S�bado, 13 de junho de 2026, 00:18h
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Foram décadas de lutas que uniram bandeiras partidárias, poderes executivos de legislaturas diferentes, empresários e um setor que teve papel preponderante na mudança da situação: a imprensa. Os veículos registraram e tornaram o problema da ponte do costa, em Piratini, público para o Estado a cada ano. Protestos não só na travessia, mas também no entroncamento na BR-293 com a ERS-702. Comitivas ao Palácio Piratini que pressionavam parlamentares da região e secretários. Bloqueios quando as crateras surgiam na base da ponte e, infelizmente, dezenas de acidentes, alguns deles com desfechos fatais.
Assim pode ser resumida a verdadeira saga enfrentada por alguns piratinienses para que, hoje, haja um cenário diferente ao lado e à beira da estrutura da arcaica estrutura de ferro. Na última sexta-feira (12), a reportagem registrou, simultaneamente, duas situações que representam um “quase passado” e um promissor futuro: três funcionários do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens (DAER) perfuraram o asfalto deteriorado para, em seguida, tapar mais um buraco de significativas medidas. Já ao olhar para o lado esquerdo, não encontrava mais a vasta vegetação que cresceu dentro do raso rio. No local, uma máquina prepara a base para receber os pilares de sustentação da ponte. Mais à frente, containers e homens trabalhando nas peças menores em ferro e também em concreto que serão usadas em breve.
O engenheiro civil Jorge Antônio de Oliveira Oleques Júnior é responsável por fiscalizar a obra e por revelar, por exemplo, que foi encontrada a poucos metros do solo uma rocha que impediu a continuidade de parte do planejamento. “Essa rocha está sendo analisada por nós, mas os primeiros resultados são positivos. Quando terminarmos os testes estes dirão se é possível pousar os pilares sobre ela, ou seja, se a rocha suportará o peso ou se teremos que detoná-la”, explicou.
O encarregado de pessoal no canteiro de obras, Ivanir Fronteira, informou algo que frustrará os desempregados de Piratini, esperançosos de que, com o avanço da obra, dezenas conseguissem fazer parte do processo de construção. “Hoje, são dez funcionários trabalhando, mas o setor administrativo e a empresa pretendem tocar toda a ponte com, no máximo, 16 profissionais”, revelou. O motivo da redução é a evolução da engenharia. As vigas e pré-lages a serem usadas, no passado construídas no local da obra, estão sendo fabricadas no pátio da empresa, com sede em Erechim. Depois de prontas, percorrerão 540 quilômetros de asfalto até onde serão instaladas.
Segundo o engenheiro, o contrato com a Traçado é de um ano e meio, mas a empresa está otimista que entregará a ponte - que começou a ser construída em novembro de 2017 -, em, no mínimo, 12 meses, e, no máximo, 18.
A nova ponte terá 8,5 metros de largura, dividida entre duas pistas de rolamento, com pista dupla e 156 metros de comprimento.
Alívio
Para o JTR, o empresário Willian Westermann, um dos que lutou junto aos órgãos competentes para a realização da obra, diz se sentir aliviado ao saber e perceber que a situação terá um final. Sócio-proprietário e também administrador de uma empresa de armazenamento de grãos - como soja, milho, cevada, sementes, adubos e rações diversas - produzidos em Piratini e também de outras cidades, o que totaliza, anualmente, entre 70 e 80 mil toneladas, carga que passa pela ponte do costa. Ele celebra, entre outros fatores, a tonelagem, que, atualmente, é de 24 e subirá para 45.
“A questão do peso nos atrapalha muito. Se fôssemos levar à risca o que é determinado, teríamos que usar caminhões menores, o que elevaria muito o custo do frete, e com o fluxo de caminhões que temos é inviável. Eu já estou contente porque nossos veículos pesados não terão mais a prerrogativa de não poder passar na travessia com nossas cargas”, disse Westermann, que ampliou: “Atualmente, temos encontrado problemas com alguns transportadores que, para não sofrerem prejuízos e transtornos, não mandam mais suas cargas para a empresa. Mesmo que não tenhamos mais aumento da capacidade da rodovia, só o fato de não termos mais os transtornos com a ponte vai nos auxiliar muito”.
*Informações foram atualizadas na quarta-feira (17), às 11h54
Redator: Tradição Regional
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