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23-07-2018

Especial JTR: Histórias de vida em Turuçu


Domingo, 10 de junho de 2018, o município de Turuçu amanheceu com chuva torrencial. Além da chuva, parte da cidade sofria com a falta de energia elétrica, o cenário se apresentava para mais um dia com dificuldades a serem vencidas.


Meio dia, hora do almoço e certamente almoço seguido daquele descanso em um dia de folga com chuva, tudo parecia perfeito para um domingo de outono, mas um telefonema poderia mudar a vida de uma pessoa.   Uma senhora moradora e cidadã turuçuense, paciente renal crônica, aguarda na fila para um transplante de rins, era o telefonema mais esperado, no entanto, havia duas condições, a primeira jejum total e a segunda a paciente teria que estar em Porto Alegre em três horas após o telefonema.   Para o sucesso do transplante, o hospital chama três pacientes que estão na lista de espera, isto porque, se algum dos pacientes chamados não estiver em boas condições de saúde ou apresente alguma incompatibilidade, passa o seguinte da fila que foi chamado também.     Para chegar a tempo começa a peregrinação da paciente de Turuçu, sob forte emoção, ela decide preparar suas coisas para uma possível internação, fazer contato com a secretária de saúde para providenciar o transporte e ainda avisar alguns parentes e amigos sobre a alegria do momento e a possibilidade do transplante.   Enquanto a paciente prepara tudo vivendo momentos de alegria e tensão, a saúde municipal entra em ação através da secretária municipal que minutos após ao meio dia, já havia convocado o motorista Luiz Emilio para buscar uma paciente que estava com alta hospitalar no município de Rio Grande, domingo dia de churrasco, de descanso, mas a saúde não tem descanso, é hora de buscar contato com outro motorista em condições de fazer o transporte da paciente para Porto Alegre. Primeiro telefonema, o telefone chama e após alguns segundos Giovane atendeu, tomou ciência da situação e prontamente se colocou a disposição para a viagem, mais uma tarefa para aqueles que não têm dia, muito menos horário para ajudar a salvar vidas.   O motorista Luiz Emilio trouxe a paciente que teve alta em Rio Grande de volta ao seu lar em Turuçu, esta retorna feliz com a saúde restabelecida, enquanto Giovane leva outra paciente para Porto Alegre feliz com a possibilidade de recuperar a saúde.   As dificuldades   Falando ainda dos motoristas da saúde, os dois profissionais admitidos no primeiro concurso público após a emancipação do município foram, Giovane e Luiz Emilio, que começaram transportando pacientes em uma camionete Parati, sem adaptação para ambulância.   De acordo com o relato de Fernando Hartwig, motorista há 16 anos, depois da Parati, o município recebeu uma camionete caravana, esta sim adaptada ao transporte de pacientes, ressalta que apenas ao transporte de uma pessoa, sem equipamento, muito menos condições de transportar junto equipe de enfermagem ou médico.   Naquela época, segundo depoimentos dos motoristas, assim como hoje, eram feitas chamadas para transporte com urgência tanto da cidade, quanto da colônia. No atendimento, o paciente era colocado na maca e permanecia deitado com a cabeça ao lado do motorista, pois o veículo adequado não possuía o banco do carona e, assim, o motorista dirigia, atendia, conversava e muitas vezes acalmava o paciente.   Outra tarefa atribuída aos motoristas era, uma vez estando com a pessoa na ambulância, cabia ao profissional interpretar a gravidade do caso e decidir onde levar, assim, aprenderam que, quando os casos eram graves levavam para Pelotas, e casos não muito graves a direção era São Lourenço do Sul. Contam eles, ainda, que ao chegarem no pronto socorro ou no hospital, tinham que rezar para que recebessem o paciente às vezes doente outras vezes acidentado.   Quando a profissão está no sangue, não tem jeito, a paixão fala mais alto, outro exemplo de dedicação à profissão de motorista é o vice-prefeito Pedro Mutuca, como carinhosamente é chamado, até hoje não perde a oportunidade de sentar ao volante de um ônibus ou de um caminhão para relembrar sua atividade por mais de 50 anos, nas linhas da colônia de Pelotas e Turuçu.   Neste vai e vem da vida, parabéns aos motoristas que transportam sonhos e vidas.


Redator: Tradição Regional



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