Sexta, 12 de junho de 2026, 18:16h
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Lauri Centeno, Rosi Puccinelli, Mario Cardozo e Gabriel da Silva analisam a plantação de melancia
A Expofesta Regional da Melancia ocorre em fevereiro, mas desde o final de outubro os produtores da região se dedicam a produzir uma fruta de qualidade. Apesar de o clima não ter sido favorável, a expectativa é boa.
A festa municipal tem foco na melancia, mas a principal produção no município ainda é a do leite. Como esta vem apresentando dificuldades aos produtores, a solução foi diversificar, no caso, com a melancia, mesmo a fruta não tendo nesta safra seus melhores momentos. A falta de chuva no início da plantação prejudicou o crescimento e a ideia de abastecer a festa apenas com frutas produzidas na agricultura familiar não funcionou. Por isso, os grandes produtores do município farão parte do evento junto aos pequenos produtores.
A diversificação vem sendo incentivada fortemente tanto pela Emater/RS - Ascar, quanto pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. É uma forma de não depender de uma única fonte de renda, que pode ser prejudicada dependendo de fatores climáticos, assim como uma forma de aproveitar melhor o potencial das terras.
Além disso, a diversificação atende uma demanda municipal, já que são poucos os agricultores familiares locais que fornecem hortifrutigranjeiros. Conforme explica o diretor da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, Lauri Centeno, o grande produtor costuma vender para fora do Estado, enquanto a agricultura familiar tem como mercado em potencial a própria cidade.
Mario Luís Cardozo e Josiane Lima Cardozo sobrevivem da agricultura familiar, com a ajuda no trabalho de suas duas filhas, e já trabalham de forma diversificada. Neste ano, começaram a plantar melancia por incentivo da Emater e da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, e esperam colher entre 12 e 15 mil quilos da fruta por hectare. Mario conta que também já tem plantações de melão, abóbora, batata-doce e tomate, além da pastagem para leitaria.
Os passos seguintes para a propriedade da família já estão traçados. Após o fim da colheita de melancia, a ideia é utilizar o espaço para pastagem até setembro, quando pretendem começar uma plantação de milho doce. Isto porque a terra exige um intervalo de alguns anos entre uma plantação de melancia e outra, para que possa se recuperar.
A agricultura familiar em Pedro Osório é formada hoje por aproximadamente 200 produtores. Dos 352 hectares de plantação no município, dois são da agricultura familiar. Segundo Lauri Centeno, até a última edição, a festa não fazia jus ao nome - Feira Regional da Agricultura Familiar - por ter, principalmente, grandes produtores. Nesta edição, o quadro já foi modificado, o que deve ser enfatizado nos próximos anos.
A extensionista rural e social da Emater, Rosi Cristina Puccinelli, destaca uma grande vantagem de consumir produtos da agricultura familiar: a segurança de saber que não há agrotóxicos no alimento, já que a produção é constantemente acompanhada. Seu trabalho na Emater inclui a parte social de conscientização sobre a alimentação saudável, além da promoção de cursos de capacitação com produtores.
Através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), os produtores da agricultura familiar vendem alimentos para integrar parte da merenda das escolas municipais. Também estão em processo para participar do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Além disso, os grandes produtores da região contam com a tecnologia necessária para irrigação, por exemplo, enquanto produtores como a família Cardozo precisam trabalhar com o que possuem. Para sanar as dificuldades, Centeno explica que a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente se encarrega da patrulha agrícola, provendo os produtores com o equipamento necessário na lavoura, através de agendamento com a Prefeitura.
O incentivo por parte da Secretaria para sair da monocultura do leite teve início com palestras e reuniões, a partir das quais os produtores abriram as portas para essa mudança. Hoje, há projetos aprovados para investimento em hortas, inclusive através da aprovação na Consulta Popular.
Os projetos estão andando, porém mais lentamente do que seria o modo ideal. “Nós poderíamos fazer bem mais porque fator humano nós temos, pessoas que querem trabalhar nós temos, máquinas também. O que nós precisamos é que as coisas sejam mais rápidas”, explica Centeno, que reclama da burocracia necessária para tirar os planos do papel.
A melancia
O preço atual da melancia está partindo dos R$ 0,30 por quilo, preço baixo, considerando que cada fruta tem uma média de 8 a 10 quilos. O tamanho não é grande, mas se adapta às atuais exigências de mercado, uma vez que as famílias hoje em dia são menores, portanto, preferem uma fruta adequada ao seu tamanho, segundo Centeno. A variedade plantada pela família Cardozo é a Crimson Sweet, que se adapta bem ao clima e ao mercado.
Preocupação com o futuro
Não é de hoje que a cidade tem sido um grande atrativo para os jovens, inclusive os que nasceram e cresceram no campo. O êxodo rural acarreta no esvaziamento da zona rural, ocasionando em dificuldades na produção do setor primário. Uma das formas de contornar a situação é criando oportunidades no campo e fazendo-o atrativo aos jovens novamente, defende o diretor da Secretaria.
A Prefeitura de Pedro Osório possui uma parceria com o Campus Pelotas - Visconde da Graça (CAVG), do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), que possibilita aos alunos aplicarem os ensinamentos de aula. É o caso do aluno Gabriel da Silva, filho de produtor rural. “No colégio, a gente aprende a teoria. Aqui, a gente vê o problema e o que tem que fazer”, afirma.
Suporte
A Emater se encarrega de dar apoio técnico e auxiliar os produtores a investirem em novas culturas. Segundo a chefe do escritório da Emater, Carine Harter, a equipe faz um acompanhamento de toda a propriedade, através do programa Gestão Sustentável, incluindo questões de higiene, saneamento, saúde e produção, assim como a questão ambiental. Atualmente, são dez famílias assistidas pelo programa do governo do Estado, que tem duração de cinco anos. No total, aproximadamente 150 famílias são assistidas pela Emater.
A Emater trabalha diretamente com a Cooperativa de Mel de Pedro Osório (Coomelpo) e com a Associação dos Produtores de Leite (Asproleite), dentro da qual se encaixa o Assentamento Nhandu. Na Festa da Melancia, a Coomelpo participará com a feira de artesanato, apicultura e ovinocultura, além da comercialização de pães, bolachas, cucas e doces artesanais.
Redator: Tradição Regional
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