sentimento natalino é um prazer”, sintetiza.


Marli Westerman, de 60 anos, tesoureira da Associação, lembra que começou a fazer arte com as mãos aos oito anos, através dos ensinamentos da mãe, e comenta sobre a sua satisfação ao ajudar a criar os símbolos comercializados pelo mundo afora, também chamando atenção para o verdadeiro significado da comemoração, que, segundo ela, está se perdendo. “Infelizmente, a data se tornou comercial. O [ato de] dar presentes vem substituindo o verdadeiro significado do Natal, deixando a religiosidade em segundo plano. Nos dedicamos e temos um imenso prazer em fazer aquilo que vai enfeitar um lar no nascimento de Jesus Cristo”, conclui.


Redator: Tradição Regional



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