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17-10-2018

Pesquisadores da Unipampa encontram fósseis de seis filhotes de réptil primitivo no Rio Grande do Sul


Foto: Divulgação Dinodontossauro - reconstrução de Márcio Castro

Durante pesquisas no interior do Rio Grande do Sul, pesquisadores da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) acharam restos de pelo menos seis filhotes de Dinodontossauro. Os fósseis foram encontrados em 2012, mas para a divulgação foi necessário aguardar a conclusão das pesquisas. A descoberta foi publicada na última segunda-feira, 15, na revista científica internacional Historical Biology.


Os restos de pelo menos seis filhotes de Dinodontossauro foram descobertos por um grupo de pesquisas da Unipampa, composto por docentes e discentes, durante coletas realizadas em Dona Francisca. Desde então, o material passou por um cuidadoso processo de preparação (limpeza da rocha e isolamento dos fósseis).



O artigo científico, divulgado pela publicação internacional, tem como autor principal o mestrando na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Gianfrancis Ugalde, e como coautores, o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Hermínio Ismael de Araújo-Júnior, dos pesquisadores da UFSM, Rodrigo Muller e Sergio Dias da Silva, e do professor da Unipampa, Felipe Pinheiro. Os estudos foram financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).


Os fósseis foram encontrados aglomerados uns sobre os outros, em uma associação bastante rara para os paleontólogos. “Estava tudo uma confusão. Crânios e pedaços de mandíbulas misturados a ossos de braços, vértebras e costelas. Em uma análise cuidadosa, pudemos comprovar a existência de seis animais, mas é bastante provável que existisse muito mais do que isso”, relata Gianfrancis Ugalde.


Uma das principais conclusões do artigo é que os animais andavam em grupos. Embora tivessem grandes presas que os defendiam de predadores, os Dinodontossauros eram bastante vulneráveis ao ataque de grandes répteis. “A formação de manadas é bastante comum em herbívoros atuais. Além de ajudar na proteção contra predadores, as manadas contribuem em uma maior taxa de sobrevivência dos filhotes a riscos como fome e doenças. Os novos fósseis comprovam que esse comportamento surgiu muito antes da origem dos próprios mamíferos”, explica Pinheiro.


Pertencentes à grande linhagem que daria, posteriormente, origem aos mamíferos, os Dicinodontes eram os principais herbívoros durante boa parte do período Triássico, há cerca de 240 milhões de anos. No Brasil, o Dicinodonte mais comum é o Dinodontossauro, encontrado em algumas localidades do Rio Grande do Sul. Ele era um animal razoavelmente grande, podendo chegar a 500 kg e medindo até 2,5 metros de comprimento. Assim como o que acontece com vários grandes herbívoros atuais, sempre se especulou que o Dinodontossauro andava em grandes bandos, em um comportamento que protegeria os animais dos ferozes predadores da época, como os répteis quadrúpedes Prestosuchus e Decuriasuchus, parentes dos atuais crocodilos e jacarés.


De acordo com os pesquisadores, a causa da morte dos Dinodontossauros continua incerta, mas é provável que as carcaças tenham ficado expostas por um tempo razoável antes de serem soterradas, para centenas de milhões de anos depois, acabarem na bancada de estudo dos paleontólogos.


Os fósseis estão permanentemente depositados no acervo do Laboratório de Paleobiologia do Campus São Gabriel da Unipampa.


Redator: Assessoria de Imprensa



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