Domingo, 07 de junho de 2026, 11:23h
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Como vai ser a minha vida daqui a 10 anos? Foi essa a pergunta que o frei Marcelo Monti se fez em 2013, após estar vivendo em uma inquietude, cheio de dúvidas e medos. Dar a volta ao mundo a pé para se encontrar e conhecer pessoas foi a consequência desse questionamento. Além do dilema pessoal, um outro projeto também o motivava: conscientizar as pessoas sobre a prevenção da AIDS e a importância do tratamento. O frei perdeu sua irmã, Aline, em 2008, em decorrência da doença, após negar tratamento por sentir vergonha.
Cinco anos depois, no dia 28 de agosto, o “Caminho de Aline - uma volta ao mundo a pé pela vida e contra a AIDS” começa a dar seus primeiros passos. Monti saiu da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, e desceu a BR-116 em direção a Pelotas, percorrendo todos os municípios entre as cidades para ter contato com a comunidade, escolas e casas de apoio à pessoas portadoras do vírus HIV. “Uma coisa que me faz passar pelas pessoas com HIV é perceber que nós somos todos vulneráveis”, destaca.
Levar conforto para quem precisa e escutá-las são seus maiores objetivos. “Esse projeto serviu para ver o futuro, para tornar a vida mais leve. As pessoas tornam a vida tão complicada, mas ela é breve, é curta”, desabafa.
Ele pretende caminhar pelos cinco continentes, utilizando meio transporte apenas em situações de emergência, como travessias geograficamente impossíveis. Agora, o frei espera o cessamento das chuvas para partir em direção a Bagé, onde seguirá até a fronteira para Uruguai.
Durante a estada em Pelotas, Monti realizou visitas em diversas instituições: uma delas no Grupo pela Educação, Saúde e Cidadania (Gesto) Pelotas, no qual presta apoio às pessoas com AIDS e familiares, desde segunda-feira (24), atendendo em torno de 50 pessoas de 18 a 59 anos e idosos portadoras do vírus. Para a psicóloga da instituição, Taís Helena Costa, a visita reanimou os pacientes que compartilharam suas histórias de vida com o frei. “É uma honra para nós fazer parte desta caminhada”, comenta.
De acordo com o cronograma montado para traçar o trajeto, até o final do ano o Frade Capuchinho planeja chegar à Argentina. A jornada tem previsão de duração de 10 anos, com 90 mil quilômetros percorridos.
Para acompanhar a jornada, a página no Facebook “Caminho de Aline volta ao mundo a pé pela vida contra a AIDS” é atualizada frequentemente por Monti, que narra sua caminhada. O projeto aceita doações, principalmente para orçamento de alimentação, estipulado em R$ 20 por dia. Para contribuir, interessados podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo WhatsApp (51) 8508-6678.
Redator: Tradição Regional
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