Sexta, 10 de julho de 2026, 17:40h
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Secretaria Estadual de Saúde lança Manual de Prevenção ao Suicídio e avalia que há incidência maior de casos em pessoas que lidam com agrotóxicos, principalmente no cultivo de fumo
Dos 20 municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes que possuem os índices de suicídio mais altos, dez encontram-se no Rio Grande do Sul. Entre eles, está Canguçu. Ainda fazem parte da triste estatística Venâncio Aires, Santa Rosa, Lajeado, São Borja, Uruguaiana, Sapiranga, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo e Vacaria. A informação foi divulgada na terça-feira (22), durante o lançamento do Manual de Prevenção ao Suicídio, um projeto da Secretaria Estadual da Saúde em parceria com o Hospital Mãe de Deus que pretende auxiliar na capacitação dos profissionais de saúde.
A maior preocupação é com a zona agrícola. Embora não seja um fator determinante, os dados mostram uma incidência maior de casos em pessoas que lidam com agrotóxicos, principalmente no cultivo de fumo. Além disso, com a distância, fica mais difícil para o sistema de saúde identificar as situações de risco e iniciar o adequado tratamento antes da primeira tentativa.
Segundo o psiquiatra Ricardo de Campos Nogueira, coordenador do Centro de Promoção à Vida e Prevenção do Suicídio do Hospital Mãe de Deus, em cerca de 80% dos casos a pessoa resolve se suicidar dentro de casa, em um galpão ou no próprio quarto.
- Poderemos salvar algumas vidas se houver a identificação e a internação, pois apenas 16% dos suicídios ocorrem em clínicas e hospitais. Os outros 4% são na rua, como atropelamentos e quedas - comentou.
Nogueira também explica que a ideação suicida é muito mais comum do que se pensa. O preocupante é quando se passa da ideia ao planejamento, como compra de armas de fogo, cordas ou venenos. E Nogueira alerta: o risco maior não é durante a depressão, já que nessa fase a apatia quase sempre impossibilita a reação.
- O problema é quando a pessoa reage e começa a se mexer. Principalmente naqueles que variam entre a euforia e a depressão de uma forma muito rápida - diz.
Os dados sobre o assunto no Estado ainda estão longe do ideal, principalmente porque alguns municípios ainda mandam informações incorretas. Quando mandam.
Para Tânia Santos, coordenadora do Núcleo de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (NVDant), a notificação correta é essencial para traçar o perfil da vítima e dimensionar a demanda de atendimento de emergência. “Por enquanto, não temos estatísticas confiáveis, mas já é alguma coisa para quem não tinha nenhuma informação”, comentou.
Casos que reforçam a indicação de Canguçu
Dois casos registrados em Canguçu nos últimos meses reforçam a avaliação do psiquiatra Ricardo Nogueira. Em março deste ano, Lindomar Manzke Malué, 32 anos, foi encontrado enforcado na casa onde morava, na rua Padre Landell de Moura, no bairro Vila Nova. Segundo a Polícia Civil, ele morava sozinho, sofria de depressão e teria tentado suicídio em ocasiões anteriores.
Em fevereiro de 2011, Arnoldo Strelow Reichow, 30 anos, foi encontrado morto dentro de casa. O morador da localidade do Iguatemi, 2º Distrito, efetuou um disparo de arma calibre 32 contra o próprio rosto, Ele estava sozinho em casa, já que a esposa trabalhava em uma lavoura de fumo. Ao lado do corpo foi encontrada uma garrafa de bebida alcoólica.
Redator: Assessoria de Imprensa
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