Quinta, 11 de junho de 2026, 01:41h
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Coordenador do Projeto, Rafael Furtado Peres. Ao seu lado, Roberta de Souza Rosa e demais cuidadoras
Quem deveria cuidar das crianças seria o setor público com mais investimentos em escolas capacitadas para transmitir-lhes uma boa educação, mas quando há falha, abrem-se procedentes para que outras instituições o façam. Trata-se de um serviço que deveria ser exemplo amparado pelo Estado e pela União com escolas de educação integrais capazes de educá-los e colocá-los no mercado de trabalho.
Em Capão do Leão, o trabalho desenvolvido de forma gratuita tem tirado das ruas jovens de 6 a 12 anos, já que o bairro Jardim América, por ser populoso, é também considerado o que possui o maior índice de vulnerabilidade social.
Remando na contramão dessa realidade, um grupo de pessoas criou a ONG Semear, que dá exemplos aos órgãos públicos de como sobreviver de doações e o modo de realizar um trabalho que aumenta a estima de menores que vivem em situação de abandono, negligência, abuso e maus tratos, uso e tráfico de drogas. “São crianças que possuem uma carência acentuada de afetividade com familiares e, que dentro do projeto, encontram o respaldo que precisam para superar traumas e necessidades. A maioria faz aqui, a mais importante refeição do dia, porque em casa, muitas das vezes não tem refeição”, afirma o coordenador da ONG, Rafael Furtado Peres.
Conforme ele, o sonho de todos que trabalham voluntariamente nesse projeto é de que os menores tenham mais espaço físico para poderem realizar outras atividades sociais. “Planejamos para um futuro não distante, que alguém possa nos doar um terreno para realizarmos uma pista de atletismo, expandir nossa horta comunitária, ter uma pracinha de brinquedos, enfim, tudo isso e muito mais em um único local. Hoje, realizamos essas atividades em locais separados, porque nosso prédio, que é alugado, não disponibiliza da área total que precisamos para contemplar o projeto”, informa.
Ainda, segundo o coordenador, o grande foco do projeto é dar aos jovens uma ocupação associadas ao aprendizado. “Nosso bairro está muito violento e sem segurança, queremos livrá-las da violência das ruas. O próprio nome do projeto diz tudo: “semear”, que significa semear amor nos corações de todos”, diz.
Atualmente, 50 menores participam diariamente do projeto. Às sextas-feiras, o número de crianças chega a 80, por causa das aulas de futebol. Todos os dias, pela manhã, elas tomam café e almoçam. À tarde vão para a escola.
Com situações adversas, um caso chama mais atenção dos trabalhadores: a de um menino de oito anos, cuja mãe está presa e o pai morreu. Ele fica com um familiar, que não lhes dá toda atenção necessária. “Todo o vestuário dele é o projeto que dá, além disso, ajudamos com um rancho a sua família. É um garoto muito inteligente, que tem um coração puro, que precisa de ajuda para não cair nas tentações maldosas das ruas”, explica o coordenador.
A moradora do bairro, Rosângela Rosa Farias, de 43 anos, é mãe de três filhos, com idades de 8, 11 e 12 anos. Ela sobrevive com uma pensão mensal de R$ 470 que recebe do ex-marido. “Esse projeto é muito importante pra mim, porque me ajuda na educação das crianças, além de saírem daqui alimentadas”, justifica a mãe, que só tem elogios às atividades. Já Franciele Silveira, de 27 anos, tem filhos gêmeos de 12 anos - Maria Eduarda e João Vitor -, que participaram pela primeira vez. “Meus filhos estão no terceiro ano da escola, mas resolvi trazê-los porque sempre ouvi falar bem do projeto e quero que pela manhã fiquem por aqui tendo reforço nas matérias da escola”, afirma.
Uma das voluntárias, Roberta de Souza Rosa, de 35 anos, é moradora no bairro desde a infância e trabalha na instituição há mais de um ano. “Sabendo da importância deste projeto, não pude deixar de contribuir com um pouco de meu tempo disponível para me dedicar. Isso é muito gratificante. Esse trabalho mexe com minha estima. Cada dia surge situações diferentes e conflitantes, isso ajuda na melhora de nossa convivência diária para que possamos nos conhecer melhor”, confessa.
Os trabalhos completaram dois anos no dia 4 de abril. É oferecido diariamente às crianças refeições, como fazer uma horta comunitária, além de aulas de informática, de dança, de futebol, de artesanato, de taekwondo e de música. No terceiro domingo de cada mês, os voluntários se organizam e oferecem a população um almoço comunitário no valor de R$ 10. Parte da arrecadação é destinada para o pagamento do aluguel do prédio e o restante para cobrir despesas.
No dia 24 de abril, a Fundação Abrinq divulgou uma pesquisa a qual aponta que cerca de 40% de crianças e adolescentes de até 14 anos vivem em situação domiciliar de pobreza no Brasil. O número chega a 5,8 milhões de jovens, ou seja, 13,5%.
Para a Abrinq, esses dados estatísticos comprovam o aumento da violência e, isso ocorre por falta de investimentos de políticas sociais básicas. Caso, o poder público, investisse na manutenção das crianças e adolescentes na escola, até completar a educação básica, conforme está previsto a lei brasileira, até 17 anos, haveria um número menor de jovens envolvidos com a violência.
A ONG Semear funciona na rua Osvaldo Barbosa, nº 89, bairro Jardim América. As pessoas interessadas em contribuir com doações de alimentos podem entrar em contato através do telefone (53) 99936-6995, com Peres. Também podem acessar a página no Facebook (@SemearConstruindoSonhos).
Redator: Tradição Regional
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