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24-01-2018

Advogados competentes já provaram minha inocência, diz Lula em manifestação em Porto Alegre


Foto: Roberto Vinícius/Estadão Conteúdo Lula e Dilma participam de manifestação na Esquina Democrática, em Porto Alegre

Diante de milhares de manifestantes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou no Centro de Porto Alegre na noite desta terça-feira (23), um dia antes do julgamento do recurso de sua defesa no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), também na capital gaúcha. O presidente afirmou que já teve a inocência no processo do triplex em Guarujá provada pelos advogados.


"Não vou falar do meu processo, não vou falar da Justiça, primeiro porque eu tenho advogados competentes que já provaram minha inocência, segundo porque acredito que aqueles que vão votar deverão se ater aos autos do processo, e não convicções políticas de cada um. E terceiro, porque estou na luta há 40 anos e vocês sabem da minha essência", discursou.



Lula falou em um palanque montado na Esquina Democrática, cruzamento entre a Avenida Borges de Medeiros e a Rua dos Andradas, conhecido na cidade como ponto de manifestações. Segundo os organizadores do ato, havia cerca de 70 mil pessoas assistindo – a Brigada Militar não informou estimativa.


Várias personalidades políticas participaram, como a ex-presidente Dilma Rousseff, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann; os ex-governadores gaúchos Tarso Genro e Olívio Dutra, a pré-candidata à presidência pelo PC do B, Manuela D'Ávila, e o presidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.


O presidente também teceu críticas à imprensa, e ressaltou ser inocente. "Duvido que neste país tenha um magistrado mais honesto do que eu. Por isso tenho a tranquilidade dos inocentes", afirmou.


Antes do discurso de Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff também falou no palanque. Ela afirmou que o PT seria "covarde" se apontasse um plano B para a candidatura do ex-presidente neste ano. "Nós precisamos do presidente Lula, para nos encontrarmos com nós mesmos, para que esse país que esta sendo estraçalhado por políticas extremamente conservadoras tenha um caminho de esperança."


Também foi realizado um ato contrário ao ex-presidente no Parque Moinhos de Vento, na Zona Norte da capital gaúcha. Conforme os organizadores, cerca de 500 pessoas participaram. A Brigada Militar não informou estimativa de público. Os manifestantes exibem bandeiras do Brasil e cartazes de apoio ao juiz Sergio Moro. Velas foram posicionadas no chão formando a sigla TRF-4.


Dia de atos na capital gaúcha


Lula desembarcou em Porto Alegre por volta das 17h, segundo informou a assessoria do PT no estado. Mas desde a manhã de terça eram registrados protestos em Porto Alegre.


Pela manhã, foi realizada uma caminhada pela Região Central da cidade. No início da tarde, em frente à Assembleia Legislativa, na Praça da Matriz, compareceram políticos como a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, a pré-candidata à Presidência da República pelo PC do B, Manuela d'Ávila, a deputada federal Maria do Rosário e a ex-presidente Dilma Rousseff, entre outros.


Após o ato, teve início uma nova caminhada, que causou bloqueio de ruas e avenidas na cidade, e culminou na espera do ex-presidente na Esquina Democrática. Além das manifestações, vários ônibus chegavam ao longo do dia ao acampamento montado no Anfiteatro Pôr do Sol, também na região Central de Porto Alegre, às margens do Guaíba.


Julgamento de Lula


O julgamento do recurso apresentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do triplex em Guarujá iniciou às 8h30 de hoje (24), na sede do TRF-4, em Porto Alegre.


A apelação será analisada pelos desembargadores João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no TRF-4, Leandro Paulsen, que é o revisor, e Victor Luiz dos Santos Laus. Eles integram a 8ª Turma do Tribunal Regional da 4ª Região.


Apenas este processo, que possui outros seis réus, está na pauta do dia 24. 


Em julho, Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo envolvendo o triplex.


De acordo com a denúncia, a OAS pagou R$ 3,7 milhões em propina a Lula por meio da entrega e reforma do imóvel, além do armazenamento do acervo presidencial. Lula foi absolvido da acusação sobre o armazenamento. O ex-presidente nega ser dono do imóvel.


Outros dois réus no mesmo processo também foram condenados, e quatro, absolvidos.


A data do julgamento da apelação foi marcada em 12 de dezembro. Em nota, a defesa de Lula criticou a "tramitação recorde" do processo.


De acordo com a assessoria do TRF4, a marcação do julgamento ocorreu pela necessidade de prazo hábil mínimo para intimação das partes e por conta do recesso do tribunal, que será de 20 de dezembro a 6 de janeiro.


No dia 15 de dezembro, o TRF4 publicou um despacho do presidente da corte Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz com informações sobre os processos julgados neste ano, até o dia 13. Segundo o documento, mais de 49% dos casos foram concluídos em menos de 150 dias – no caso do ex-presidente, a demora será de 127 dias.


 


Fonte: G1



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