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Um artigo científico apresentado, na última terça-feira (6), no 32º Congresso de Pesquisa e Ensino em Transportes (ANPET), realizado em Gramado, analisou a influência da duplicação na segurança viária da BR-392, no trecho entre Pelotas e Rio Grande. A pesquisa constatou níveis de melhora percentual na taxa de severidade da rodovia e uma redução na quantidade de acidentes. O trabalho foi produzido pelo estudante de Engenharia Civil da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Lucas Adams Simon, e orientado pelo engenheiro da unidade local do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e professor da mesma instituição, Rafael Hallal.
O estudo baseou-se em dados de janeiro de 2010 até dezembro de 2017, disponibilizados pela concessionária responsável pelo trecho, empresa Ecosul. Os 60 quilômetros de extensão da BR-392 foram divididos em segmentos de um quilômetro, classificando os acidentes em 13 tipos distintos e em três níveis de gravidade, além de levar em conta o volume de tráfego anual da rodovia e custo dos acidentes.
A partir da comparação destes elementos, tendo em vista que a BR-392 foi completamente duplicada em agosto de 2014, o artigo destaca que após as obras houve uma diminuição de criticidade do trecho na sua totalidade. “Se os índices se mantivessem até o ano de 2017, pelo menos 18 pessoas perderiam suas vidas em acidentes de trânsito. Além disso, até o ano de 2017 foi poupado cerca de 57 milhões de reais com a diminuição destes acidentes e pelo menos 10 milhões de reais serão poupados a cada ano subsequente”, afirma Simon.
Outro ponto destacado é a influência da duplicação no quilômetro mais crítico da rodovia. O segmento próximo ao acesso ao Parque Marinha tinha até o ano de 2012 a maior taxa de criticidade dentre todos os segmentos por concentrar dois acessos, sendo eles do bairro e de um posto de combustíveis, possuindo uma criticidade cinco vezes maior que a média dos anos. Segundo o autor, um dos grandes benefícios das obras foi a redução entre os anos de 2012 e 2014 de 90,2% desta taxa. “Caso a tendência dos anos de 2010 a 2012 permanecesse até 2017, estima-se que haveriam 86 novos acidentes, sendo pelo menos cinco com mortes, todos evitados devido às obras de duplicação”, disse.
Por fim, é feita uma constatação sobre a falta que a duplicação acarreta nos primeiros 10 quilômetros da rodovia, destacando que a finalização deste empreendimento seria paga em menos de quatro anos, apenas com a redução de acidentes da rodovia. Segundo Hallal, “o estudo mostra, mesmo que de forma particular, que os investimentos em melhorias na infraestrutura de transportes em geral proporcionam retornos de médio a longo prazo consistentes, tanto na redução de acidentes, quanto na questão financeira. Este é o resultado que achamos mais importante e que queremos disseminar na sociedade. Sem investimentos em infraestrutura não avançamos social e economicamente”.
Redator: Assessoria de Imprensa
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