23-12-2008
Lideranças projetam ano difícil para produção de grãos no país
Lideranças de diversos setores do agronegócio discutiram na segunda-feira (15), os impactos da crise financeira mundial na cadeia produtiva. O encontro foi na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em São Paulo.
Foi a última reunião do conselho de agronegócio da organização neste ano. Representantes dos setores de carnes, sucroalcooleiro, grãos, café e leite apresentaram o desempenho de 2008 e projetaram os desafios de 2009.
No caso da carne bovina, produto com o qual o Brasil é líder em exportações, houve em novembro uma queda histórica de 22% no valor das vendas externas. Por outro lado, o cadastramento de novas fazendas aptas a enviar produto à União Européia traz certo ânimo aos pecuaristas.
�??Temos vento a favor e contra. Creio que vamos mais ou menos empatar no ano que vem em relação a 2008, o que não é um mau resultado. Enquanto a maioria dos setores está caindo, acredito que na carne conseguimos rentabilidade de preço, volume e valor exportado�?�, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Roberto Gianetti da Fonseca.
O mercado sucroalcooleiro não pode dizer o mesmo. A falta de crédito provocou a revisão de diversos projetos que iniciariam em 2009. No encontro o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (�?nica), Marcos Jank, disse que, apesar de os fundamentos do mercado de etanol permanecerem fortes, a tendência num futuro próximo é de que as empresas comecem a se unir para superar a crise.
�??Os números básicos são bons, o problema é que existe uma grande heterogeneidade de empresas. Algumas irão crescer porque não estão tão endividadas e têm gestão em ordem. Outras vão ter dificuldade e devem ser incorporadas nesse processo�?�, afirma.
Para o presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), Roberto Rodrigues, os efeitos da crise financeira no agronegócio brasileiro podem ser resumidos em três pontos principais: falta de crédito, necessidade de melhores políticas agrícolas e infra-estrutura e logística.
O ex-ministro da Agricultura também acredita que o setor de grãos é o que merece uma atenção especial neste momento. �??Está claro que a produção de grãos será menor. O que não está claro é se essa produção será mais barata. Se os preços caírem mais será uma tragédia para a agricultura em 2009 e para o país em 2010. Se os preços não caírem mais, aqueles produtores que conseguirem ter acesso ao crédito barato e produtividade adequada ainda vão sair bem�?�, diz.
O presidente da Organização das Cooperativas de São Paulo (Ocesp), que também participou da reunião, disse que o cenário está muito desfavorável para os produtores de grãos, com preços, demanda e crédito menores. �??Esses agricultores estão endividados. Se nada for feito, junto com a crise e a escassez de rentabilidade, essas pessoas com certeza vão perder suas propriedades para um banco ou um credor qualquer�?�, concluiu Edivaldo Del Grande.
Acordo garante mais R$ 1,5 bilhão do Orçamento para a safra 2008/2009
Em contra-partida as previsões, a articulação de um acordo entre o relator-geral do Projeto de Lei Orçamentária Anual, senador Delcídio Amaral, a Frente Parlamentar da Agropecuária, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e demais entidades nacionais do agronegócio garantiu a destinação de R$ 1,5 bilhão a mais ao financiamento da comercialização da safra 2008/2009, totalizando R$ 3 bilhões a serem liberados até março.
Segundo a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, esta cifra adicional no orçamento de 2009 ajudará a sustentar os preços pagos ao produtor no ano que vem, pois a expectativa é de que, na época da colheita, os preços fiquem muito abaixo do custo de produção. O anúncio será feito pelo senador Delcídio Amaral em reunião com entidades do setor, na terça, dia 16, na sede da CNA, em Brasília.
De acordo com a senadora, as dificuldades de comercialização ocorrem principalmente nas lavouras de soja, milho, trigo, café e arroz. Mas, a situação é mais crítica na produção de algodão, que deverá demandar R$ 800 milhões do total de R$ 3 bilhões destinado no Orçamento da União ao financiamento da comercialização