Sexta, 10 de julho de 2026, 02:15h
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Todos conhecem o ditado que diz “Ser mãe é padecer no paraíso”, mas as vezes esquecem que ser pai, com certeza, também não é nada fácil. Há algumas décadas, a figura paterna era vista com respeito e distância pelos filhos. Sua palavra era lei e os problemas e dificuldades do dia a dia eram divididos com a mãe, notadamente mais carinhosa e humana. No entanto, essa realidade vem mudando e os papais de hoje estão muito mais chegados aos filhos do que há alguns anos. Que o diga Osmar Borges Leal, 62 anos, mais conhecido como Borjão. Ele é a prova viva da evolução do papel dos pais junto aos filhos, já que vivenciou de formas diferentes esse papel.
Pai aos 20 anos, Leal conta que a primeira filha, que hoje tem 42 anos, veio de surpresa e em um momento difícil da vida do jovem casal. “Eu estava desempregado e saber que ia ser pai foi um choque para mim. Graças a Deus, em seguida comecei a trabalhar como taxista, mas o começo da vida familiar foi muito difícil”, revela o vendedor e atual gerente de uma concessionária pelotense, natural de São Paulo. Segundo ele, os outros dois filhos, que hoje estão com 38 e 32 anos, vieram numa época melhor, mas sofreram com a distância e a ausência do pai. “Meu segundo filho tinha pouco mais de um mês quando vim para Porto Alegre trabalhar. O terceiro nasceu aqui, mas, apesar da vida mais estável, eu viajava bastante e não pude participar muito da criação deles”, afirma.
Situação bem diferente da vivenciada pelo pequeno Gabriel, de apenas quatro anos. Fruto do quarto casamento, Gabriel tem na figura do pai um grande amigo, e Borjão demonstra na emoção com que fala do filho, o quanto está feliz por ter tido a oportunidade de ser um pai diferente. “É muito bom poder acompanhar o crescimento do meu filho mais novo. Tudo o que não pude fazer pelos outros porque tinha de trabalhar, estou fazendo com ele. Troquei fralda quando era bebê, levo pra escola, boto de castigo e a cada dia me surpreendo mais com a esperteza e a energia dele”, revela. “Só peço a Deus mais 30 anos de vida para poder acompanhar o crescimento do meu filho”, deseja Borjão, que também é avô.
E ele não está sozinho no time dos homens que foram pais depois dos 50 anos. De acordo com dados do IBGE, o número de homens que se tornam pais após essa idade, seja pela primeira vez ou não, é cada vez maior. Além disso, o papel do pai está passando por uma transformação visível, garante a antropóloga Mirian Goldenberg. “O principal é que o papel masculino dentro da família mudou muito nas últimas décadas. Os pais, hoje, não só podem, como devem e querem participar mais da vida familiar. Assim, o que era uma obrigação exclusiva da mãe, passou a ser também do pai. O homem passou a ter uma relação mais próxima e afetiva com os filhos", afirma.
É o que garante o paizão Jorge Luiz Crochemore da Silva, 46 anos. Pai de três meninos, de 18, 14 e seis anos – frutos do primeiro casamento – Jorge é pai da pequena Ana Luiza, com pouco mais de 45 dias de vida. Apesar de ser a primeira filha menina, ele não demonstra preocupação com a criação da pequena. “Sempre fui um pai muito participativo, criativo e próximo aos meus filhos. A diferença é que a Ana Luiza é menina, mas se tiver que brincar de casinha com ela, vou brincar”, afirma Jorge que resolveu ser pai novamente, para realizar o sonho da nova companheira. “Não poderia ser egoísta por já ter meus filhos. Era um sonho que ela tinha e estou feliz de ter ganhado uma menininha. É uma experiência diferente”, considera.
Segundo Mirian Goldenberg, o homem ganhou muito afetivamente com este novo papel e está aproveitando as vantagens de ser pai nos dias de hoje. "Antes, ele dava o dinheiro e a relação com os filhos era baseada no poder e no medo. Hoje, ele é alguém que dá e também quer recebe muito mais afeto", afirma. Se os filhos que nascem agora são privilegiados com a proximidade, muda o sentimento em relação aos que já estão adultos? “Meus filhos mais velhos moram longe, mas todos eles aceitaram muito bem o Gabriel. Espero que todos sejam sempre muito amigos”, reforça Borjão, lembrando que também é filho temporão. “A fruta nunca cai muito longe do pé”, diz sorrindo.
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