Quinta, 09 de julho de 2026, 14:29h
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Furacão Sandy já provocou ao menos 18 mortes em Nova York, onde moram Aline Thiel e Luciano Telesca
A Costa Leste dos EUA tentava retomar sua rotina na quarta-feira (31), após a violenta passagem da supertempestade Sandy, que provocou destruição, inundações, blecautes e pelo menos 85 mortes até o fechamento desta edição. Segundo estimativas iniciais, a supertempestade pode causar prejuízos de até US$ 20 bilhões.
O presidente americano Barack Obama decretou situação de emergência em todo o Estado de Nova York em consequência dos estragos. É neste clima de turbulência e apreensão que estão dois canguçuenses: a modelo Aline Thiel e o estudante Luciano Telesca. Enquanto permaneciam confinados à espera da passagem do ciclone, os dois conversaram com o Jornal Tradição Regional durante a semana.
Em plena “zona de perigo”
Aline mora há dois meses com uma amiga em Nova York, no West Village, que fica apenas duas quadras de distância da chamada “Zona A de perigo”. “Tentamos nos manter informadas pela internet, pela TV. O prédio recebe informações a todo o momento sobre o que fazer se as coisas ficarem piores do que eles imaginam, até porque estamos ao lado da água, na Zona A de perigo e inundações (no domingo nos passaram uma tabela com as zonas A, B e C de evacuação, caso seja necessário)”, conta a modelo.
De acordo com ela, o vento ainda não sopra na direção onde mora, o que contribui para manter o controle da água. Dois dias antes, as moradoras foram informadas de que ninguém poderia sair ou entrar no prédio na terça, por medida de segurança. “Fizemos estoque de água e comida, mas os supermercados na volta do prédio estavam praticamente sem muitas coisas. Tivemos sorte e compramos tudo antes”, diz.
Aline não pretendia viajar neste período, ao contrário de amigos que estavam com as passagens compradas para voltar ao Brasil. A empresa aérea responsável já entrou em contato e informou o fechamento dos aeroportos americanos. Outros meios de transporte da cidade pararam de funcionar ainda no domingo e a energia elétrica seria desligada. “Estou sem internet, telefone e qualquer meio de comunicação... Para os preocupados, estou bem, mas a destruição foi grande no meu bairro. Assim que conseguir sinal vou ligar para todo mundo”, escreveu no Facebook na tarde de terça, usando o telefone celular.
Dia das Bruxas real
O estudante do sétimo semestre de Ciências da Computação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Luciano Telesca, desembarcou em Nova York em junho. Ele foi contemplado pelo programa Ciências sem Fronteiras, do governo federal, com uma bolsa na Universidade Sant John\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\'s.
Uma viagem marcada para Boston, no entanto, o tirou de Nova York na semana passada. No dia 26 de outubro, ele embarcou com amigos para conhecer os mistérios de Salem, famosa pelas celebrações de Dia das Bruxas – o Halloween. A viagem tinha previsão de retorno no último domingo, mas a chuva e o insistente vento convenceram Luciano a permanecer junto aos amigos na pequena cidade de Worcester, que fica a uma distância de 50 quilômetros de Boston.
“No domingo passado já havia recebido inúmeras mensagens por e-mail, SMS e ligações automáticas do setor de segurança pública da universidade pedindo para tomarmos ciência dos procedimentos de emergência do local em que estamos”, conta.
No momento em que conversava com a reportagem, ele lembrou que mais de 470 mil pessoas estavam sem luz em mais de 13 estados da Costa Leste. Os amigos de Washington já não contavam com abastecimento de água. “O pessoal daqui é muito precavido. Recebi o comunicado do cancelamento das aulas de segunda e terça. A precaução é tanta que levou ao fechamento temporário das bolsas de valores de Nova York, sendo que o último fechamento, fora do planejado, foi no atentado de 11 de setembro de 2001”, explica.
Comida e água haviam sido estocadas para serem consumidas até quarta-feira (31). O grupo também estava preparado para as quedas de energia elétrica e falta de água. Até o fechamento desta edição, “tudo estava muito tranquilo” na pequena Worcester. E Luciano esperava que continuasse assim.
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