Quinta, 11 de junho de 2026, 12:08h
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Três meses e meio após a partida de Arthur, que seria o primeiro filho de uma união de 15 anos com o marido Rubilar Dias, de 38 anos, um sorriso, mesmo que leve, ainda é um desafio para Ana Paula D´Ávila, de 30 anos. Ela poderia (o que não é incomum) se fechar em torno de sua dor. Mas, assim como muitas mães que perderam seus filhos logo após o parto, ela tenta voltar à vida normal em um ritmo lento e aceitável. Ana passou a trocar experiências com outras progenitoras pelas redes sociais que, assim como ela, perderam ou que venceram a batalha contra a Hérnia Diafragmática Congênita (HDC).
A má formação que atinge um bebê a cada 2.500 partos dá às crianças apenas 30% de chances de sobreviver, mas para isso, é necessário ir à capital paulista assim que a doença é descoberta, o que, na opinião dela, é um dos problemas que deveria ser resolvido pelos que têm o poder de mudar a realidade da saúde no Brasil.
“HDC é uma hérnia que se forma entre os órgãos localizados no abdômen e, no caso do nosso Arthur, ele estava com os pulmões comprimidos por ela, já que a doença faz o estômago se deslocar para cima. Descobrimos apenas dia 20 de dezembro do ano passado, 12 dias antes dele falecer, e ele partiu um dia antes de embarcar para São Paulo, onde no Hospital das Clínicas eu iria realizar, depois de exames, uma cirurgia intrauterina”, explicou a mãe.
Para ela, deveria existir, no mínimo, uma instituição pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em cada capital do país aparelhada, em condições para não só fazer o procedimento, a intervenção no útero, mas também a operação após o nascimento, caso os sinais da criança estabilizem, o que é outro desafio para os médicos.
“Eu e todas as mães de outras cidades, capitais e Estados tínhamos ou temos que nos deslocar para São Paulo, local que eu não consigo ter a dimensão de tamanho, que dificulta a questão financeira e também estrutural, pois temos que passar um logo período pernoitando em casas de passagem, muitas vezes distantes do hospital. Para grande parte das mães pesa, e muito, a questão financeira” avalia.
Além das sessões de terapia, Ana passou a fazer parte de grupos nas redes sociais de mães que passaram ou passam pela experiência da HDC. Depois de duas experiências malsucedidas, pois os grupos traziam para ela muito sofrimento devido ao conteúdo, foi hora de passar a fazer parte do “HDC, Pequenos Guerreiros, Grandes Milagres”, grupo que troca experiências, dá sugestões, amparo e também divide alegrias.
”Entrei em outros grupos de mães que gestavam ou perderam seus filhos com a hérnia, mas os relatos e fotos eram muito fortes. Então fui aconselhada por minha terapeuta a me retirar, pois tudo que lia ou via não ajudava na minha recuperação. Eu e ela entendemos que ainda não estou em condições de apoiar ninguém, preciso pensar em mim”, finalizou.
Na quinta-feira (19), o calendário marcou o Dia Internacional de Conscientização do HDC, uma oportunidade em que, além de saudades dos bebês que não resistiram à doença, houve também relatos de alegria e de batalhas vencidas contra a mesma.
Redator: Tradição Regional
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