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07-06-2019

Com buracos e falta de acostamento, ERS-265 oferece riscos a motoristas e pedestres


Foto: Rogério Spitzer Estrada que liga os municípios de Canguçu e Piratini passa por problemas de trafegabilidade

O descaso com a ERS-265, principal rodovia que liga Canguçu com os municípios vizinhos de São Lourenço do Sul e Piratini, coloca em risco a vida de muitos que precisam utilizar a estrada, seja a passeio ou a trabalho.


No trecho que liga o município a São Lourenço do Sul, são muitos os motivos para as cobranças da comunidade: a estrada está com buracos, sem sinalização e manutenção.



Em março deste ano, o lutador de Muay Thay, Izabelino Couto gravou um vídeo para as redes sociais chamando a atenção para os riscos oferecidos com a falta de acostamento aos atletas que utilizam o trajeto para praticar esportes. 


“Utilizo a ERS-265 para a prática de meus exercícios e têm muitas pessoas que utilizam a rodovia para praticar suas atividades com nenhuma segurança. A rodovia não possui acostamento, as pessoas precisam caminhar ou correr sobre a pista, colocando suas vidas em perigo, pois o movimento é bastante intenso, principalmente durante a semana”, relatou.


No dia 30 de maio, o agricultor Wagner Hugo gravou um vídeo desabafando contra os problemas da rodovia. Ele reside na localidade da Solidez, no 1º Distrito de Canguçu, e acabou estourando o amortecedor do carro quando se deslocava para o município vizinho.  


“Essa estrada está uma peneira. Tenho que comprar duas suspensões novas. De noite você não consegue enxergar os buracos na via e acaba estragando o carro. Quando eu estava chegando em São Lourenço, vi a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fazendo uma blitz. Eu fico indignado com essa situação, cobram multas, mas não dão segurança. Para um jovem como eu, qual a esperança? Quantas famílias já morreram nesta rodovia?”, desabafou Hugo.  


O jovem explicou que, embora sejam feitas algumas correções, a situação logo volta ao ponto zero. “Colocam o tapa buraco. Na primeira chuva passa um carro e saem as pedras, o motoqueiro bate e se mata”.


O canguçuense foi convidado por alguns vereadores para relatar em uma das sessões o problema que havia passado. Para a surpresa de Hugo, o vereador César Silva (PSB) explicou que a pauta estava em sua agenda nos últimos dias.


“Eu e o vereador Neviton Nornberg estivemos no Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) há poucos dias, e a decepção que nós tivemos lá foi muito grande. O Daer não existe mais, acabou. As pessoas mais novas lá estão com 70 anos e dizem que não aguentam mais aquilo. Nós precisamos partir para outra coisa”, comentou Silva.


Para a universitária Jéssica Timm, que utiliza a via para visitar seus pais, a rodovia apresenta mais problemas em alguns pontos específicos. “Bem ruim em alguns trechos. Fizeram recapeamento em algumas partes. Mas ainda não solucionou completamente. E abriram novos buracos e alguns bem grandes”.


Já para a auxiliar de recursos humanos, Nadine Mulling que viaja 17 quilômetros todos os dias até o seu trabalho, a via é o motivo de insatisfação de todos que moram nos arredores.  “Mesmo eles tapando apenas os buracos que têm, não adiantou muito. Logo chove e já abre de novo”, afirma. 


Para o deputado estadual Zé Nunes (PT), a rodovia é uma das pautas mais cobradas pela região. O político informou que nas últimas semanas recebeu diversas reclamações sobre o estado caótico da ERS-265.


“Estamos atentos porque com esta rodovia será possível qualificar o escoamento da produção e circulação do leite e do tabaco da Região Sul, por exemplo, principalmente para as comunidades de São Lourenço do Sul e Canguçu”, avalia.


Nunes explica que, em contato feito no começo do ano, com o superintendente do Daer em Pelotas, Jorge Antônio de Oliveira Oleques, soube que estão definindo os recursos para a manutenção, e na sequência, seria resolvida a situação, e a rodovia seria pintada e sinalizada.


Segundo ele, passaram-se semanas e nada ocorreu. Assim, o parlamentar agendou reunião no final de maio com o secretário de Estado de Logística e Transportes, Juvir Costella. 


O secretário destacou que neste mês terá ciência sobre a viabilidade do fornecimento de asfalto e, por isso, sugeriu aos municípios a adesão a um termo de cooperação técnica. Segundo ele, dessa forma, as prefeituras estarão resguardadas e poderão, em parceria com o Estado, realizar obras de manutenção nas rodovias.


Trecho que liga Canguçu-Piratini 


Outro trecho da ERS-265 que tem gerado transtorno aos motoristas é o que liga os municípios de Canguçu e Piratini. A situação não é nova. Desde 2017 a estrada de terra passa boa parte do tempo sem condições de tráfego, com alguns pontos em situações críticas, oferecendo inclusive riscos a quem utiliza.


Na manhã da última quarta-feira (5), a Embaixador retomou a Linha Piratini x Canguçu, após cinco dias sem o serviço. Só em maio, a linha foi cancelada três vezes devido ao atoleiro e as péssimas condições de tráfego. 


Na última interrupção, no dia 31, a empresa responsável pela linha acabou retornando ao terminal rodoviário com os passageiros por não conseguir seguir em frente após chegar em um trecho crítico.


Em janeiro deste ano, foram mais de 30 dias corridos em que a empresa parou seus trabalhos, devido aos problemas na estrada. No mesmo mês, a empresa responsável pela linha, ganhou recurso juntamente ao Daer, solicitando que a linha fosse reduzida e, portanto, permanecendo somente nas segundas, quartas e sextas-feiras.


Segundo a comunidade, o fato da estrada ser usada por caminhões de grande porte que transportam madeira contribui ainda mais para a degradação de alguns trechos. Enquanto a solução não vem, canguçuenses e piratinienses utilizam a Ponte do Maria Antonia, no 4° Distrito de Canguçu, como alternativa para as viagens.


 

Redator: Tradição Regional



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