Sexta, 12 de junho de 2026, 06:51h
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Atividades são realizadas neste formato atual no município desde 2015; A cada ano, mulheres de diferentes representações sociais participam dos atos
As histórias que permeiam o dia 8 de março auxiliam na construção do simbolismo da data escolhida para celebrar o Dia Internacional da Mulher. A ênfase dada desde o século 19 é para a trajetória das lutas e mobilizações feministas, na busca por avanços para que os setores que movem a sociedade sejam espaços de igualdade entre os gêneros.
No Brasil, as movimentações em prol dos direitos das mulheres iniciaram no século 20, com o objetivo de buscar melhores condições de trabalho e qualidade de vida, sendo lutas que não se diferenciam dos tempos atuais, mas, além disso, se preocupam em não haver retrocessos nos direitos garantidos.
Diante disso, a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas (ADUFPel) organiza, juntamente com sindicatos, movimentos sociais, partidos políticos e coletivos de juventude, atividades voltadas para a luta pela libertação das mulheres de todas as formas de opressão.
Conforme a assessoria de imprensa da Associação, para a realização das atividades, no dia 8, quinta-feira, a concentração para a panfletagem pelas paradas de ônibus e região central acontecerá a partir das 15h30, em frente à Prefeitura de Pelotas. Às 17h, um ato está marcado para ocorrer no Largo do Mercado Público e, logo após, mulheres sairão em marcha pelas ruas da cidade.
Antes disso, hoje (2), o auditório da Faculdade de Direito da UFPel recebe a atividade que antecede o evento, o Pré-8M, com o objetivo de conversar sobre gênero em diversas perspectivas. De acordo com a jornalista, representante do Instituto Mário Alves (IMA) e participante das organizações do evento, Maiara dos Santos Marinho, de 25 anos, a ação é para pensar em como as políticas neoliberais têm afetado, em particular, a vida das mulheres, como as reformas trabalhista e previdenciária, que reforçam a estrutura patriarcal. A partir disso, a ideia é refletir quais são as tarefas do movimento feminista para evitar maiores retrocessos. “Aproveitaremos esse espaço também para convidar mais mulheres a participar da construção da atividade do 8 de março”, acrescenta.
Para a organização da data que marca o mês de março, são realizadas reuniões abertas, nas quais qualquer mulher é convidada a participar. A iniciativa começou em 2015, quando a ADUFPel propôs aos movimentos sociais de Pelotas uma atividade cultural e de debates referentes ao período.
Na organização das atividades que são realizadas a cada ano todas possuem diferenciais, com debates feitos de maneira espontânea. “Novas mulheres e novos espaços de militância feminista se aproximaram, e, junto com eles, surgem novas sugestões de atividades”, comenta Maiara.
A participação das mulheres tem crescido nas realizações e, consequentemente, os atos tornaram-se plurais, no sentido que cada uma possui representatividade e vivência única, fatores que se somam na construção da coletividade. “São representantes de suas entidades, de seus espaços de militância, de seu bairro e outros. É sempre necessário melhorar o diálogo com a comunidade e todo ano buscamos pensar nisso, ampliando a participação das diversas representações de mulheres”, destaca a jornalista.
A pluralidade, conforme Maiara, é um reflexo no conjunto final, com atividades diversas, assim como - e, principalmente, - nos debates, que são levados pelo acúmulo político de cada mulher a respeito do feminismo, em que se vê possibilidades para pensar, refletir e reformular as ações, se necessário, além da busca por formas de tornar o movimento feminista uma pauta diária na vida da população.
Também importante para o momento é a influência da conjuntura de cada ano na participação e engajamento popular. Após 2015, surgiram demandas para os movimentos sociais. Um exemplo é o fato de que mulheres que organizam o 8 de março também participam de debates e organizações de ações contra as reformas trabalhista e previdenciária, o que torna cada realização distinta. “Percebemos um avanço no sentido de que novos grupos e mulheres de outros espaços que antes não participavam, hoje estão presentes”, observa.
Para a divulgação dos atos, as redes sociais são ferramentas utilizadas para difundir as informações, como também os veículos de comunicação locais, que repassam às pessoas detalhes sobre as ações. Além disso, a panfletagem é considerada importante, pois também cumpre o papel de tornar o tema público, sendo uma oportunidade de dialogar com as mulheres nas ruas.
Outro fator determinante para as mobilizações e a perpetuação dos debates são as atividades realizadas durante o ano, organizadas por grupos feministas, que recebem apoio de outros grupos, como também eventos executados de forma coletiva, fazendo com que o diálogo sobre assuntos que cercam o movimento estejam sempre presentes.
O contexto da mulher na sociedade
A importância de desdobrar assuntos ligados às mulheres é refletida diante de dados apresentados por instituições e entidades governamentais, que mostram um parâmetro da inserção da mulher na sociedade e as dificuldades vivenciadas em consequência da violência, do machismo, do racismo, da desigualdade no mercado de trabalho, dentre outros fatores.
Os exemplos estão presentes em informações do Ministério da Saúde, publicadas no ano de 2016. Em média, dez estupros coletivos são notificados todos os dias no Brasil. Ainda, segundo o Instituto Maria da Penha, estatísticas indicam que uma mulher é violentada física ou verbalmente a cada dois segundos. A taxa de desemprego também afetou mais as mulheres, conforme dados publicados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo trimestre de 2016.
Em Pelotas, os dados sobre o emprego formal também demonstram a situação da mulher na taxa de empregos, conforme divulgado, no mês de fevereiro, pelo Observatório Social do Trabalho da UFPel. Em 2017, do total de 614 demissões, 599 foram de mulheres, totalizando 97% das perdas de ocupações.
Segundo Maiara, é fundamental a organização em debates, rodas de conversa, eventos e marchas para que ocorra a discussão e pensamentos sobre formas de combater a estrutura patriarcal, sistema social em que os homens mantêm poderes e funções de lideranças e privilégios, não havendo igualdade para com as mulheres.
Conforme a jornalista pelotense, para definir uma agenda das questões mais urgentes para as mulheres é preciso olhar para os dados divulgados. Mulheres negras e pobres são as que mais sofrem com a estrutura da sociedade e, por isso, pode-se dizer que é um erro político não pensar em gênero sem realizar determinados recortes, situações específicas, como os de classe e de raça. “Partindo disso, qualquer criminalização ou ação de violência física e psicológica contra uma mulher deve ser pensada e articulada de maneira a romper com a desigualdade de classes e com o racismo. Portanto, políticas públicas que garantam a inserção das mulheres em determinados espaços e a desconstrução de uma cultura sexista e machista são caminhos importantes”, afirma.
Outro aspecto é de que os homens precisam estar neste engajamento, com a intenção de compreender o debate e ter a preocupação em fazer uma autocrítica, se percebendo enquanto parte responsável por produzir a estrutura social. “Portanto, um trabalho coletivo, protagonizado pelas mulheres e com respaldo político é o que buscamos”, finaliza Maiara.
Eventos alusivos ao Dia Internacional da Mulher em Pelotas
Quando: Sexta-feira (2), das 16h às 18h
Onde: Faculdade de Direito da UFPel
Rua Félix da Cunha, nº 363
Programação
04/03 - 22h: O Reverso de Maria (teatro)
05/03 - 19h: Roda de Conversa com a vereadora Fernanda Miranda, Pietra Dolamita e Canto de Conexão Mulheres - Ocupa, sobre a participação da mulher na sociedade, cultura e políticas públicas + som da Dj Helô
06/03 - 19h: Roda de Conversa “Papo de preta”, mulheres de luta e resistência, compartilhando histórias e vivências no movimento negro e ocupações + som B.art e Dj Dola
07/03 - 19h: Ciclo de Cinema Mulheres em Tela - Um debate feminista, exibição do filme “Todas As Mulheres Em Mim” (entrada franca) + som Marcela Mescalina e convidadas
08/03 - 19h: Jam Sessions banda She Hoos Go e convidadas
09/03 - 21h: Show com a banda Mulamba | Encerramento Semana das Mulheres | Abertura com banda Marietta Baderna
Onde: Diabluras
Rua Félix da Cunha, nº 954
Roda de Conversa sobre Feminismos
Quando: Terça-feira (6), das 18h às 21h
Onde: Museu do Doce
Praça Coronel Pedro Osório, nº 8
Quando: Quinta-feira (8), das 15h30 às 21h
Onde: Mercado Central de Pelotas
Praça Sete de Julho, nº 179
Feminário Corre: Corpo e Resistência
Programação
08/03 - 15h: Mulheres Indígenas
09/03 - 17h: Mulheres com deficiência, TEA e Asperger
10/03 - 17h: Mulheres e Feminismo Negro
11/03 - 17h: Mulheres LBT (lésbicas, bis e trans)
Onde: Casa Cultural Las Vulvas
Rua Anchieta, nº 949
Quando: Sábado (10), das 10h às 13h
Onde: Chafariz do Calçadão
Rua Andrade Neves
Redator: Tradição Regional
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