Sexta, 10 de julho de 2026, 03:39h
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Na terça-feira (31), dez minutos foram suficientes para mudar o cenário em Arroio do Padre, alvo de uma intensa chuva de granizo que cobriu de branco os campos do município. Conforme a Secretaria de Obras, as pedras começaram a cair por volta das 17h e atingiram, principalmente, as localidades de Arroio do Padre I, Progresso, Colônia Sitio e Cerrito.
A prefeitura municipal deve distribuir lonas às residências danificadas pela chuva que em 12h chegou a 58 mm no município. Além das diversas residências com problemas em sua cobertura, lavouras e estufas de morango e outras culturas tiveram prejuízos, o que pode atrapalhar a colheita que está sendo preparada para o final de setembro. Aviários, criação comum no município, também sofreram danos.
Estragos
Na manhã de quarta-feira (1º) a Prefeitura de Arroio do Padre e a Emater fizeram um levantamento dos estragos provocados pela tempestade de granizo que atingiu o município por cerca de dez minutos na terça-feira. De acordo com o prefeito da cidade, Jaime Starke, os hortifrutigranjeiros foram os mais afetados e, até agora, foram contabilizados cerca de R$ 100 mil em prejuízos para o setor, o que representa 65% da produção de hortaliças e frutas do município. Os maiores prejuízos ocorreram nas lavouras que estão em fase de desenvolvimento como couve, alface, repolho, morango e maçã. Pelo menos cinco casas sofreram danos em função do granizo, quatro na Colônia Sítio e uma no Arroio do Padre I. Já nas lavouras de fumo as perdas não foram maiores porque a cultura se encontra na fase de produção de mudas e estas ficam protegidas por estufas.
Cerca de 600 famílias dependem da agricultura familiar no município de três mil habitantes. Emocionados, os Voigts lamentam a perda total da produção de hortaliças agroecológicas, única fonte de sustento das seis pessoas que compõem o núcleo familiar. “Nosso sustento provém da comercialização das hortaliças nos municípios vizinhos e perdemos tudo. Mas nós não vamos nos entregar. Levaremos uns três meses, mas vamos nos recuperar, vamos voltar a produzir”, disse Gilson Voigt, informando que na propriedade os prejuízos chegam a R$ 10 mil. Já Orlando Wilckbold relatou que devido à seca os canteiros de brócolis, couve, alface, cebola e mostarda estavam destapados a espera da chuva. “Estávamos em Pelotas quando começou o temporal. Infelizmente o granizo chegou antes da chuva”, contou Wilckbold cujas perdas contabilizam quase R$ 6 mil.
Para entender
Conforme a meteorologista Estael Sias, da Metsul Meteorologia, para compreender o fenômeno que atingiu o município de Arroio do Padre, é preciso analisar o padrão de temperatura registrado em julho na zona sul do Estado. O mês foi excepcionalmente gelado devido a um forte bloqueio atmosférico atuando no centro do Brasil, que impediu o avanço de frentes frias além do Paraná. Em consequência, grande parte do mês sofreu a atuação das massas de ar polar da Argentina, Uruguai e da metade sul do RS.
Na parte norte choveu mais e a temperatura variou alternando períodos amenos e frios. No entanto, nas áreas mais próximas do Uruguai, o que inclui a região de Arroio do Padre, a atmosfera estava muito fria. Segundo dados do INMET, em Santa Vitoria do Palmar, dos 31 dias de julho, apenas dois registraram temperatura mínima - registrada ao amanhecer - maior do que 10ºC. Em Rio Grande foi parecido, já que dos 31 dias do mês, em apenas quatro a temperatura foi maior do que 10ºC ao amanhecer.
“Sendo assim, como a atmosfera estava muito gelada, quando as nuvens de temporal avançaram do norte para o sul do Estado, encontraram a massa de ar muito gelado, o que possibilitou a formação de gelo dentro das nuvens que precipitaram na forma de granizo por vários minutos, provocando o acúmulo de uma camada de gelo na superfície”, explicou Estael. Imagens de satélite feitas no horário em que o granizo caiu indicam nuvens de grande desenvolvimento vertical que alcançaram mais de 8 km de altura, com grande potencial de chuva forte e granizo naquele horário.
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