S�bado, 13 de junho de 2026, 03:06h
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Ana sofreu um parto prematuro. Arthur teve quatro paradas cardiorrespiratórias e faleceu
Dias após viver a tristeza de perder o primeiro filho, Ana Paula D'ávila, de 30 anos, chamou a imprensa para falar sobre a tragédia e agradecer a solidariedade da comunidade local.
Em um clima de muita comoção, ocorreu a entrevista, e junto com o choro, ela e o marido Rubilar Dias, de 38 anos, contabilizavam os valores descritos nos envelopes de depósito, onde estava o dinheiro arrecadado pelo Programa Bom Dia Nativa, que nem chegara a ir para a conta bancária, dado ao parto prematuro - seis meses - e a consequente morte do bebê.
Entregaram o montante ao comunicador da Nativa FM, Nael Rosa, e deram a ele a missão de decidir o destino da quantia de R$ 10 mil.
Ao falar do filho, entre lágrimas, Ana, que segue a doutrina espirita, disse entender que Arthur veio por algum motivo, e se foi para ajudar outras vidas, ele é um anjo abençoado, que neste momento, está junto do pai e do irmão dela, outras duas perdas prematuras que ela sofreu.
"Meu filho me ensinou um amor que nunca senti, e mesmo que futuramente eu venha a ser mãe, ele jamais será esquecido. Tivemos uma ajuda que eu nem imaginava. Ele mobilizou uma cidade inteira em quatro dias, então, acredito que veio para nos ensinar o amor, a solidariedade e a união", tentou resumir a mãe, dilacerada pela dor.
Ela acrescentou que embora com a perda, foi extremamente feliz durante a curta gestação, e que é grata, mesmo que a passagem de Arthur tenha sido tão rápida.
Para as mães que tem filhos com Hérnia Diafragmática Congênita (HDC), que acomete um feto a cada 2.500 gestações ou outras doenças, Ana Paula pediu a todas que nunca desistam. "Lutem até o fim, como fizemos. O dinheiro não soluciona. A prova disso é que o conseguimos e não adiantou, porque era a vontade de Deus, mas lutem", pediu.
Enquanto a esposa, com quem é casada há 14 anos - a maioria dos anos de muitas dificuldades financeiras - Rubilar segurava na mão dela, como quem estava pedindo forças para abordar o assunto. Soluçando, com um choro contínuo e emocionante, disse: "Me desculpem, mas meu sentimento é de fracasso. Fui pai por pouco tempo e tive, pela lei da vida, que carregar meu filho até o túmulo. Ele foi planejado, amado e agora o que ficou foi uma dor inexplicável de uma ferida que vai sangrar enquanto eu estiver vivo", falou Rubilar, que num esforço sobre-humano respirou fundo e ampliou:"Pai, por um filho, passa fome, passa frio, dá a vida, como está fazendo o Murrão, pai de Maria Flor. Pai é uma palavra que eu nunca vou ouvir, não vou poder proteger e sentir a alegria de ser chamado assim diariamente. Nossa lembrança será sempre de ter estado poucas horas com um ser tão desejado".
Quanto ao ato de devolver o dinheiro, disse que ele e a mulher são seres humanos que acompanham a luta das outras mães e suas crianças, e que quando ele era garoto, foi o que toda criança deveria ser: ensinado a ser solidário e amar ao próximo, nesse mundo onde, algumas vezes, o que faz a “diferença” é quem tem ou não tem dinheiro.
"Temos que ajudar unir as pessoas através do amor, da fraternidade, do carinho e da solidariedade. Assim, entendo que não estamos fazendo mais do que nossa obrigação ao devolver o dinheiro para que outros sejam ajudados", enfatiza Rubilar.
A soma de R$ 10 mil foi dividida entre a família de Maria Flor, que continua lutando pela vida no Hospital São Francisco, em Pelotas, e a da pelotense Marciana Balhego, de 41 anos, que está com 24 semanas de gestação de Helena e o feto tem a mesma doença que a de Arthur -HDC-, agravada com encurtamento dos membros superiores e por lábio leporino.
Marciana também precisa ir à São Paulo o mais rápido possível, para que a bebê passe pela cirurgia, e sua campanha em Pelotas só arrecadou R$ 1.100,00, sendo pouco diante do gasto que virá a seguir e da possibilidade de ficar até um ano na capital paulista, com o bebê na UTI.
Redator: Tradição Regional
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