Ter�a, 09 de junho de 2026, 23:05h
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A delegada Juliana Ribeiro participou da sessão da Câmara de vereadores para tratar sobre o tema
A delegada de polícia Juliana Ribeiro esteve presente na sessão da Câmara de Vereadores na última terça-feira (29) para falar sobre a luta contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. O convite para sua participação foi da vereadora Miriam Coelho (PT), que nos últimos anos está realizando atividades anuais para tratar do tema.
Segundo a delegada, os índices de casos de abuso e violência contra crianças e jovens são altos na região e em Jaguarão a atuação de uma rede de apoio a esse grave problema ainda é muito precária. “A rede de atendimento não começa na delegacia. Essa é uma questão que envolve muitos setores, em especial as famílias e as escolas. É importante que os professores saibam tratar desse tema, saibam a quem recorrer quando detectam esse tipo de situação em seus alunos. Isso é fundamental para fortalecer a rede de apoio e para incentivar que sejam feitas denúncias desses casos”, observou.
Ainda, conforme Juliana, no início deste mês foi feita uma alteração no Estatuto da Criança e do Adolescente relacionada à escuta das crianças e jovens vítimas desses crimes. Entre as mudanças, está o fato de que as vítimas até 18 anos que tenham sofrido abuso sexual não serão mais ouvidas na delegacia de polícia e as vítimas menores de 7 anos, independente da violência sofrida, também não serão ouvidas na delegacia. Já em relação a outros tipos de violência, as vítimas entre 7 e 18 anos poderão ser ouvidas na delegacia, em uma sala especial, o que não existe no município. “Essas alterações irão trazer grande benefício, pois vai evitar a retivimização, já que a vítima será ouvida apenas uma vez no Judiciário”, disse.
Em relação a essas alterações, a delegada demonstrou preocupação, pois a polícia vem sofrendo com falta de efetivo e investimentos. “Não temos essa sala especializada, temos um efetivo baixo e precisamos de policiais mulheres”, disse Juliana, que, na oportunidade, solicitou apoio aos vereadores para dar atenção a esse tema e colaborar neste processo de mudanças para que as vítimas possam ter um melhor acolhimento.
Após a fala da delegada, a vereadora Miriam reforçou a importância das ações de combate a exploração sexual e violência contra crianças e jovens, destacando a ação deste ano, em que juntamente com a Polícia Civil e Conselho Tutelar esteve, no dia 18 de maio, na esquina do Banrisul, conversando com a comunidade sobre o tema e distribuindo materiais informativos. “Precisamos seguir firmes nesta luta e trabalhar para fortalecer a rede de apoio às vítimas, buscar investimentos para as políticas públicas em prol das crianças e adolescentes e não deixar de estar atento aos sinais que essas vítimas apresentam. É importante que denúncias sejam feitas através do Disque 100”, destacou.
Os demais vereadores também falaram sobre a importância do tema e colocaram o Legislativo à disposição para auxiliar nas demandas que foram apresentadas pela delegada.
Saiba mais sobre o 18 de maio
A escolha da data é uma lembrança a toda a sociedade brasileira sobre a menina sequestrada em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Sanches, então com 8 anos, quando foi drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. Muita gente acompanhou o desenrolar do caso, poucos, entretanto, foram capazes de denunciar o acontecido. O silêncio de muitos acabaria por decretar a impunidade dos criminosos.
Sua morte, contudo, ainda causa indignação e revolta. O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes vem manter viva a memória nacional, reafirmando a responsabilidade da sociedade brasileira em garantir os direitos de todas as suas Aracelis.
Redator: Tradição Regional
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