Quinta, 04 de junho de 2026, 13:37h
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Medo, insegurança, sentimentos que apenas quem sente sabe explicar quando o assunto é direção automobilística. Ou melhor, a falta dela. Porém, para quem tem a vontade acima dos impedimentos, encontrou a solução durante conversas cotidianas com amigos e familiares. É o caso da auxiliar de laboratório da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Evelise Sampaio e a microempresária Rose Reis que encontraram na ex-instrutora Rita Duarte um recomeço para facilitar a logística no dia a dia.
O carro, que antigamente era adesivado, deixava claro o serviço: aula de treinamento para habilitados. A ideia esteve presente na vida de Rita desde quando começou a dar aula em centros de formação de condutores (CFCs). “Fui instrutora durante 10 anos e quando trabalhava, sempre pensei que faltava alguma coisa. Faltava movimento, rodovia. Quando eu era instrutora não tinha como fazer isso, então fiz um concurso da prefeitura, comecei a trabalhar 6 horas e fiquei com tempo ocioso”, conta.
Com cinco anos de atuação no mercado, a instrutora pega desde recém-habilitados até pessoas que largaram a direção há décadas.
“Pego pessoas paradas na direção há 10, 15 anos e quando vejo, eles já estão passando por mim na rua e isso dá uma alegria muito grande. Tem alguns casos mais difíceis, mas num modo geral, todos conseguem. Eles já são habilitados, tem controle emocional para dirigir, passaram por testes, só está adormecido dentro dele. Só falta aguçar os reflexos, a agilidade. Além de auxiliar no controle do carro e domínio, tem que passar a legislação para eles. Eu faço o que gosto. Eles falam que sou um anjo na vida deles, mas eles também são na minha vida, me alegra muito fazer o bem para os outros”, relata.
A alegria, certamente, não está do lado do carona quando as aulas não são mais necessárias. Evelise conta que o aumento na família a motivou a ir atrás de ajuda - mesmo um ano depois de conhecer o serviço.
“Fiquei quase 12 anos com a carteira de motorista na mão, mas sem conseguir pensar em dirigir. Eu simplesmente tinha medo do trânsito, de não conseguir controlar o carro, de fazer algo errado e provocar um acidente. O medo me paralisou e busquei alternativa, como ônibus ou Uber, até que meu filho nasceu e decidi fazer isso por nós dois”, desabafa.
Histórias e medos parecidos unem Evelise a Rose. A microempresária tem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) desde 2007 e após ganhar um carro do marido, optou por superar a insegurança. “Dirigia muito pouco, depois por motivos financeiros fiquei sem carro e não dirigi mais. Fiquei muito tempo sem dirigir, o trânsito ficou intenso e criei um medo. Por este motivo procurei a Rita, que é uma profissional habilitada e me ajudou muito a perder o medo e me sentir segura em dirigir novamente”, vibra.
Ao perguntar para as três mulheres o que elas diriam para quem tem o mesmo sentimento, uma resposta é unânime: supere. Para Rose, é necessário “ser conscientes e procurar um profissional para perder qualquer receio em dirigir, jamais por em risco a nossa vida ou a de terceiros”.
“Eu diria, para quem tem medo, que não desista. Seja compreensivo consigo mesmo, busque ajuda profissional. O treinamento com a Rita me ajudou e há quase dois meses eu dirijo diariamente cada vez mais tranquila”, compartilha Evelise.
“As pessoas precisam enfrentar o medo, ter contato todos os dias com o carro. Um dia que ela entre no carro e comece a ver os equipamentos, ela já toma uma intimidade com ele. O carro tem que ser uma extensão do corpo da pessoa. É um processo meio lento, sabe? Mas é todos os dias enfrentando um pouquinho. Dentro de casa o bicho só cresce na cabeça”, orienta a instrutora.
Valores
O valor da aula no carro de Rita - com pedais adaptados para instrutor - é R$ 55. Já no carro do cliente, custa R$ 50. O recomendado é que as primeiras duas aulas sejam no carro da professora, para adaptação com veículo e auxílio no controle do mesmo. Hoje, as aulas são realizadas em um novo Ka/Ford, nos turnos da manhã e tarde. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (53) 98431-4358 ou (53) 98147-3968.
Dica da Rita
“O andar, o trânsito coloca eles em uma situação bem estressante. A maioria não tem pânico e nem trauma, é medo pela inexperiência. A pessoa acha que não sabe o que fazer em uma situação que precisa agir. Não acho muito produtivo a pessoa fazer duas aulas na sequência, pois chega um ponto que ela não produz mais por causa do nervosismo e estresse. Quando chega às aulas para manobras, aí sim, quem sabe faz duas... o ideal é ter uma sequência na semana”, explica.
“Começamos as aulas no Porto, devido à falta de movimento e boa sinalização e à medida que a pessoa vai evoluindo, vai indo para o movimento. Quando o aluno se dá conta, ele está andando por tudo”, finaliza.
Redator: Tradição Regional
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