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22-05-2013

Pode um tornado como dos Estados Unidos atingir o Estado? 


Foto: NASA/Divulgação Imagens do satélite identificando a formação do tornado

A classificação preliminar feita pelo National Weather Service (NWS), ainda na segunda-feira, dia do desastre em Moore, estado norte-americano de Oklahoma, foi de que um tornado EF-4 (vento estimado em até 330 km/h) na nova escala de Fujita, atingiu a cidade. A localidade já havia sido devastada por um outro tornado, um F5, que é o máximo na antiga Escala Fujita. O tornado de Bridge Creek-Moore de 3 de maio de 1999 deixou entre 36 e 41 mortos, dependendo da estatística oficial, e percorreu trajetória incrivelmente semelhante ao devastador desta segunda-feira.

Para a MetSul, é  muito possível que a classificação final a ser divulgada pelo Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos para o tornado deste maio de 2013 em Moore repita o de maio de 1999, ou seja um EF5 (vento que pode atingir de 400 a 500 km/h) a partir da magnitude catastrófica da destruição.

Pode um tornado como o de Moore atingir o Rio Grande do Sul ou o Sul do Brasil em algum momento no futuro?  A resposta é sim! Porém a chance não é muito alta. O Sul do Brasil faz parte do chamado corredor dos tornados da América do Sul, que inclui também o Uruguai, o Paraguai, e o Centro e o Norte da Argentina. Não há precedentes de um tornado que tenha tido classificação F5 (máximo da escala Fujita) no Brasil. Na América do Sul, entre a comunidade meteorológica, o relativo consenso é que apenas dois casos podem ter atingido o máximo da escala (F5). Um no Paraguai há quase um século e outro na Argentina há 40 anos. No final da tarde de 20 de setembro de 1926, um tornado devastou a cidade paraguaia de Encarnación com saldo entre 300 e 400 mortos. Quase todos prédios da Encarnación se transformaram em ruínas. Já em 10 de janeiro de 1973, um tornado matou 63 pessoas e deixou centenas feridas em San Justo, província de Santa Fé, na Argentina. Dois tornados no Brasil podem ter se aproximado da força do registrado nesta semana em Moore, Oklahoma, nos Estados Unidos.

Em 30 de setembro de 1991, um tornado arrasador que se acredita ter sido um F4 provocou destruição em faixa com centenas de metros de largura ao longo de 20 a 30 quilômetros entre entre Itu e Jundiaí, no interior de São Paulo. Um ônibus, transportando dezenas de estudantes de faculdade em Sorocaba, foi arremessado a dezenas de metros. Nove passageiros morreram. Um Chevette Hatch que trafegava em rodovia foi encontrado a 350 metros de distância. Um casal que ocupava o veículo morreu. Outro veículo, uma Kombi, parou a 200 metros do local em que estava, quando foi alcançado pelo tornado.  



O segundo grande tornado violento no Brasil ocorreu em Guaraciaba, Oeste de Santa Catarina, em 7 de setembro de 2009. O tornado se formou na província argentina de Misiones, onde foi classificado como um F4 pelo Serviço Meteorológico Nacional da Argentina. Deixou 11 mortos no lado argentino em localidades próximas da fronteira com o Brasil. O tornado avançou para o Oeste Catarinense e causou destruição no município de Guaraciaba, onde outras quatro pessoas perderam as suas vidas.




Dezenas de tornados foram documentados no Rio Grande do Sul nos últimos anos, mas a esmagadora maioria ficou entre as categorias F1 e F2. Na história recente, os dois tornados mais fortes no Estado se deram em 2000 e 2005. Na noite de 11 de outubro de 2000, tornado que a MetSul estimou como um F3 provocou destruição em Águas Claras, interior de Viamão. O tornado começou a provocar danos ainda ao Sul de Porto Alegre e avançou em direção ao Litoral Norte, tendo causados os maiores estragos em Viamão. O segundo grande tornado de enorme potencial destrutivo ocorreu em 29 de agosto de 2005 no município de Muitos Capões. O consenso foi que se tratou de um F3, mas alguns dos danos tiveram características até de F4.


É altíssimo o risco de que o Rio Grande do Sul registre tornados todos os anos, entretanto é pequena a chance do ponto de vista probabilístico que ocorram eventos do tipo de Moore com categorias F4 ou F5. A grande maioria dos tornados ficará nos níveis mais baixos da escala Fujita, mas, em casos excepcionais, são possíveis eventos de maior gravidade. A MetSul já contabiliza quatro tornados no Estado em 2013. Dois, um em campo aberto e outro sobre a Lagoa dos Patos, nada provocaram. Dois trouxeram danos para áreas rurais, em Canguçu e Redentora. O último tornado a ter atingido uma área urbana no Rio Grande do Sul foi no ano passado em Santa Bárbara do Sul.  


Fonte: Metsul Blog



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