S�bado, 13 de junho de 2026, 10:17h
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Um espaço singelo, totalizando três cômodos cedidos pela Prefeitura, no Centro de Piratini, cercado por todos os lados de prateleiras com símbolos da festa natalina, que é adotada em quase todo planeta, importada da Europa e que começou a ser celebrada através de Martin Lutero, na Alemanha, em 1530. As tradicionais guirlandas - que enfeitam o primeiro acesso dos lares, a porta - misturam seus brilhos no balcão de exposição na entrada de uma fábrica de enfeites natalinos com os bonecos de neve, costume que integra a cultura de famílias de outros continentes.
Mais alguns poucos passos e logo ali estão as botas que servem de adereço no período natalino às lareiras e são imprescindíveis na decoração, assim como a rena que puxa o trenó do personagem principal responsável por distribuir, principalmente, sonhos e pedidos infantis: o Papai Noel. Por fim, a árvore de Natal, com itens fabricados por mãos hábeis e com ingredientes que as tornam diferenciados.
Nesta fábrica de decoração natalina descrita - e que, exceto neste período do ano, sobrevive pela confecção de peças artesanais em couro, MDF e porongos para embelezar ambientes - se revezam 34 mulheres, entre 23 anos, caso de Joseane Moura, e 76 anos, idade de Nara Régio.
A Associação Piratiniense de Artesãs, criada em 2005 e presidida por Elga Westerman, pode ser considerada um misto de terapia ocupacional, um lugar para deixar aflorar a criatividade, e de possibilidade de agregar renda ao orçamento familiar das participantes, sendo para algumas delas até mesmo a única fonte de renda.
No dia de produção da reportagem, foi possível notar que as associadas produzem as peças com ingredientes únicos e que não podem faltar na noite especial. “É maravilhoso estar envolvida, fabricar os artigos, pois adicionamos, ao por as mãos nos enfeites, entre outras coisas, a paz que as pessoas tanto precisam”, resume Joseane Freitas.
O ambiente é tão saudável que Felisbina Teles, de 43 anos, parou de fabricar e vender fraldas descartáveis, ofício de 10 anos, e optou por se somar às demais. Atualmente, com o marido desempregado, toda a renda da família é oriunda das peças, confeccionadas com muito amor. “Também concordo que aqui é uma terapia. Não nos cansamos nunca porque sempre tem algo novo para fazer, e estar envolvida com este sentimento natalino é um prazer”, sintetiza.
Marli Westerman, de 60 anos, tesoureira da Associação, lembra que começou a fazer arte com as mãos aos oito anos, através dos ensinamentos da mãe, e comenta sobre a sua satisfação ao ajudar a criar os símbolos comercializados pelo mundo afora, também chamando atenção para o verdadeiro significado da comemoração, que, segundo ela, está se perdendo. “Infelizmente, a data se tornou comercial. O [ato de] dar presentes vem substituindo o verdadeiro significado do Natal, deixando a religiosidade em segundo plano. Nos dedicamos e temos um imenso prazer em fazer aquilo que vai enfeitar um lar no nascimento de Jesus Cristo”, conclui.
Redator: Tradição Regional
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