Domingo, 07 de junho de 2026, 17:33h
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As inconstâncias enfrentadas por quem sobrevive da prática rural faz com que produtores convivam com as incertezas, não só em relação às práticas comerciais, mas também com o clima que tem sido fator de preocupação nas últimas safras em Arroio Grande.
A chuva que atingiu a região na última semana também apresentou seus reflexos no município. Conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), foram registrados em julho, 400 milímetros (mm) e, em agosto, 60mm, volumes superiores aos do ano passado.
O acumulado da barragem do Chasqueiro, responsável pela irrigação para um grande número de propriedades produtoras, e a alta precipitação colaborou para a recuperação do nível das águas. Até o final de junho registrava-se um índice de 9,28%, chegando aos 100% no dia 2 de setembro, possibilitando assim a total irrigação das áreas planejadas pelos produtores.
O volume dos demais mananciais hídricos, como o Arroio Grande e a Lagoa Mirim também acumulam altos níveis. Alguns produtores que margeiam esses mananciais, principalmente com atividade pecuária, tiveram que remover os animais para locais mais altos, evitando perdas. Algumas localidades produtoras, como a Granja Bretanhas registrou 354 mm e Hadler & Hasse, 240mm.
Se por um lado os produtores recuperaram os mananciais hídricos, por outro a preocupação fica por conta do preparo de solo para a plantação, já que os altos índices pluviométricos registrados ocasionaram o encharcamento das lavouras, o que pode comprometer e refletir nos índices de produtividade e, por consequência, na renda do produtor.
Conforme o técnico orízicola do IRGA, Edinei Botelho, Arroio Grande possui umas das menores taxas registradas de preparo de solo antecipado. Na agricultura familiar não foi diferente. Os altos níveis de chuva provocaram prejuízos na produção de hortifrutigranjeiros. Somado a isso, as estradas também foram comprometidas.
Com uma grande extensão rural, diversas regiões ficaram intransitáveis, prejudicando o escoamento da produção de leite, perdendo em torno de 2 mil litros do produto, de acordo com dados do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que, inclusive, tem levantado como pauta a fomentação de políticas que busquem melhorar a estruturação das estradas. A produtora rural Leonidia Milech, que reside na localidade da Palma há 40 anos - um dos locais mais afetados -, afirma que nunca vivenciou uma situação tão complicada, onde os carros que tentavam transitar pelo local tinham que ser puxados.
Previsão para os próximos meses
Como forma de manter os produtores informados da situação climática, o IRGA tem realizado videoconferências com projeções atualizadas do comportamento do clima. A última realizada em agosto aponta como prognósticos para setembro chuva entre normal e um pouco acima da média; outubro deve chover um pouco acima da média, sendo essa condição recorrente para o mês; novembro/dezembro deve chover menos na Região Sul; janeiro o clima deve ser seco; fevereiro/março, com a ocorrência de El Niño, poderá novamente haver problemas de chuva com a colheita. Não ocorrendo o fenômeno, março é considerado um mês de transição, podendo haver chuva, ocasionando transtorno da mesma forma.
A expectativa dos produtores é que o clima possa colaborar para que o trabalho de plantio e colheita seja feito dentro do período desejável, buscando o menor impacto possível.
Redator: Tradição Regional
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