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A solidariedade pode ter diferentes nomes, rostos e motivações. Por consciência coletiva, acaba sendo muito mais aflorada em determinadas épocas. Motivada pelo grande apreço ao Natal, a jornalista pelotense Mônica Rodrigues Jorge criou a Operação Natal Pelotas. A campanha se fortaleceu através de ações simples e isoladas, incentivadas pela vontade de fazer o bem e contemplar crianças com presentes que tornassem o Natal mais “real”.
O ano de 2010 marcou o início da Operação Natal no formato que é realizado até hoje. A preocupação era evitar uma ação impessoal. “Acho até estranho parar um carro, cheio de brinquedos, vir a criançada toda e parecer tão superficial. A representatividade de chegar o Papai Noel, com um presente que tem o teu nome, tem todo outro valor”, avalia.
O critério é sempre mudar o local que irá receber a Operação, beneficiando aqueles que estão em situação de vulnerabilidade social. “Queremos chegar a comunidades em que as pessoas vivem isoladas mesmo. A ideia é tornar o Natal significativo para essas crianças”.
Em 2010, os assistidos foram moradores de uma vila localizada próxima ao clube Veleiros Saldanha da Gama. Em 2011, foram mais de 600 quilos de alimentos, 100 brinquedos e um kit higiene entregues para cada família que mora em uma vila à caminho da ponte para a cidade de Rio Grande. Em 2012, ano em que foi implementado o sistema de cartinhas de pedidos, ocorreu a maior ação até então: 77 famílias - mais de 130 crianças - do Quilombo do Algodão, área rural de Pelotas, foram beneficiadas.
Em parceria com escolas e creches das localidades, inclusive com líderes comunitários, é feito o levantamento sobre as crianças para que façam as cartas. “Algumas pedem, por exemplo, uma mochila de rodinhas, algo que é tão banal pra gente, mas quando o Papai Noel chega com ela é algo muito legal de ver”, afirma.
O professor Igor Lacerda é quem assume a logística da Operação. Ele, que participa desde 2012, conta como funciona a organização: “Escolho o local onde faremos, depois da concordância da Mônica. Minha segunda tarefa é alinhavar os detalhes com os responsáveis pelo local, depois conversar com as crianças. Me apresento como ajudante do Papai Noel e peço que escrevam as cartinhas. No dia da entrega, sempre levo os presentes e ajudo na organização”. Para ele, é difícil explicar a sensação de participar dessa equipe solidária. “Acredito muito no sentimento de coletividade, na partilha de emoções. É sempre um dia de muita alegria para quem é contemplado e isso me contagia e motiva muito para fazer todos os anos”, define Lacerda.
Em 2017, a Operação foi feita através da Escola Municipal Lobo da Costa, de educação infantil, que atende crianças de 0 a 6 anos dos bairros Pestano e Getúlio Vargas. Entre os desejos, bolas e bonecas são os itens mais solicitados. Mônica comenta que em toda a campanha sempre surgem pedidos especiais. Neste ano, Luiz Henrique, de seis anos, pediu uma cadeira de rodas. A missão foi cumprida em tempo recorde. “Eu mal comecei a divulgar e em dois dias eu estava com a cadeira”.
As cartas, que são publicadas em um blog (operacaonatalpelotas.blogspot.com.br), foram aderidas rapidamente e a entrega dos presentes no ponto de coleta ocorreu até a segunda-feira (18).
Mônica destaca a simbologia que não chega a todas as casas. "O meu Natal é a Operação Natal. Eu sempre gostei muito da data. Não tenho uma religião específica, mas sempre achei mágico esse momento da fantasia, da chegada do Papai Noel, de ganhar um brinquedo. E ver aquilo que, para mim, era tão comum, não fazer parte da rotina de muitas crianças me incomodou muito. Quando vi que podia, de alguma forma, mudar um pouco a situação, pelo menos para algumas crianças, isso, pra mim, é o Natal.”, finaliza.
Redator: Tradição Regional
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