Ter�a, 07 de julho de 2026, 22:58h
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Luis Gonzaga, veterinário da Prefeitura, alega que gravação das imagens foi feita de modo ilegal
Uma série de reportagens exibidas pelo Canal Rural entre os dias 9 e 12 de abril sobre a precariedade dos frigoríficos brasileiros apontou uma falha na inspeção sanitária em Canguçu. Com o título de “Carne Brasileira: Posso confiar?”, a reportagem mostra uma inspeção em um frigorífico do município. No vídeo, a equipe consegue entrar junto com o inspetor no Frigorífico JB, localizado na BR-392, sem a roupa de proteção adequada.
Nas paredes, faltam azulejos e é possível perceber resíduos espalhados pelo solo. O veterinário ainda afirma que o local só possui licença municipal de funcionamento devido a sua vontade. “Aqui só não foi fechado ainda por uma caridade minha. Mas eu já reduzi muito o número de abates deles. Hoje só libero cinco animais por semana”, diz. No vídeo, um dos animais é arrastado por um funcionário do abatedouro e cortado ainda vivo.
O veterinário responsável pela inspeção admite sua ausência na fiscalização. “Fazia quase um mês que eu não vinha neste abatedouro”, confirma. Segundo o veterinário que aparece no vídeo, Luis Gonzaga, a gravação de imagens em dezembro de 2012, pela ONG de proteção animal Amigos da Terra, foi feita de maneira ilegal, por considerar que uma câmera escondida só é cabível em atos criminosos. “Um abate, mesmo que em condições que não sejam ideais, não se configura em ato criminoso. Para filmar um funcionário público em exercício da função é preciso de uma autorização judicial. Por isso, a atitude da ONG foi um ato irregular, por ser uma invasão de domicílio e de serviço público”, diz Gonzaga
Ele explica que não pensou apenas no lado sanitário da situação, mas também no lado humano, já que cerca de quatro ou cinco funcionários ficariam desempregados caso o local fosse fechado. Por isso, havia reduzido o número de animais abatidos para cinco por semana. No entanto, em janeiro de 2013, o estabelecimento foi fechado de vez. “Já faz cinco meses que ele está lacrado, e se não fizerem reformas, não voltarão a funcionar. Eles dizem que não farão as reformas, então não podem voltar a abater”.
Junto com o Frigorífico JB, outros dois frigoríficos também foram lacrados para reformas. Um deles gastou em torno de R$ 200 mil com as adequações e já está funcionando novamente. O outro, que gastou cerca de R$ 50 mil, deve voltar a funcionar em breve. Atualmente, Canguçu possui dois abatedouros com inspeção estadual. Com fiscalização municipal existem seis abatedouros bovinos, um entreposto de pescado, uma classificadora de ovos, um abatedouro de frango colonial e sete agroindústrias de embutidos. Anualmente, quatro mil cabeças de bovinos são abatidos no município.
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