Ter�a, 07 de julho de 2026, 08:46h
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Há cinco meses nem um centavo entra na conta bancária de Delamar Macedo, 63 anos. Ainda assim, o semblante e as palavras demonstram esperança na solução da grave situação em que se encontra o hospital de Pinheiro Machado, cujas portas ele vem abrindo e fechando há mais de duas décadas, além de receber pacientes e preencher suas fichas, quase sempre nas madrugadas.
Macedo é um exemplo das dificuldades do hospital, que há uma semana sofreu intervenção da prefeitura municipal. Cansado e desestimulado, ele tem acompanhado as tentativas frustradas de revitalizar a instituição, buscando ele mesmo uma solução para os seus problemas. “Estou há dois dias numa correria para conseguir um documento que comprove que eu trabalho aqui há 23 anos e não consigo. É um jogo de empurra”, reclama.
A comprovação é uma das exigências da Previdência Social para que possa dar início ao processo de aposentadoria, o que lhe permitirá voltar a receber um salário normal. “Eu fui ao secretário de Saúde [na época, o vice-prefeito Ronaldo Madruga] e ele, após se reunir com a comissão de intervenção, me disse que o responsável por fornecer esse documento é o antigo presidente do hospital, Edson Molina. Não entendo, pois se ele não responde mais pelo hospital, como pode assinar”, questiona.
Ciente de que assim como seus colegas ele está com o futuro financeiro comprometido, uma vez que a instituição não realiza os depósitos do fundo de garantia desde 2005, recorre a bicos passa saldar compromissos básicos de cada mês. “Depois de tanto tempo, não esperava passar por isso. Se não fosse meus bicos como pintor não teria como pagar minhas contas”, confessa o porteiro.
Procurado, o vice-prefeito, Ronaldo Madruga explicou a negativa com relação ao documento. “Assumimos no dia 04 de junho e ele nos procurou requisitando a assinatura no dia 05. Dissemos que não assinaríamos nada sem ter um parecer jurídico, pois não sabemos se podemos fazer isso sem nenhuma análise. Assim, o aconselhei a procurar o antigo presidente do hospital para que ele faça isso comprovando que o funcionário atuava na instituição até a data em que passamos a atuar”, justifica.
Hoje, a Associação de Assistência Social de Pinheiro Machado conta com 31 leitos e cerca de 37 funcionários. Enquanto o problema de Macedo não é resolvido, a maioria dos funcionários do hospital aguarda o pagamento dos salários atrasados há mais de cinco meses. No total, as dívidas da instituição chegam a R$ 5 milhões.
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