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12-04-2013

Piratinense espera 40 anos pela rede d’água potável


Foto: Nael Rosa O baixo nível do velho poço que migra do solo, também já aponta seu esgotamento

Maria, Vilma e Elina, são três irmãs com uma mesma resposta para uma situação que beira o absurdo incompreendido e que já dura 40 anos: “Não sei”. A negativa vem diante da pergunta: Porque vocês não tem água potável aqui? A resposta é compartilhada por outras onze famílias que residem no Passo da Caneleira, pequena localidade que, com o passar dos anos foi sendo povoada aos pés da cidade e ha algum tempo passou a ser considerada área urbana, mas sem ver os benefícios comuns a quem reside no eixo mais populoso chegarem junto com a mudança de categoria geográfica.


Elina Cavaleiro Bueno, 52 anos, já se acostumou com a ideia de não viver o suficiente para ver as máquinas da Corsan estendendo a rede que termina logo ali, em uma residência localizada há 1.300 metros da sua, onde o líquido potável jorra sem nenhum problema.



Com a estiagem prolongada novamente presente e que castiga os moradores da pequena vila, a rotina não se altera e, todos os dias, a saída, inclusive para consumo humano, vem de uma cacimba situada a duzentos metros e já dentro de um campo onde o proprietário e médico Vitor Lobato, autorizou que um improvisado encanamento leve, empurrado por bomba, água para as casas enquanto não chega o dia da passagem do caminhão pipa da prefeitura responsável por encher os reservatórios de 500 litros suficientes, se bem usado, para uma semana.


Mas o baixo nível do velho poço que migra do solo, também já aponta seu esgotamento. Maria Cavalheiro, 43 anos, relembra que devido às estiagens constantes e essa espera pelas máquinas que parece não ter fim, muitas foram às vezes em que ela percorria longas distâncias com trouxas de roupas sujas para lava-las no Passo da Vila e após o lavado, refazer o trecho de volta para casa, situação também vivida pela terceira irmã, Vilma, que apela a Deus para que extensão da rede recomece e chegue ao pequeno bairro. “Não sei o motivo. Eles (não soube dizer quem), já vieram aqui várias vezes e nada foi feito. Que Deus nos ajude para gente parar de passar trabalho”, pede.


O problema que se arrasta há anos retornou à pauta foi na última sessão da Câmara de Vereadores através do vereador Daniel do Paredão, que requisitou ao executivo providências para tirar o bairro desta situação incompreendida diante do direito que todos tem à água potável dentro de áreas urbanas. “Será que em todos estes anos em que a prefeitura trabalha em parceria com a Corsan, distribuindo água, não houve tempo para buscar uma solução? Questionou o vereador. O gasto com essa distribuição certamente já superou o valor que seria gasto com a obra”, acrescentou.


Posição da Corsan


Fizemos contato com a gerente da Corsan local, Jane de Castro Silveira, que informou ter conhecimento da situação e que pediu ao vereador um documento oficial assinado pelos poderes e que um outro venha assinado pelos residentes. Segundo ela, esse é o trâmite inicial para encaminhamento à Superintendência da companhia para um levantamento técnico de toda a situação através de um engenheiro e possíveis futuras ações. O incompreensível, é que o acesso ao Passo da Caneleira está localizado a beira da estrada que leva ao Cancelão, distante dez quilômetros e onde a Corsan mantém redes e reservatório para distribuição.


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