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Em março de 2005, iniciava em Canguçu um trabalho de atendimento de animais de rua vítimas de maus tratos, acidentes e doenças. À frente da iniciativa, estava a mulher que, agora, 13 anos depois continua de pé carregando a bandeira da proteção animal. A técnica veterinária e fundadora da ONG Morena Flor, Sandra Moreira, cuida de mais de uma centena de animais em um sítio localizado na zona rural, próximo da cidade.
Em 2013, um casal de empresários, que prefere manter-se no anonimato, fez a doação de um sítio para a ONG Morena Flor se instalar. O novo local possui uma casa com nove peças, garagem, galpão e instalações para animais de grande porte. Em entrevista, a fundadora e mantenedora da ONG falou sobre as novas instalações:
Instalações e a mudança na metade do ano
Sandra Moreira: Atualmente, estamos instalados no Corredor dos Marques, no 1º Distrito, em um sítio com área de 0,5 hectare, que fica distante 7 quilômetros da cidade. A nova propriedade fica na Estrada das Tropas, no 1º Distrito, no bairro Fonseca, possui 1 hectare e é bem próxima ao Morro do Radar. O terreno já está no nome da ONG há quase um ano. Já foi aberta uma estrada para a entrada do sítio e feito um bueiro. Ainda tem que nivelar o terreno, solicitar a ligação de energia elétrica e fazer um poço para a coleta de água. A gente pretende fazer a mudança pra lá até a metade do ano. Não começamos a mudança ainda porque não temos recurso para a mão de obra. Pensamos em fazer um mutirão da comunidade para cercar o local. Vamos utilizar todo o material que já usamos na nossa instalação atual.
Apoio, doações e improviso
S.M.: Já ganhamos duas carcaças de ônibus da Prefeitura que vamos reaproveitar como depósitos ou UTI’s para os bichinhos. Ganhamos, também, de uma protetora de animais de Pelotas e de uma senhora que cuida animais de rua, 25 metros de tela para o gatil, que será maior que o atual e oferecerá mais espaço aos bichanos. Temos uma amiga arquiteta que fará um projeto para o sítio. Aqui, onde estamos atualmente, é tudo improvisado. Com o novo local, queremos deixar os animais mais à vontade e poder tocar o nosso trabalho, voltando com as castrações e buscando uma nova parceria com a Prefeitura. O prefeito Vinicius Pegoraro tem sido aberto à negociação e nos ajudado muito no que precisamos, do fornecimento de água à abertura de estrada. Isso nos deixa animados para continuar nosso trabalho.
A nova estrutura
S.M.: A nova estrutura terá uma sala de cirurgia, alguns canis para os animais que precisam ficar separados, alas especiais para os bichinhos idosos e epilépticos. Serão ambientes separados e preparados. A ala para paraplégicos, por exemplo, precisa ter um piso especial. Hoje, a gente os mantém em ambiente improvisado. Além disso, teremos um gatil, uma ala separada para o socorro de grandes e médios animais em situação de emergência, ambulatório, lavanderia, cozinha e banheiro para os funcionários. Os gastos irão diminuir, desde o transporte até o material de limpeza, somente pela mudança na organização. Ficaremos mais próximos da comunidade, dos meios de comunicação. Teremos um acesso mais rápido aos médicos veterinários.
A Morena Flor em números
S.M.: Hoje, atendemos em média 120 animais deixados pelo convênio que a Prefeitura fez. O agravante é que não temos um reajuste há três anos e o valor do acordo já é insuficiente para eles. Entre 60 a 70 animais entram e saem da ONG todos os meses. Muitos entram e não são adotados pelas pessoas. O motivo? Por serem amputados, epilépticos ou terem problemas coronários. Dificilmente as pessoas adotam um bichinho com deficiência. Todos os animais que entram na ONG são castrados. Não recolhemos ninhadas, nem fêmeas prenhes porque entendemos que a comunidade tem que ser responsável. Se o seu vizinho abandonou uma ninhada, você tem que denunciar. Resgatamos os animais a pedido da comunidade. Não temos transporte e contamos sempre com a ajuda do próximo. Não queremos aumentar esse número, mas diminuí-lo. Para isso, é preciso que a comunidade tenha consciência de que é necessário castrar os bichinhos, evitar as ninhadas. Não se deve abandoná-los jamais. Confinar animais sadios nos dias atuais é inadmissível. Os canis estão sendo extintos porque sabemos que funcionam muito bem quando a administração é a favor dos animais. Quando é contra, se transformam em um corredor da morte e de sofrimento.
O lado mais difícil
S.M.: Atendemos de 8 a 10 animais por semana nas mais diversas situações de maldade: baleados, atropelados, esfaqueados, queimados, escaldados, com sarna grave e até mesmo animais abusados sexualmente. Os animais estão na rua porque são abandonados pelas pessoas. Nós não temos mais recursos financeiros para aumentar este número, então, os bichinhos acabam prejudicados. A comunidade canguçuense é maravilhosa. O que nos entristece nos dias atuais são os maus tratos, o abandono. Queremos retornar o nosso trabalho de conscientização, nas vilas e no Centro da cidade. A solução são as castrações. A ONG busca por elas desde 2005. O processo de aprovação da Lei de Castrações em Canguçu é de autoria da ONG Morena Flor.
Como ajudar
S.M.: Para quem deseja ajudar a ONG, pode doar rações, material de limpeza, jornal, papelão, sobra de medicamentos de uso veterinário, fraldas, material de construção, como tela soldada porque não usamos tela comum, é dinheiro jogado fora, os bichinhos rompem a tela facilmente. Também madeira, telha, tijolos, janelas e portas em boas condições. Tudo será bem-vindo.
Apadrinhamento virtual
Você pode ajudar a Morena Flor tornando-se padrinho virtual de um animal que já esteja sob os cuidados da ONG. De acordo com Sandra, para adotar um amigo de quatro patas que usa fraldas ou medicação diária, o custo é de R$ 60 por mês. Já para adotar um bichinho que, eventualmente, precisa de um tratamento, o valor é de R$ 30 mensais. “O colaborador pode escolher um dos animais para adoção virtual e, quando quiser, pode visitar o sítio e levá-lo para passear”, explica.
A contribuição pode ser feita mensalmente por pontos de coletas nos comércios da cidade, como Vital Pet ou pela conta bancária: Caixa Econômica Federal - agência 0462 - conta poupança número 87992-9 - operação 013 - titular: Sandra Maria Pires Moreira.
Interessados podem entrar em contato com a fundadora pelo telefone (53) 98413-1095 ou ainda pelo facebook.com/sandra.moreira.391.
Redator: Tradição Regional
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