Domingo, 07 de junho de 2026, 07:23h
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Em Pelotas, várias ações de recuperação dos danos causados pelo temporal estão sendo realizadas,
como a retirada de árvores caídas. Na foto, equipe trabalha na praça Coronel Pedro Osório, Centro
A primavera é marcada pelo período de florescimento e início da época de reprodução de muitas espécies de árvores e plantas, porém nem tudo são flores nesta estação. Uma de suas características é a transição climática, com grande alternância de temperatura, como ocorre desde os primeiros dias dessa época do ano.
Iniciada no dia 22 de setembro, a primavera já mostrou a oscilação térmica, gerada por massas de ar polar quentes e frias, que consequentemente favorece a ocorrência de temporais e, sobretudo, maior intensidade e frequência de vendavais.
De acordo com a meteorologista da MetSul Meteorologia, Estael Sias, a diferenciação de temperatura foi sentida, por exemplo, nos municípios de Herval e Pinheiro Machado, que na última quarta-feira (3), registraram mínima de 4ºC e máxima de 30ºC. “Isso ocorreu devido à chegada de uma intensa massa de ar polar no Rio Grande do Sul”, disse.
A oscilação de temperatura e o choque térmico intensificam a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, que muitas vezes alcançam 12 quilômetros de altura, com alta incidência de raios e probabilidade alta de queda de granizo, comum nesta época do ano.
Além disso, conforme a profissional, áreas de instabilidade se formam no centro e norte da Argentina, avançando para o estado gaúcho, trazendo tempo severo no Rio Grande do Sul, com grandes acumulados de chuva e vendavais, fenômenos climáticos também típicos desta estação.
Para avaliar as tendências do período a longo prazo, os comportamentos dos oceanos são periodicamente analisados. Um exemplo é o Oceano Pacífico, maior do planeta, que é constantemente monitorado devido às formações de episódios do El Niño (aquecimento na região equatorial) e La Niña (resfriamento), que impactam no clima global.
“No ano passado, nesta época, tínhamos a influência de um episódio de La Niña. Já em 2018, temos neutralidade climática (sem influência de fenômenos), mas nas últimas semanas, o oceano tem apresentado um aquecimento persistente, que deverá deflagrar um episódio do El Niño, tardio, até o mês de novembro e, com isso, favorecer chuvas e temporais acima da média histórica da Zona Sul do estado”, afirma Estael.
Também, estão previstas temperaturas altas, com maior frequência de dias quentes e abafados. As oscilações térmicas tendem a diminuir na medida em que os dias vão ficando mais longos com a proximidade do solstício de verão e, segundo a meteorologista, os temporais serão destaques nesta primavera.
Temporal atinge Região Sul
Uma das características da primavera é a ocorrência de temporal. No dia 29 de setembro, o fenômeno climático causou danos em várias regiões do estado. Na Zona Sul, municípios como Pelotas, São Lourenço do Sul, Pinheiro Machado, Jaguarão, Capão do Leão, Pedro Osório e Cerrito foram atingidos.
Quedas de árvores e destelhamento de residências foram os principais danos oriundos dos ventos e chuvas. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Pelotas, por meio de dados do Centro Agrometeorológico Embrapa/UFPel, rajadas de vento atingiram a velocidade de 118,8 quilômetros por hora, no dia 29.
Na última segunda-feira (1º), 21 mil casas seguiam sem luz na Região Sul e destas, 15 mil eram em Pelotas, um dos municípios que mais sofreu com o temporal. Até a quarta-
feira (3), a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) publicou, via Twitter, o trabalho de recomposição das redes elétricas da Região Sul, que reduziu para 2,7 mil clientes sem energia, em Jaguarão e Pelotas. A previsão era de reestabelecimento ao longo do dia.
Além disso, integrantes da Defesa Civil (DC) realizaram a entrega de 80 telhas às famílias da Barra, Balneário dos Prazeres e Fátima, que tiveram suas residências atingidas. Não houve registro de desalojados ou desabrigados, segundo a assessoria do Executivo de Pelotas.
Redator: Tradição Regional
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