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23-07-2018

Especial JTR: A dança através da cultura pomerana em Canguçu


Foto: Divulgação Grupos festejam a cultura pomerana

Canguçu, ou a Serra dos Tapes, como também é conhecida, possui uma significativa parcela da população de origem pomerana. Alguns estudiosos arriscam a dizer que essa parcela corresponde a 70% dos habitantes de município.   


Há pouco tempo, era comum crianças entrarem para a escola falando apenas a língua pomerana ou as duas: a língua materna e o português. Em algumas localidades do interior do município, as famílias sequer costumam se comunicar através do português.  



A forte presença de pomeranos levou a uma confusão comum nas pessoas: a distinção com o alemão. Segundo a professora de língua pomerana, Tanise Stumpf, algumas pessoas confundem os pomeranos com alemães por ambos terem vindo para o Brasil na mesma época.   


“A diferença é grande, tanto na língua quanto nos costumes. A língua se aproxima do alemão, mas é preciso um pouco de associação para as duas dialogarem. Há uma semelhança mais forte das culturas na dança”, explica a professora.  


Tanise coordena atualmente dois grupos de danças tradicionais: o Dansgrup Fröiligjuugend, com cerca de 15 alunos, atuante há 16 anos na Escola Municipal Carlos Moreira, no Canguçu Velho, e o Dansgrup Pomerjuugend, ou Grupo de Dança de Jovens Pomeranos, com cerca de 35 alunos, da Escola Estadual João de Deus Nunes, atuante desde 2013, representando o município em inúmeros eventos.   


“A gente trabalha toda a questão cultural da dança, o histórico dela. Cada passo ou batida na música significa algo. Todo movimento tem uma razão e uma história. Em janeiro deste ano, conseguimos promover aos alunos um curso de dança na cidade de Gramado. Lá, eles ficaram uma semana com um professor da Alemanha que aperfeiçoou o conhecimento deles”, relembra Tanise.  


Dentre os maiores desafios, a educadora destaca o custo com o deslocamento dos jovens para os eventos e o alto custo dos trajes oficiais de dança (cerca de R$ 4 mil por peça) - barreira driblada com a criatividade: como a escola não dispõe de recursos para custear os trajes, os alunos organizaram uma arrecadação, compraram um tecido simples e elaboraram um traje. “Quando você quer muito lutar pela sua cultura, surgem meios para isso”.  


“A participação dos alunos em grupos de dança auxilia em inúmeros aspectos. Desde a desinibição em público, o desenvolvimento do espírito de união, da busca pelo aperfeiçoamento até na criatividade em promover ações para buscar recursos que custeiam o deslocamento deles às festivais”, explica Tanise.  


O grupo participa anualmente do Festcap e da Sudoktoberfest, em São Lourenço do Sul. Marcou presença por três anos consecutivos do Festival Internacional de Folclores de Nova Petrópolis. Além disso, todos os anos o grupo recebe convite para Festas do Colono e do Motorista e Festa do Fumo.  


Para a professora, os eventos são uma maneira de valorizar o trabalho dos alunos, porque eles acabam sendo a atração e carregando o nome da escola consigo, valorizando a cultura local e representando também, toda a comunidade à qual pertencem.  


Redator: Tradição Regional



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