S�bado, 13 de junho de 2026, 06:49h
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Apenas sete dias, para que, de alguma forma, a comunidade que acabara de doar mais de R$ 11 mil para a bebê Maria Flor, que sofre da síndrome de SMARD, fosse sensibilizada. O tempo era inimigo para Ana Paula Dávila, de 30 anos, e Rubilar Dias, de 38, juntos há 13 anos e que em três meses, teriam o Arthur.
Mas, em uma ultrassonografia, veio o diagnóstico que tirou a alegria do casal. O exame revelou que o feto era portador de Hérnia Diafragmática Congênita (HDC), ou seja, uma hérnia que comprimia os pulmões impedindo o desenvolvimento dos mesmos.
O médico pediu para que a família fosse para São Paulo, pois lá havia 75% de chances do filho nascer vivo, já que no Hospital de Clínicas da capitalera possível uma cirurgia intrauterina, onde pela traqueia de Ana seria inserido um balão que ficaria entre os pulmões de Arthur e permitiria a retomada do crescimento do órgão. O balão seria retirado com 32 semanas e após nascer, tudo isso em São Paulo, Arthur realizaria uma cirurgia, com estimativa de até um ano na UTI.
O problema é que o procedimento delicado só poderia ser feito até 28 semanas de gestação e a mãe já estava com 26. Assim, a madrinha de bebê, Patrícia Peres, que é paulista e mora em Piratini há dois anos, decidiu acompanhar a futura comadre na viagem planejada para o dia 2 de janeiro.
Começou então a busca por recursos. O programa Bom Dia Nativa, que fechou a soma em prol de Maria Flor em R$ 11.600, se somou à rede do bem e, em quatro dias sensibilizou a população arrecadando R$ 9.743,00. Outras campanhas paralelas e doações direto à família quase dobraram este valor.
Mas no último sábado (30), ao receber o dinheiro arrecadado, Ana se queixou de dores nas costas e cólicas. Ela não sabia, mas estava entrando em trabalho de parto.
No dia seguinte, as dores aumentaram. Ela foi levada ao hospital local, onde ocorreu o rompimento da bolsa. Às pressas, foi levada para Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas – FAU. Imediatamente, foi decidido realizar o parto pela cesariana, porque a mãe corria risco de vida. Arthur nasceu vivo, mas teve três paradas cardiorrespiratórias, foi reanimado, mas veio uma quarta e ele não resistiu.
No velório, sem a presença da mãe, um frase resumiu a comoção: "Foi a cena mais triste que eu já vi na minha vida”, emitida por Vagner Guastucci, amigo do pai.
Ele se referiu ao gesto de Rubilar, por conta da carga emocional, de acompanhar da Capela Mortuária até o túmulo, onde o filho foi sepultado no Cemitério Municipal.
Rubilar agradeceu a todos que ajudaram na campanha. E ainda, disse que doará o dinheiro que sobrou para uma entidade ou para Maria Flor. "Esse dinheiro não é nosso. Vamos reunir todos que nos ajudaram e decidir a melhor forma de destinação", encerrou.
Redator: Tradição Regional
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