Domingo, 07 de junho de 2026, 19:37h
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Com o auxílio das políticas de inclusão, pessoas com algum tipo de deficiência estão se fazendo presente cada vez mais no ensino superior no Brasil. Porém, grande parte das universidades públicas do país não estão devidamente preparadas para receber esta parcela da população. Atualmente, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) atende 237 estudantes da instituição, sendo 110 destes autodeclarados em encaminhamento para verificação.
Para contribuir com esta mudança, políticas de acesso e ingresso por cotas através do Sistema de Seleção Unificada (SISU), Programa de Avaliação da Vida Escolar (PAVE) e de processo seletivo específico e políticas de permanência, como tecnologia assistiva e programa de tutoria entre pares, estão sendo incluídas na instituição. Mas ainda há muito para ser mudado. De acordo com o NAI, as maiores dificuldades relatadas pelos alunos se referem à superação de barreiras arquitetônicas, comportamentais, comunicacionais e pedagógicas.
E estas dificuldades não são sentidas apenas pelos deficientes. O desafio também é vivido pelos docentes, que ainda não tem base consolidada nesta formação. Para a docente e diretora do Centro de Letras e Comunicação, Vanessa Damasceno, ainda há muito a ser feito. “Muitas vezes um aluno deixa de ir em um evento pois o prédio não há acessibilidade, não há um intérprete. Há políticas de inclusão, mas também temos que pensar na qualificação das políticas de permanência para não causar a exclusão”, comenta a diretora.
“A gente tem que pensar na estrutura, no apoio pedagógico e em todos esses aspectos para que as pessoas tenham as condições mínimas que os demais. Penso que precisa ter mais pessoas trabalhando no Núcleo para que a universidade consiga dar conta das demandas. Nós, professores, muitas vezes não temos as competências necessárias, a universidade também tem que pensar na questão docente”, ressalta Vanessa.
A aluna do segundo semestre de Jornalismo, Samira Lucas Silveira, tem deficiência visual total e escolheu a área de comunicação há cinco anos, por gostar muito de pesquisa e rádio. Após aprovação pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela ficou três meses e meio resolvendo problemas burocráticos para começar o curso. “Até começar o curso, achei tudo muito burocrático, mas a adaptação está sendo tranquila”, comenta.
A estudante, que enxergava até os 11 anos parcialmente, porém devido a um glaucoma perdeu gradativamente a visão do olho direito, convive diariamente com a falta de acessibilidade na estrutura da instituição. Para Samira, a falta de piso táteis no campus Porto compromete a movimentação independente do universitário deficiente visual. “Os corredores são muito largos e a falta de pisos táteis faz eu me perder às vezes. Mas tem que enfrentar o medo e se aventurar. É desafiador, mas recompensador”, completa.
Já o aluno Tiago Borges, do curso de Letras Português/Inglês, é cadeirante e também sofre com os problemas estruturais da UFPel. Locomoção na parte externa do campus e salas sem mesa adequada para cadeirantes são desafios que mesmo já estando na metade do curso, Borges enfrenta.
“Para conseguir que coloquem uma mesa que encaixe com a cadeira de rodas nas salas onde tenho aula, leva um mês. Tem muita coisa para melhorar ainda, principalmente a entrada do Anglo, a irregularidade do calçamento é difícil até para alguém que não tenha dificuldade de locomoção. Mas eu sempre quis algo a mais pra minha vida e não vou desistir”, desabafa.
Redator: Tradição Regional
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