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Hoje 185 famílias, cerca de 550 pessoas, dependem do abastecimento diário realizado pela prefeitura através de caminhões pipa
Nos últimos três meses, os moradores de Cerrito viram apenas 102 mm de chuvas caírem do céu, quando o volume normal de precipitações para o período, é de 298 mm. Assim, o município vem enfrentando sérios problemas devido a falta de água, incluindo prejuízo superior aos R$ 4 milhões, conforme laudo apresentado pela Emater/Ascar. As áreas mais atingidas foram às criações de gado para corte, a bacia leiteira e as plantações de milho do município.
No gado de corte, a perda foi de 15%, num total de 900 mil kg, somando perdas que chegam a quase R$ 3 milhões. Na bacia leiteira, os prejuízos já ultrapassam os 30% da produção, o que equivale a 234 mil litros de leite e a R$ 175 mil. O estudo aponta ainda que 25% da produção de milho de Cerrito já foi perdida, o que corresponde a 1.2 tonelada, somando R$ 536 mil.
Além das perdas na agropecuária, a falta de chuva também afeta as famílias que vivem no interior. Hoje 185 famílias, cerca de 550 pessoas, dependem do abastecimento diário realizado pela prefeitura através de caminhões pipa. Desde o dia 13 de janeiro de 2012, Cerrito encontra-se em situação de emergência e já solicitou a prorrogação deste prazo por mais 60 dias à Defesa Civil. O município aguarda a resposta do órgão.
No Estado
Depois de ter provocado perdas nas lavouras durante todo o verão no Rio Grande do Sul, a estiagem que atinge o estado há sete meses começa a prejudicar também as culturas de inverno. De acordo com dados da Emater, a semeadura das lavouras de trigo na metade norte chega a apenas 12% da área prevista. Em algumas localidades, a alta dos preços dos fertilizantes fez com que alguns produtores desistissem de plantar. A lavoura de trigo está atrasada em relação ao ano passado, quando os produtores já haviam plantado 25% da safra nesta época do ano.
A produção de leite também apresenta redução, já que a seca atrasou a implantação e o desenvolvimento das pastagens de inverno. A queda na produção de leite chega a 30% na região de Porto Alegre e a 50% em Santa Rosa, no noroeste. Praticamente todos os produtores de leite estão usando silagem, grãos, farelos e rações para complementar a alimentação dos rebanhos. Em todas as regiões do Estado, a disponibilidade de água é escassa, sendo que em muitos municípios as prefeituras continuam transportando água para as propriedades.
Segundo dados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), 75% dos municípios gaúchos (372 municípios) estão em situação de emergência devido à estiagem. Em muitos deles o abastecimento da água para o consumo humano está afetado, bem como a implantação das culturas de inverno e pastagens. Já as perdas na safra, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apontam para perdas de 31,2% no feijão, 13,1% no arroz, 39,8% no milho, e 43,8% na soja, totalizando uma redução de 7,09 milhões de toneladas de grãos na safra 2011/2012, se comparadas com a safra anterior.
Na região, dos 22 municípios pertencentes ao Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Sul, 13 estão em situação de emergência. O programa de disponibilização de sementes beneficiou mais de 3,5 mil produtores, num total de 2,8 toneladas para a região. Além do repasse da semente, o Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) e da Defesa Civil, custeou o transporte até as propriedades.
Redator: Assessoria de Imprensa
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