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28-03-2013

Área atingida por incêndio dobra de tamanho no Taim


Foto: Lauro Alves Incêndio pode ter atingido mais de 1,4 mil hectares na Estação Ecológica

incêndio que atinge a Estação Ecológica do Taim, no sul do Estado, pode ter afetado pelo menos 1,4 mil hectares de terra - que equivalem a mais de 1,2 mil campos de futebol. A estimativa é do chefe da estação, Henrique Ilha. A precisão da área atingida só poderá ser divulgada após novo sobrevoo da região, que deve ocorrer ainda durante a manhã desta quinta-feira.

Para o início da tarde, é aguardada a chegada de dois aviões do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) vindos da Bahia. As aeronaves têm capacidade para despejar 2 mil litros de água sobre área afetada, cada uma. 

Outro fator favorável à extinção das chamas é o vento, que soprou em direção a um canal localizado no meio do banhado. Com isso, seria possível combater o fogo com equipe de brigada anti-incêndio.

— Hoje, o acesso ao local das chamas é muito difícil. Ontem era impossível — afirmou Ilha. 

Como não é época de reprodução das aves, os mais atingidos são os pequenos animais como cobras, sapos e ratos, que não têm tanta agilidade para a fuga. 

Ele ainda destaca que, para o fogo ser debelado, o ideal seria chover ou esfriar bastante à noite. Segundo Ilha, o incêndio deve seguir por mais um ou dois dias: 

— Como não conseguimos chegar no centro do incêndio, a estratégia é direcionar o fogo. Barrar a continuidade rumo ao Norte é importante. Com relação às chamas do miolo, uma parte deve ser extinguir sozinha e a outra deve avançar até encontrar áreas mais arenosas, onde poderemos fazer combate por terra. 

Apesar dos 1,4 mil hectares estarem queimados, nem todos seguem em chamas, já em alguns locais a água e a umidade do ambiente apagaram o fogo.


O biólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) David Marques afirma que ainda não há como fazer uma estimativa precisa dos danos ambientais. Mas ele acredita que, entre a fauna, as vítimas sob maior risco são pequenos animais com maior dificuldade de locomoção. 

A vegetação típica do banhado, formada em grande parte por um tipo de palha, seria capaz de se recuperar em poucas semanas. 

— O fogo não mata o caule subterrâneo da vegetação. Ele logo emite novas folhas, com um crescimento fantástico. Em um mês, é possível ver o verde de novo — afirma Marques. 

O biólogo destaca que a vegetação das áreas alagadas favorece incêndios mesmo fora de períodos de seca, como agora. A meteorologista Maria Angélica Cardoso, do Centro Estadual de Meteorologia, informa que choveu 46 milímetros no Chuí e 49 milímetros em Santa Vitória do Palmar entre o começo do mês e o dia 26. 

As chamas se propagam mesmo assim porque, apesar da presença de água junto ao solo, as folhas secas ou com pouca umidade acima dela são suscetíveis ao fogo. 

O que é a Reserva do Taim

Criada por decreto em 1986, a estação ecológica do Taim (ESEC Taim) é considerada hoje pelo Ministério do Meio Ambiente uma das maiores e mais importantes reservas ecológicas do país. 

Compreendendo partes dos municípios de Rio Grande e de Santa Vitória do Palmar, entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico, o Taim tem uma área total de 32.038 hectares.

A reserva é casa de pelo menos 30 espécies diferentes de mamíferos e 250 aves, onde destacam-se  animais como biguá, tarrã, maçarico-do-banhado, garça-moura, cabeça-seca, socozinho, gavião-chimango, martim-pescador, cisne-de-pescoço-preto, coscoroba, marrecão-da-Patagônia, marreco-piadeira.

Entre os bichos de maior porte estão: capivara, ratão-do-banhado, cachorro do mato, lontra, tuco-tuco, jacaré-de-papo-amarelo.

A administração da estação está atualmente a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.



 


Fonte: Zero Hora



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