S�bado, 13 de junho de 2026, 10:42h
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Ao percorrer a linha do tempo entre o passado e o presente, desde a chegada dos primeiros imigrantes alemães na região foi e ainda é perceptível as inúmeras contribuições que eles trouxeram para a Zona Sul.
A construção de novos hábitos, trazidos pelos alemães estão presentes nas famílias, na gastronomia, na religião, na produção rural, nos jogos de cartas, nas festas das comunidades, no vestuário, na música, na cultura e poderiam ser citadas ainda infinitas outras áreas que sofreram a influência alemã.
Nesta semana em que se comemora a Páscoa, é impossível não lembrar de algumas tradições alemã e pomerana que atravessaram séculos e ainda estão presentes na vida das pessoas destas comunidades e na lembrança daqueles que hoje com mais idade relembram com muita alegria, como a dona Celina Hartwig, que é personagem de uma história verídica narrada por seus filhos, que mantêm viva a tradição.
Conta a tradição que na quarta-feira que antecede a Páscoa, era o dia em que a “Aschen Mutter”, que em pomerano significa avó de cinzas. Já em alemão seria “Aschen Grossmutter”, contudo, o importante era o significado, pois este tornava hábito entre as avós vestirem-se com roupas velhas, com lenço na cabeça, porém, sempre com o rosto coberto por um lenço ou por uma máscara para que a “Aschamutta”, como as crianças chamavam, não fosse reconhecida.
Com a aparência de bruxa, as mulheres saiam às ruas com um balde de cinzas que eram retiradas dos fogões ou dos fornos, para jogá-las pelo chão, sujando o rosto e as mãos, ficando com a expressão pior do que antes, parecendo que haviam brotado das cinzas e, dessa forma, passavam a assustar as pessoas e principalmente as crianças que tinham muito medo, conforme relato de Wanderleia e Fernando Hartwig, filhos da dona Celina, a “Aschamutta”.
Uma das vezes em que ela vestiu-se com a personagem da avó de cinzas, dona Celina fez tanto sucesso assustando crianças e adultos que uma vez, ao chegar no posto de saúde, em Turuçu, estava tão assustadora que as pessoas com medo que fosse um assalto ou coisa desse tipo, chamaram a polícia, que prontamente apareceu.
Os policiais, sem saber o que se passava, de longe e com certa segurança perguntavam quem era e solicitavam que aquela pessoa tirasse a máscara. Já a “Aschamutta”, ao ver que os policiais não se achegavam muito, percebeu que o sucesso da empreitada de assustar o povo estava concluído. Foi então que dona Celina contou aos policiais quem era e o motivo da brincadeira. Mas até então a situação estava cinza, conta dona Celina.
Schtipa
Passada a quarta-feira, dia da “Aschen Mutter”, e a Sexta-Feira Santa, é véspera da Páscoa, dia do Sábado de Aleluia, dia de espancar o boneco que representa Judas, dia de falar várias vezes a palavra aleluia. No entanto, em Turuçu é dia de “Schtipa”. Data muito esperada pelas famílias, tanto da cidade quanto da área rural, por crianças e adultos que aguardam e se preparam para a comemoração.
Ao cair da noite, muitas famílias em suas casas preparam comidas e bebidas para os visitantes. A visita de homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homem com lenços e máscaras cantando, tocando e dançando recebe o nome de “Schtipa”. Esta comemoração tem como palco a frente das casas, onde os donos da casa e seus familiares entram na brincadeira, contagiados pela alegria do momento.
Segundo relato do vereador Gilson Beilfuss, que é músico, em uma noite, o grupo de “Schtipa” do qual ele fazia parte visitou aproximadamente 80 casas.
Relembrando esses momentos com o vice-prefeito Pedro Tuchtenhagen, o vereador contou que os donos das casas preparam o “Frühstück” ou “Frischtick” - café ou lanche com linguiça, patê, morcela, pão, cuca, bolo e muitas outras especiarias -, e junto a tudo isso, a bebida que, de casa em casa, começa a alegrar a turma.
Até então tudo perfeito, mas ao final da visita vem a melhor parte: após a comida e a degustação dos vários tipos de bebidas, o grupo ganha um valor em dinheiro, pois os donos da casa, como forma de agradecimento, pagam o valor que entendem ser satisfatório. Se a nota é grande, o grupo toca mais um pouco antes de ir embora. Se for pequena, essa já foi feita em troca de alegria, comida e bebida e seguem rumo à próxima casa e recomeça. Renasce tudo novamente, até o nascer do domingo de Páscoa.
Para ver o “Schtipa” fora da Páscoa, somente no desfile temático da Festa do Morango e da Pimenta de Turuçu, no mês de outubro de 2018.
Redator: Sérgio Corrêa
Redator: Assessoria de Imprensa
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